Faculdade Mario Schenberg

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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A posição do quadril no SLR influencia na ativação entre o glúteo médio e o tensor da fáscia lata?

adriano-pezolato-02
Fraqueza do Glúteo Médio (Gmed) está associada com algumas lesões da extremidade inferior, incluindo síndrome de fricção da banda iliotibial e síndrome da dor femoropatelar. Nós, clínicos usamos diversos exercícios de fortalecimento para os abdutores do quadril tais como o SLR em decubito lateral(DL), apoio unipodal, deslocamento lateral com theraband, e os hops laterais.

Entre muitos exercícios, o SLR em DL é muito usado, principalmente na fase inicial de um programa de reabilitação, progredindo mais tarde para exercícios mais funcionais como os de apoio unipodal. Músculos sinergistas como o quadrado lombar e o tensor da fáscia lata (TFL) podem ser ativados durante o SLR em DL. Um estudo prévio demonstrou que o uso do PBU (Stabilizer®) durante o SLR em DL diminue a participação do TFL e aumenta a atividade do Gmed. No entanto, não há nenhum método reportado que evite a atividade excessiva do TFL (a não ser um boa orientação).

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Pessoas com fraqueza do Gmed podem compensar com a ativação do TFL durante a realização do SLR em DL. Quando o TFL é ativado para compensar um Gmed fraco, ele pode tornar-se dominante por uso repetitivo. Um TFL dominante pode contribuir com dores no quadril, na lombar e no aspecto lateral do quadril.

O estudo de Lee et al (2013) teve como objetivo determinar os efeitos de diferentes rotações do quadril (SLR neutro(SLRN), rotação medial(SLRRM) e rotação lateral(SLRRL)) no plano transverso na atividade EMG do Gmed e TFL e ainda investigar a relação de ativação Gmed:TFL. 20 estudantes saudáveis participaram do estudo.

Os resultados mostraram que o SLR RM resulta em maior ativação do Gmed e maior raio de ativação Gmed:TFL, isto é, o Gmed está mais ativo que o TFL quando o quadril estiver em Rotação Medial durante o SLR em DL. É ISSO MESMO!!!! ROTAÇÃO MEDIAL. McBeth et al (2012) investigou o SLR com rotação lateral com o raciocínio de se ter uma maior ativação do Gmed que é um rotador medial. Os resultados contrariaram o raciocínio, a atividade do TFL aumentou ao passo que ado Gmed diminuiu.

A explicação dos autores é que com o quadril rodado lateralmente, a gravidade exerce um “pull” (puxa) o quadril para uma extensão e coloca a linha de ação do TFL em uma posição mais anterior ao eixo do quadril. Desta forma o TFL pode contrair mais contra a gravidade comparado ao Gmed durante o SLRRL em DL. Um possível mecanismo para explicar o achado do estudo (Gmed mais ativo no SLRRM) é que o Gmed foi colocado na sua posição mais alta numa secção cruzada (cross-section) da coxa superior quando a contração isométrica era mantida. Assim, o Gmed estava numa posição favorável para ser ativado para sustentar o SLRRM isométrico e contrabalancear o pull para baixo da gravidade. Outra explicação para este achado, o GMed tentaria contraagir o rolamento anterior da pelve no plano transverso.

O estudo também demonstrou que o SLRRM é o melhor exercício entre os 3 SLR para aumentar o raio de ativação muscular Gmed:TFL. Os autores relatam que todas as precauções para evitar o crosstalk foram tomadas para maximizar a confiabilidade do sinal EMG.

Dor no joelho ou quadril? Confira essas dicas!

dor-joelho-quadril-dicasSabemos que as articulações de carga do nosso corpo, como o joelho e o quadril, são mais suscetíveis ao estresse mecânico durante as atividades cotidianas. Sendo assim, com base em toda a experiência clínica dos especialistas do “Instituto Trata – Joelho e quadril”, elaboramos dicas simples, porém funcionais para você que deseja: prevenir cirurgias, evitar o aparecimento de dor nestas regiões, encontrar a solução para impedir que a dor atrapalhe sua vida.

Joelho e Quadril – 7 Dicas para viver sem dor
Realize atividades físicas que não gerem impacto excessivo como caminhada, bike, natação, Pilates, dentre outras;
Procure manter o peso corporal adequado;
Evite subir e descer escadas exageradamente;
Evite realizar atividades que exijam agachamento até o chão, principalmente, não deixando os joelhos se projetarem para frente;
Atenção redobrada quando realizar atividades em terrenos irregulares (calçadas esburacadas, trilhas, etc.) para evitar as entorses;
Dobre e estique o joelho, pelo menos, 20 vezes antes de levantar, após longos períodos deitado ou sentado;
Ao primeiro sinal de dor ou desconforto procure um especialista, pois pequenas mudanças nas atividades podem significar uma ótima prevenção.

Joelho e Quadril – 7 Dicas para evitar a cirurgia
Utilize bolsas de gelo triturado por 30 minutos sobre a área lesionada, 2 vezes ao dia;
Caso não tenha boa tolerância ao gelo, pode-se usar compressa de água quente por 15 minutos sobre a área lesionada;
Procure um especialista o mais rápido possível para evitar que a lesão se torne crônica;
Evite subir e descer escadas exageradamente ou atividades que exijam agachamento até o chão, principalmente, não deixando os joelhos se projetarem para frente;
Mantenha uma boa força e função dos músculos do quadril e joelho por meio de exercícios de fortalecimento;
Realize atividades físicas que não gerem impacto excessivo como caminhada, bike, natação, Pilates, dentre outras;
Ao primeiro sinal de dor ou desconforto procure um especialista, pois pequenas mudanças nas atividades podem significar uma ótima prevenção.
Quer mais dicas?

Dor Lombar? Conheça as causas e como tratá-la

A Dor lombar é uma queixa muito comum, chamada também de lombalgia é uma dor que ocorre na parte inferior da coluna vertebral (coluna lombar). Nos consultórios a procura por ajuda médica é bem frequente para os casos de dor lombar. Cerca de três em cada quatro adultos vão ter dor nas costas durante sua vida e esses números podem subir, devido ao aumento do número da população mais idosa.

Dor-lombar-causas-como-tratarUma grande parcela da população nos dias de hoje convive com dor lombar, resultado de má postura, sedentarismo, posições incorretas no ambiente de trabalho, nos afazeres domésticos entre outros fatores associados, incluindo a execução errada de exercícios.

Caracterizando a da Dor Lombar
A dor lombar pode ser aguda ou crônica. A dor aguda dura, normalmente, de quatro a seis semanas, enquanto a dor crônica pode durar toda uma vida, indicando um problema bem mais grave na coluna vertebral.

O paciente descreve que sua coluna está travada, ele tem limitação na flexão anterior da coluna, dor e limitações nos primeiros movimentos pela manhã.

Causas da Dor Lombar
Dentre as causas, as principais associadas são: Sedentarismo, envelhecimento, herança genética, hábitos posturais incorretos no trabalho, levantar pesos inclinando a coluna para frente, tabagismo, etc.

Diagnóstico e exames
O histórico do problema das dores na coluna do paciente poderá contribuir bastante para o seu diagnóstico, como também um exame físico detalhado da postura, amplitude de movimento, espasmo muscular, dor e força muscular.

Tratamento para dor lombar
A RMA (Reconstrução Músculo-Articular) da Coluna Vertebral é um programa fisioterapêutico que utiliza técnicas de Fisioterapia Manual, mesa de tração eletrônica, mesa de descompressão dinâmica, estabilização vertebral e exercícios de Pilates ou musculação. Ele visa melhorar o grau de mobilidade músculo-articular; diminuir a compressão no complexo disco vértebras e facetas, dando espaço para nervos e gânglios; fortalecer os músculos profundos e posturais da coluna vertebral através de exercícios terapêuticos específicos, enfatizando o controle intersegmentar da coluna lombar, cervical, quadril e ombro.

O método não-cirúrgico já beneficiou mais de 8.000 pacientes, sendo utilizado para o tratamento de hérnia de disco e outras lesões da coluna, como lombalgia, cervicalgia, dor ciática, protrusão discal, espondilose, artrose, etc.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

VUNESP – SOROCABA/SP 2010 – Questão 19

19. Fraturas do colo do fêmur são mais comuns em

a) homens jovens e saudáveis

b) mulheres antes da menopausa

c) homens idosos

d) mulheres idosas

e) praticantes de esportes de competição



Muito fácil, essa questão até dá uma ajuda com as alternativas, colocando uma alternativa obviamente errada “mulheres antes da menopausa” e a correta que talvez por esse motivo está menos escancarada, que é mulheres idosas.

Minha resposta na ocasião em que fiz essa prova: D

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D


VUNESP – SOROCABA/SP 2010 – Questão 20

20. As fraturas mais comuns em idosos são

a) fraturas do úmero e do colo do fêmur

b) fraturas da bacia e do fêmur

c) fraturas cominutas da cabeça do fêmur

d) fratura por stress do colo do fêmur

e) fraturas do colo do fêmur e transtrocantéricas.


Nem vou comentar muito essa, simplesmente ignoraram a fratura que mais se vê em idosos nos ambulatórios de fisioterapia, que é a fratura de Colles.

Minha resposta na ocasião em que fiz essa prova: A

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Aeronáutica – EAOT 2002 – Questão 06

06 – Com relação aos componentes do sistema musculoesquelético, pode-se afirmar que

a) o local da falência do ligamento é em função da carga que ele experimenta, resistindo mais a uma carga rápida do que a uma carga lenta.

b) a fáscia é composta de tecido conjuntivo frouxo a denso; o periósteo, o perimísio e o pericôndrio, são elementos da camada mais profunda da fáscia profunda.

c) a sinovia e as bursas são pouco vascularizadas e inervadas.

d) os ligamentos são bastante vascularizados e pouco inervados.

fascia

A fáscia tem importância tão grande para a fisioterapia que é lamentável seu desprezo por muitos profissionais. Só quem leu Marcel Bienfait sabe o quanto ele se importava com esse tema.

Lembrem-se que a maior parte das lesões ligamentares são por movimentos bruscos, como entorses de tornozelo. Então a “A” está invertida. As alternativas “C” e “D” também estão erradas, como pode ser conferido no texto abaixo, do prof. Otávio de Melo Silva Jr., da Universidade Federal de Ouro Preto.

http://www.medicina.ufop.br/site_media/upload/professor_downloads/44/Aula%201%20-%20Princ%C3%ADpios%20de%20Ortopedia.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

IDECAN – CREFITO/PR 2013 – Questão 19

19. Ao se indicar uma órtese para a coluna, deve-se determinar o objetivo, o segmento envolvido e o movimento que se pretende limitar. Órteses rígidas controlam melhor a posição da coluna através da aplicação de forças externas. Órteses menos rígidas podem ser usadas para alívio de dores musculares ou auxílio na recuperação de fraturas mais estáveis, sendo, nesta situação, utilizadas para auxiliar a recuperação da coluna e da musculatura e não para preservar sua integridade estrutural. O conhecimento destas indicações é parte da atuação profissional do fisioterapeuta, sendo assim, analise.

I. A órtese de Minerva ou Four-poster é indicada no tratamento de algumas fraturas da coluna cervical média e inferior, como alternativa ao Halo. Também para tratamento conservador de fraturas cervicais até a 3ª vértebra torácica (eventualmente até a 7ª, dependendo da extensão torácica) ou em pós-operatório nos níveis acima.

II. A órtese do tipo Halo colete é considerada padrão-ouro na imobilização da coluna cervical, imobilizando todos os movimentos, inclusive a transição occipitocervical, onde as outras órteses praticamente não têm efeito.

III. A órtese SOMI (imobilização esterno-occipitomandibular) possui melhor restrição do que os colares cervicais na flexão e na extensão, mas, também, apresenta pouco efeito na rotação axial e flexão lateral. Suporte anterior rígido para o peito e para os ombros, com suporte occipital e mandibular. Restringe melhor a flexão cervical do que a extensão.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

A) I, II e III.

B) II, apenas.

C) I e II, apenas.

D) I e III, apenas.

E) II e III, apenas.

cervicalgia2

Vamos descrever as órteses.

Minerva: órtese com grande número de estudos, limita a flexo-extensão cervical com apoio no mento, occipício e tórax, estabilizados por quatro barras. Em crianças com lesões na coluna cervical média e inferior, o colete de Minerva pode ser usado como alternativa ao halo. Sharpe et al., 1995, estudaram 16 pacientes saudáveis quanto à restrição da coluna cervical sob o uso de colete Minerva com extensão occipital e na fronte(17). Concluíram que a órtese é útil na restrição da coluna cervical abaixo de C1. Maiman et al., 1989, também em estudo sobre o colete Minerva comparativamente ao halo, concluíram que a órtese foi eficaz na imobilização da coluna cervical, sendo similar ao uso de halo em vários níveis, exceto nas regiões da transição occipito-C1, C3-4 e C6-7.

Halo colete: órtese padrão-ouro na imobilização da coluna cervical, imobilizando todos os movimentos, inclusive a transição occipitocervical, onde as outras órteses praticamente não têm efeito. A região de C3 ao occipício é a que possui maior restrição de movimento com o uso do halo. Novos materiais não magnéticos permitem a realização de ressonância magnética na vigência da utilização dos mesmos. São indicados no tratamento de algumas fraturas do atlas, do odontoide (especialmente no tipo II), fraturas do áxis e fraturas combinadas de C1 e C2. Além disso, também pode ser usado no pós-operatório de cirurgias da região occipitocervical, com grandes inconvenientes quanto ao conforto. Entre suas complicações, destacam-se as infecções, a perda da redução da fratura, lesões cutâneas e piora ou instalação de novo déficit neurológico.

SOMI (imobilização esterno-occipitomandibular): melhor restrição do que os colares cervicais na flexão e na extensão, mas também com pouco efeito na rotação axial e flexão lateral. Suporte anterior rígido para o peito e para os ombros, com suporte occipital e mandibular. Este pode ser removido durante a alimentação. Restringe melhor a flexão cervical do que a extensão.

http://www.proreabilitacao.com.br/includes/paginas/papo-e-cafezinho/demetrio-praxedes-araujo/pdf/proreabilitacao-orteses.pdf

http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4038

orteses_CERVICAIS

orteses_CERVICOTORACICAS

orteses_TORACOLOMBOSACRAS

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

IDECAN – CREFITO/PR 2013 – Questão 17

17. “Ao paciente em decúbito ventral, com o braço para fora da mesa em 90° de flexão, deve ser solicitado que erga o peso estendendo o ombro. O paciente pode realizar flexão simultânea do cotovelo, enquanto realiza o movimento descrito a fim de facilitá-lo.” A descrição anterior sobre o posicionamento durante exercício é indicada para o fortalecimento de qual grupo muscular?

A) Trapézio inferior e serrátil anterior inferior.

B) Deltoide posterior, grande dorsal e romboides.

C) Peitoral maior, redondo menor e grande dorsal.

D) Redondo maior, trapézio médio e grande dorsal.

E) Deltoide posterior, coracobraquial e peitoral menor.

Evan Centopani 01 - Costas

Pro pessoal que já fez musculação, essa é moleza. Não tem relação direta, mas esse exercício proposto me lembrou muito o exercício para fortalecimento unilateral de “costas”. Teria que avaliar a musculatura envolvida nas demais alternativas de forma mais cuidadosa, porque parece que mesmo não sendo a musculatura principal alguns músculos ali também são trabalhados neste exercício proposto no enunciado, o que o tornaria passível de recurso, principalmente com relação à alternativa “E”, já que não há essa definição de “principalmente”. Enfim, a resposta que melhor responde é a “B”- Deltoide posterior, grande dorsal e romboides.

costas fortalecimento

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

quarta-feira, 23 de abril de 2014

VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 21

21. O controle do edema e a maturação do coto de amputação são promovidos pela técnica de enfaixamento, em que

(A) a pressão máxima deve ser na extremidade proximal, diminuindo em direção à extremidade distal do coto de amputação.

(B) deve ser feito de distal para proximal, em oito, com um gradiente de pressão regredindo de distal para proximal.

(C) o gradiente de pressão não varia em todo o trajeto do coto de amputação.

(D) as voltas da atadura no coto de amputação devem ser feitas na posição vertical, sem alteração do gradiente de pressão.

(E) as voltas da atadura no coto de amputação devem ser feitas na posição horizontal, com alteração do gradiente de pressão de proximal para distal.

Bandagem

1 – Inicie o enfaixamento de distal para proximal.
Fisio01

2 – Suba em diagonais, aliviando a pressão de distal(maior pressão) para proximal(menor pressão).
Fisio02

3 – Desça em diagonal, aliviando a pressão de distal(maior pressão) para proximal(menor pressão).
Fisio04

4 – Não volte à ponta do coto. Prossiga em diagonais aliviando a pressão.
Fisio04

5 – O enfaixameno deve terminar próximo a articulação acima da amputação, com pressão maior nessa área.
Fisio05

Fonte: http://www.andef.org.br/noticiasdicasdesaude01.htm

Enfaixamento de coto transfemoral

Mais informações: http://www.ortopediaalvalan.pt/4/post/2011/07/cuidados-ps-amputao.html

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

sexta-feira, 4 de abril de 2014

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 53

53. A massoterapia é indicada no tratamento de queimados para
(A) a manutenção de quelóides.
(B) a mobilização de tecidos que estão aderidos.
(C) a manutenção de aderências.
(D) o aumento da dor quando mobilizados.
(E) o aumento da intolerância dos tecidos à pressão.

massagem
Questão de um tempo bom que não volta mais, onde as provas eram muito fáceis!!!!
Nem preciso comentar nada, todas as alternativas citam fatores negativos, com exceção da “B”.
 Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B
Alternativa que indico após analisar: B

sexta-feira, 28 de março de 2014

VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 38

38. Ao tratarmos um paciente com luxação anterior de ombro devem-se evitar os seguintes movimentos:

(A) adução e rotação interna.

(B) elevação e adução horizontal.

(C) abdução e rotação externa.

(D) abdução interna e elevação.

(E) flexão e rotação externa.

luxação anterior do ombro

Vamos supor aqui que a VUNESP queira saber sobre a fase inicial do tratamento, já que após cinco ou seis semanas o tratamento entra na reta final e a história é outra.

Esta questão dá para resolver de forma simples. A posição mais crítica da articulação glenoumeral é a abdução. É nesse movimento em que o paciente refere boa parte das disfunções do complexo aticular do ombro. Aprendemos normalmente na graduação os movimentos puros: flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna e externa, elevação, passando por adução e abdução horizontal mas, funcionalmente, todo movimento do ombro é uma combinação de movimentos em planos e eixos variáveis

As duas únicas alternativas que contém a abdução são a “C” e a “D”, mas essa última propõe o inovador movimento de “abdução interna”… sem comentários. A “C” é a única alternativa possível nesta questão, e se traduz exatamente no mecanismo de lesão mais comum nas luxações anteriores do ombro.

luxação do ombro

O que é a luxação do ombro?

A luxação, em termos médicos, é definida como a “perda do contato articular”. Isto é, a separação de dois ossos que costumam estar em íntimo e contínuo contato por meio de uma área lisa e deslizante, chamada de cartilagem. A luxação do ombro ocorre quando uma força extrema supera os mecanismos estabilizadores (lábio, cápsula e manguito) e desloca a cabeça do úmero para fora da glenóide. Chamamos de subluxação quando o úmero retorna à posição original sozinho após o deslocamento. Essas circunstâncias podem ocasionar lesões dos tecidos. Na maioria das vezes, os danos serão no lábio e nos ligamentos. Em pacientes acima dos 40 anos, além do lábio, os tendões do manguito rotador também podem ser lesados, o que torna a luxação mais grave.
Quais os tipos de luxação, quais as diferenças e como ocorrem?

luxacao do ombro

A luxação do ombro mais comum é a anterior. Nesse tipo, o trauma é normalmente com o ombro em o que chamamos de abdução e rotação externa, que nada mais é do que a posição de arremesso com o braço rodado para fora. Às vezes também pode ocorrer por uma tração do ombro para frente, como se o braço fosse puxado. E em muitos casos o paciente não se recorda ou não sabe como foi o trauma. Na luxação anterior, o úmero é deslocado para frente. Existe um outro tipo de luxação em que o úmero será deslocado para trás, chamada de luxação posterior. Ela é muito mais rara (menos de 10% dos casos de luxação) e ocorre após convulsões, choques elétricos ou acidentes automobilísticos em que o paciente encontrava-se com o braço esticado no volante e sofreu um trauma súbito.

O que ocorre após a luxação do ombro?
Após a primeira luxação, o lábio e os ligamentos sofrem algum grau de lesão. Em indivíduos com frouxidão ligamentar, a luxação pode ocorrer mesmo sem uma trauma importante e pode gerar apenas o alongamento dos ligamentos ou lábio, sem lesões mais graves. Na maioria dos outros indivíduos e naqueles com algum trauma, as luxações geram lesões no lábio e/ou nos ligamentos. Esses tecidos deveriam cicatrizar em uma posição normal para que o paciente não sofresse novos deslocamentos. Infelizmente, essa cicatrização não ocorre na maioria dos casos e, quando ocorre, os tecidos cicatrizam em uma posição anormal. Se não ocorrer a cicatrização, o ombro poderá luxar novamente, gerando a chamada luxação recidivante ou instabilidade glenoumeral.
Com novas luxações, os ligamentos vão se alongar cada vez mais e as lesões podem progredir para o osso. As lesões no osso, chamadas de lesão de Hill-Sachs ou de Bankart ósseo, aumentam ainda mais a chance de uma nova luxação. Mais raramente, pode ocorrer a lesão dos ligamentos no úmero e não na glenóide, conhecida como lesão HAGL (humeral avulsion of glenoumeral ligaments).
Quais são as complicações e consequências da luxação do ombro?

As complicações variam de acordo com a gravidade do trauma, a idade em que ocorreu a primeira lesão, o número de episódios, o tempo em que o ombro permaneceu luxado e se houve ou não lesão de tecidos associados, como o osso e os tendões. Dentre os agravantes, os mais comuns são:

Luxação recidivante: novos deslocamentos podem ocorrer com maior facilidade. Em algumas pessoas, a nova luxação acontece apenas durante o esporte. Em outros, pode ocorrer em atividades diárias ou até mesmo dormindo.
Lesões ósseas: fraturas ou impacções ósseas, que agravam a instabilidade e o quadro clínico, podem ocorrer nas novas luxações ou mesmo na primeira incidência.
Lesão dos tendões do manguito rotador: a luxação pode acarretar lesão nos tendões do manguito rotador, o que limita os movimentos do ombro. Isso ocorre com mais frequência em pacientes acima de 40 anos de idade.
Lesões neurológicas: lesões do nervo axilar ou do nervo musculocutâneo podem aparecer, o que vai causar fraqueza e diminuição da sensibilidade de alguns músculos do paciente.
Artrose: a recorrência da luxação pode facilitar o desenvolvimento de artrose, isto é, de desgaste articular.

Qual é o tratamento da luxação do ombro?
Ocorrido o deslocamento, o objetivo inicial é a redução do ombro – colocar o ombro no lugar. Isso deve ser feito por um médico e apenas após avaliação clínica e radiográfica. Analgésicos, infiltrações ou mesmo anestesia podem ser realizadas para diminuir a dor durante o procedimento. Após a redução, uma nova radiografia deve ser realizada para se certificar de que o procedimento foi realizado de maneira correta. O paciente deve utilizar tipóia. O período de tempo e o tipo de tipóia recomendados a ele serão determinados pelo médico, de acordo com a gravidade da luxação, a idade do paciente e sua assiduidade na prática de atividade física. Exames subsidiários, como a ressonância nuclear magnética (RNM) podem ser necessários para avaliar lesões associadas.

Quando é indicado o tratamento não operatório ou conservador para luxação do ombro?
Em pacientes de menor demanda, de maior idade ou em casos de menor gravidade, o tratamento inicial será baseado no uso da tipóia e no uso de analgésicos e antiinflamatórios, seguido pela adequada reabilitação. Àqueles que apresentam grande frouxidão ligamentar sem lesão do lábio ou ligamentos, o tratamento não operatório é o mais indicado e a reabilitação deve ter um período mais longo.

Como é a reabilitação ou fisioterapia do ombro para a luxação do ombro?
A reabilitação, realizada tradicionalmente através de fisioterapia, tem diversos objetivos. O paciente deve ser orientado a evitar posições de risco para novas luxações. Gelo pode ser aplicado para diminuir o processo inflamatório. Inicialmente, o tratamento foca na recuperação da mobilidade do ombro. Em seguida, deve centralizar no fortalecimento muscular, com especial atenção aos músculos que formam os tendões do manguito rotador e aos músculos estabilizadores da escápula. A reabilitação pode ser necessária durante um ou dois meses. Depois dessa fase, o indivíduo precisa continuar o fortalecimento muscular – com um treinamento domiciliar ou em academia, mas sempre com muita atenção para evitar movimentos que podem causar a luxação ou subluxação. Esse tratamento pode auxiliar na estabilização do ombro em muitos casos.

Quando é indicado o tratamento cirúrgico?
Indivíduos com maior risco de luxação (jovens, esportistas ou com demanda elevada) podem precisar de tratamento cirúrgico após o primeiro episódio da luxação. Nos indivíduos que possuem lesões do lábio, lesões ósseas associadas, lesões dos tendões do manguito rotador ou em indivíduos com alta demanda – como, por exemplo, atleta de esportes de arremesso – o tratamento cirúrgico pode ser indicado. A cirurgia também é recomendável àqueles que sofrem casos recorrentes de luxação ou subluxação, sem melhora com o tratamento conservador. Existem diversos estudos avaliando a vantagem e o risco x benefício da cirurgia após o primeiro episódio de luxação. A conclusão final é de que é vantajoso partir para a cirurgia mesmo após um único episódio de luxação.

Como é o tratamento cirúrgico da luxação do ombro?
Existem diversos tipos de cirurgia para o tratamento da luxação recidivante de ombro. Citaremos os dois tipos de cirurgia mais comumente realizados na atualidade. Para a maioria dos casos, o tratamento pode ser realizado por via artroscópica, com 3 ou 4 orifícios de 1cm no ombro e o uso de equipamentos específicos para um procedimento pouco invasivo. Nesse procedimento, é realizado o reparo do lábio (tecido avulsionado ou mal cicatrizado após as luxações) e a capsuloplastia (retensionamento da cápsula articular e dos ligamentos glenoumerais), através de âncoras (pequenos parafusos absorvíveis que são presos ao osso de um lado e tem fios de sutura no outro lado). Com a reinserção, é possível a cicatrização dos ligamentos e do labrum em uma boa posição, apresentando um alto índice de sucesso.
Em indivíduos com consideráveis lesões ósseas da glenóide (acima de 25%), o tratamento através do reparo labral por artroscopia não apresenta uma taxa de sucesso satisfatória, falhando em até 60% dos casos. Nesses casos, é mais recomendada a cirurgia que chamamos de bloqueio ósseo. Em um dos bloqueios mais eficazes e seguros, conhecido como cirurgia de Bristow ou de Latarjet, o osso chamado de coracóide, localizado próximo à articulação do ombro, é movido e fixado na borda da glenóide (local em que houve lesão óssea), aumentando a área óssea e tensionando de modo dinâmico um dos músculos do manguito rotador. É uma cirurgia realizada com maior frequência em países onde são disputados esportes competitivos de alto impacto no ombro, como na França por causa do rugby. O procedimento apresenta alto índice de sucesso, mas ainda é realizada por via aberta – com incisões na pele de 5 a 8 cm. Existem estudos para sua realização por artroscopia, mas o método ainda não é seguro o bastante para ser realizado de rotina. Há ainda outros métodos que podem ser realizados para o tratamento da luxação recidivante, tais como o procedimento de Remplissage – para lesões ósseas da cabeça do úmero -, a capsuloplastia, recomendada para instabilidade multidirecional aos pacientes com frouxidão ligamentar, ou a fixação de fraturas associadas com âncoras ou parafusos.
Fonte: http://maurogracitelli.com/blog/luxacao-ombro

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

quinta-feira, 13 de março de 2014

FUNRIO – São João da Barra/RJ 2010 – Questão 28


28. A “Graduação de Maitland para os Movimentos” propõe procedimentos cinesioterapêuticos, em 5 graus sucessivos. O procedimento do 5º grau corresponde

A) ao movimento de grande amplitude, sem alcançar os 2 extremos do movimento principal.

B) ao movimento de grande amplitude iniciando e terminando nos extremos dos movimentos acessórios.

C) ao movimento de pequena amplitude para os movimentos acessórios.

D) ao movimento de pequena amplitude para o movimento principal.

E) à manipulação (Golpe em Alta Velocidade).


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O conceito Maitland tem sido um dos pilares da fisioterapia moderna. Maitland apresenta uma abordagem detalhada e cuidadosa do exame físico através da avaliação criteriosa de conceitos como a dor e dos efeitos dos movimentos no paciente. Vem empregando como técnica de reabilitação impulsos repetitivos de menor frequência, porém com mais força por trás deles, estas mobilizações oferecem claramente ao fisioterapeuta um adicional útil na reabilitação, sua técnica se altera ou se mantém de acordo com a mudança ou com a ausência de mudança nos sintomas relatados pelo paciente, descreve que dentro da fisioterapia manipulativa o profissional deve ter mente aberta para alterar sua abordagem clínica.

Há duas maneiras de manipular o paciente consciente:

• Mobilização: oscilações rítmicas e passivas;

• Manipulação: alta velocidade a partir do limite da amplitude.

Pilares do “Conceito”:

• Avaliação;

• Resposta movimento/dor e sua adaptação no tratamento até o episódio atual do paciente;

• Modo específico de pensar quando se lida com certo diagnóstico.

Princípios da Avaliação e Tratamento segundo a Abordagem de Maitland.

Itens da Avaliação:

A importância da Comunicação:

A habilidade em comunicação é necessária para que possamos transmitir instruções a um paciente, de forma que se evite qualquer possibilidade de ser mal – entendimento.

As palavras, frases, entonação devem ser cuidadosamente escolhidas para que as perguntas não apresentem ambiguidades, e os pacientes sejam cautelosamente ouvidos para que suas palavras não sejam mal interpretadas.

Sequência da Avaliação Analítica:

1. Área da dor

2. Comportamento da dor

3. Contraindicações

4. História

5. Exame Objetivo

6. Planejamento do tratamento

7. Registro do tratamento

Conceito de Tratamento:

1. Relacionar o tratamento a história, sinais e sintomas

2. Relação entre técnica e tratamento;

3. Diagnóstico;

4. Teoria;

5. As palavras certas;

6. Exame;

7. A capacidade de escutar;

8. Avaliação e reavaliação analítica;

9. As capacidades inerentes ao corpo.

Mobilização:

Existem dois tipos de mobilização:

1. Movimentos com o objetivo de aliviar a dor e restabelecer o movimentos funcionais livres de dor.

a) Movimentos passivos e oscilatórios;

b) Movimentos passivos de estiramento.

2. Movimentos passivos executados com o propósito de manter um percurso funcional do movimento articular em pacientes que estão inconsciente ou que possuem uma doença articular ativa como a artrite reumatoide.

Indicações a Mobilização:

• Dor

• Hipomobilidade

• Espasmo

• Inflamação

Contraindicações à mobilização:

1. Fraturas recentes

2. Compressão da medula espinal

3. Compressão da cauda equina

4. Doença ativa das vértebras

5. Tonturas posicionais quando há rotações (específicos para coluna cervical)

6. Dor intensa nas raízes dos nervos (realizar somente tração)

7. Osteoporose (não aparece até que 30% dos sais tenham acabado), quando faz uso de esteroides por mais de três semanas.

Precauções e contraindicações à manipulação:

1. Dor não diagnosticada, não explicada e não proveniente de incidentes.

2. Grande sobrecarga psicológica

3. Suspeita de osteoporose (fisiológica em idosos)

4. Espondilite anquilosante ativa

5. Espondilolistese se produzir os sinais e sintomas (S e S)

6. Instabilidade (não fazer grau V naquele nível)

7. Últimos um ou dois meses de gestação e após o um mês

8. Invasão interforaminal (pode-se usar método de abertura)

9. Irritação aguda da raiz nervosa

10. Compressão aguda de raiz nervosa

11. Adolescentes e crianças (quadros crônicos)

12. Síndrome do chicote aguda

13. Artrite reumatoide ativa

Princípios das técnicas de Maitland:

Graus de Mobilização;

Sentido/Direção;

Ritmo;

Ritmo/Reação Sintomática;

Duração.

• Graus de Mobilização:

Grau I: Movimento minúsculo no início do arco

Grau II: Movimento grande sem dor e no meio do movimento

Grau III: Movimento grande no final do arco

Grau IV: Movimento minúsculo no final do movimento (e um pouco além)

Grau V: Movimento minúsculo de alta velocidade no ½ do arco até o fim do arco.

• Efeitos dos graus de mobilização:

Grau I: Entrada de informações neurológicas através de mecanoreceptores – (ativação das comportas medulares).

Grau II. Entrada de informações neurológicas através de mecanoreceptores e estimulação do retorno venoso e linfático (diminuição do edema e respostas inflamatórias locais através do bombeamento de fluidos). Corpos livres interpostos se movimentam.

Grau III. (o mesmo do grau II) + Estresses nos tecidos encurtados por aderências. Há, geralmente, grande facilitação neuromuscular.

Grau IV. Estresses teciduais que movimentam estruturas para posições discretamente diferentes (corpos livres, núcleo excêntrico, cápsula “redundante”, pinçamentos).

Grau V. Quebra de aderências que impedem o movimento, atividades do “OTG” em cápsulas para inibição de músculos nas imediações da articulação, que podem alterar drasticamente a posição do tecido.

Grau I e II:

Estes dois graus são primariamente usados para alívio da dor inflamatória. No caso do seu objetivo ser simplesmente aliviar a dor do paciente, utilize estes graus. Por outro lado, frequentemente, existe uma causa mecânica oculta para o ciclo inflamação/dor. Faça 3 séries de 30 segundos cada, a menos que provoque irritação.

Grau III, IV e V:

Estes graus são usados para problemas de rigidez. Na verdade, eles são usados para o alívio de problemas mecânicos na articulação. Estes problemas podem variar desde aderências grosseiras capsulares até corpos livres de menisco provocando bloqueio.

Nota: O grau III é uma técnica de combinação. Ela é utilizada mais frequentemente quando a rigidez é um problema primário, porém o movimento amplo característico do grau III pode também inibir a produção de dor. Fazer 3 séries. Cada série deve ter 1 minuto de movimento acessório, seguido de 1 minuto de fisiológico, exceto na coluna onde geralmente somente movimentos acessórios são realizados. O grau V jamais é usado na direção que produz o sinal doloroso.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FUNRIO – São João da Barra/RJ 2010 – Questão 22

22. A prática de exercícios amplos nas articulações do membro superior é fundamental durante a imobilização do punho ipsolateral na Fratura de Colles, como prevenção dos seguintes agravamentos:

A) rigidez articular – hematoma intrarticular – pseudoartrose.

B) pseudoartrose – hematoma intrarticular – calo vicioso.

C) neuropraxias – pseudoartrose – calo vicioso.

D) rigidez articular – subluxação radioulnar distal – pseudoartrose.

E) rigidez articular – hematoma intrarticular – calo vicioso.
 fratura de colles

OK, “ipsolateral” ou grafando o termo corretamente “ipsilateral” significa mesmo lado.

As fraturas do terço distal do rádio constituem de 10% a 12% das fraturas do esqueleto e são, muitas vezes, chamadas genericamente de fratura de Colles. não se levando em conta os vários tipos de fraturas distintas do rádio distal que necessitam considerações terapêuticas diversas e prognósticos diferentes.

De Hipócrates a Pouteau, as fraturas do terço distal do rádio foram consideradas como luxações radiocárpicas. No trabalho póstumo de Pouteau, publicado em 1783, trinta anos antes de Colles ( 1813), a fratura do terço distal do rádio foi brilhantemente descrita, embora apresentasse teoria equivocada a respeito da ação da contração dos dedos.

Em 1838, Johan Barton descreveu outro tipo de fratura do terço distal do rádio. em que ocorria o comprometimento marginal dorsal do rádio com luxação do carpo, e aventou a possibilidade de se verificar fratura semelhante na face palmar do rádio, que também foi descrita por Leternnier no mesmo ano. Goyrand. em 1932. e posteriormente Smith, em 1974, descreveram a fratura do extremo distal do rádio em flexão e compressão, fratura inversa à descrita por Colles (1813).

As principais complicações da fratura de Colles são:

Síndrome do túnel do carpo: pode ocorrer pela compressão de alguma estrutura componente do túnel, por um fragmento ósseo, pelo edema ou até mesmo por uma formação de calo ósseo incorreto;

Artrite pós traumática;

Síndrome de Volkmann;

Calo vicioso: devido a uma má redução ou um deslocamento secundário e

Distrofia Simpático Reflexa.

Pode ocorrer também rigidez articular, perda de força de preensão, de potência, alterações neuro-motoras decorrentes da lesão do nervo mediano, deformidade residual da articulação do punho, instabilidade mediocarpal.

Excluindo-se o hematoma intra-articular e a neuropraxia já dá pra chegar à alternativa correta.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FUNRIO – São João da Barra/RJ 2010 – Questão 21

21. Nas distensões musculares de 1º e 2º graus, é indicado o “alongamento” da musculatura acometida, observando o período de evolução do trauma, a(s) técnica(s) e a dose indicadas, respectivamente,

A) 48 horas após a lesão; as técnicas “estática” e de “facilitação neuromuscular proprioceptiva”; 3 repetições com 15 segundos de duração cada.

B) imediatamente após a lesão; as técnicas balísticas e de “facilitação neuromuscular proprioceptiva”; 5 segundos de duração cada.

C) após a involução do edema; a técnica balística; 3 séries de 5 repetições com 30 segundos de duração cada.

D) após a involução do edema; as técnicas passivas; 5 séries de 3 repetições com 30 segundos de duração cada.

E) 72 horas após a lesão; qualquer técnica que respeite o limite da dor do paciente; 3 repetições com 30 segundos de duração cada.


musculos
Essa é a primeira questão de conhecimentos específicos desta prova.

Imediatamente após um estiramento não se deve alongar, sob o risco de causar um agravamento do quadro. Eliminamos a “B”.

Nem vou comentar muito sobre a forma de tratamento proposta ali, eu faria diferente, mas well, é um concurso né, então temos que acertar a questão, só isso.

Há algo nessa questão que dá para sacar e resolvê-la fácil. Eles propõem alongamentos de 30 segundos em 3 alternativas, a “C”, a “D” e a “E”; e um de 5 segundos na alternativa que obviamente é incorreta, a “B”. A única que propõe alongamentos de 15 segundos é a resposta esperada pela banca, a alternativa “A”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: Pensando como concurseiro, A

quarta-feira, 5 de março de 2014

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 32

32.O principal mecanismo de lesão na entorse do tornozelo deve-se ao estresse ligamentar em acentuada:

A) flexão plantar.

B) flexão dorsal.

C) eversão.

D) inversão.

E) pronação.


entorse de tornozelo 1

Questão muito parecida com outra da mesma banca. Reposto então.

A entorse é um movimento violento, com estiramento ou ruptura de ligamentos de uma articulação. A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas frequentemente encontradas na população ativa, que geralmente envolve lesão dos ligamentos laterais. Ocorre com maior frequência nos atletas de futebol, basquete e vôlei, correspondendo a cerca de 10% a 15% de todas as lesões do esporte. A entorse do tornozelo pode evoluir com complicações, com vários graus de limitação funcional.

 entorse de tornozelo 2
 
A estabilidade lateral do tornozelo é dada pelo mecanismo contensor dos ligamentos talofibular anterior, posterior e talo-calcâneo, associada ao terço distal da fíbula. O mecanismo de lesão habitual é a inversão do pé com flexão plantar do tornozelo, numa intensidade além do normal, que acontece geralmente ao pisar em terreno irregular ou degrau. Este movimento anômalo proporciona uma lesão que se inicia no ligamento talofibular anterior e pode progredir para uma lesão do ligamento calcâneofibular, com o aumento da energia do trauma. A lesão do ligamento talofibular posterior é rara, ocorrendo apenas na luxação franca do tornozelo.

Como classificar a entorse de tornozelo?

A classificação de entorse de tornozelo é baseada no exame clínico da área afetada e divide a lesão em três tipos: grau 1- estiramento ligamentar; grau 2-lesão ligamentar parcial e grau 3-lesão ligamentar total.

entorse de tornozelo tipos

O quadro clínico encontrado é de dor, com edema localizado na face ânterolateral do tornozelo, equimose mais evidente após 48 horas e dificuldade para deambular. Quanto mais grave a lesão, mais evidentes ficam os sinais. A associação destes sintomas com o teste da gaveta anterior positivo permite caracterizar uma lesão grau 3 em 96% dos casos.


 entorse de tornozelo 5



 
São necessários exames complementares?

A necessidade de exames complementares para entorse de tornozelo baseia-se na suspeita de fraturas associadas. Das radiografias realizadas em doentes com lesão de tornozelo, 85% são normais. Com intuito de evitar radiografias desnecessárias, foram criadas regras (regras de Ottawa para tornozelo) que indicam a realização de radiografias apenas quando houver dor em pontos ósseos específicos ou na impossibilidade do apoio de marcha (pelo menos quatro passos). Esta regra mostrou sensibilidade de 99,7%, porém com especificidade variável (10% a 70%).

A ressonância magnética pode ser indicada nos casos de persistência da dor após três meses da lesão inicial, com o objetivo de investigar lesões associadas, como osteocondral, do impacto ânterolateral e identificar lesões ligamentares crônicas.

Quais são as opções de tratamento da entorse de tornozelo na fase aguda?

O objetivo do tratamento da lesão ligamentar do tornozelo é o retorno às atividades diárias (esporte/trabalho), com remissão da dor, inchaço e inexistência de instabilidade articular.

O tratamento inicial para todas as lesões consiste em repouso por três dias, aplicação local de gelo, elevação do membro afetado e proteção articular com imobilizador ou tala gessada. O uso de anti-inflamatórios não-hormonais mostrou diminuição da dor e edema, com melhora precoce da função articular.

Nas lesões leves, o tratamento é sintomático, com manutenção da imobilização até a melhora dos sintomas, que dura entre uma e duas semanas. Já nas lesões completas, a proteção articular com imobilizadores semi-rígidos possibilitou retorno mais rápido às atividades físicas e laborativas quando comparada à imobilização gessada, porém a ocorrência de edema, dor e instabilidade em longo prazo foi semelhante nos dois grupos. Outros tipos de imobilização funcional, como enfaixamento e imobilizadores elásticos, tiveram resultados inferiores aos imobilizadores rígidos e semi-rígidos.

O tratamento cirúrgico comparado ao tratamento conservador não mostrou superioridade no retorno precoce à atividade física, apenas parece evoluir com menor instabilidade residual. O tratamento deve ser feito de forma individualizada, avaliando-se cuidadosamente os riscos, que são maiores no tratamento cirúrgico. Portanto, a preferência é dada ao tratamento conservador para as lesões agudas, com atenção a pacientes que possam permanecer sintomáticos.

Quais são as possíveis complicações das entorses?

Alguns pacientes permanecem com dor ou instabilidade após seis meses do tratamento da lesão ligamentar aguda. As possíveis lesões associadas geralmente são por ordem decrescente de frequência: instabilidade crônica, lesão osteocondral, impacto com processo inflamatório tíbiofibular distal e impacto anterior com exostose. A investigação diagnóstica destes pacientes pode ser realizada pelo exame clínico associado a métodos diagnósticos, como as radiografias simples e com estresse, ressonância magnética e artroscopia, sendo este último o de maior sensibilidade e especificidade.

Outro fator que piora o prognóstico das lesões ligamentares do tornozelo é a associação de varo no retropé, que foi determinante na evolução para artrose em longo prazo (30 anos). A pesquisa por tomografia computadorizada mostrou-se confiável para quantificar o varo. Este fato encoraja a realização da osteotomia valgizante do calcâneo nas instabilidades crônicas associadas a varo do retropé.

Qual é a conduta a ser adotada nas instabilidades crônicas?

Cerca de 20% das entorses de tornozelo podem evoluir com algum tipo de instabilidade após seis meses da lesão inicial, acompanhada ou não de frouxidão ligamentar. Os pacientes com boa contensão mecânica – chamada instabilidade funcional – têm como causa a falha na propriocepção, e são tratados com métodos fisioterápicos. Mesmo aqueles pacientes com frouxidão ligamentar possuem algum déficit de propriocepção, portanto também devem inicialmente ser submetidos à reabilitação. Os pacientes com instabilidade sintomática persistente podem ser submetidos à correção cirúrgica. Não existe evidência na literatura para determinar qual técnica de tratamento cirúrgico leva a melhores resultados, porém é demonstrado que pacientes submetidos à recuperação funcional com imobilizadores semi-rígidos no pós-operatório tiveram retorno mais precoce às atividades diárias, quando comparados àqueles que utilizaram imobilização gessada.

Qual é a conduta a ser adotada nas lesões osteocondrais do talus?

Em pacientes sintomáticos com lesão condral do tálus graus 2b, 3 e 4 de Ferkel, pode ser indicada cirurgia. Existem várias técnicas, mas as mais utilizadas são a condroplastia, microfratura ou transferência autóloga osteocondral, que quando comparadas não apresentam diferença nos resultados obtidos após dois anos de acompanhamento.

Fonte:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302009000500008

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 04

“Manguito Rotador” é o complexo estabilizador da articulação glenoumeral constituído pelos músculos:

A) deltóide – subescapular – supraespinhoso – redondo maior.

B) deltóide – subescapular – supraespinhoso – infraespinhoso.

C) deltóide – supraespinhoso – redondo maior – redondo menor.

D) subescapular – supraespinhoso – redondo maior – redondo menor.

E) redondo menor – subescapular – supraespinhoso – infraespinhoso.

Questão bônus de concurso para fisioterapeuta. Juro que não é preguiça, mas já tenho um post bem completo e que responde essa questão. Reposto então.
Manguito rotador

Essa é moleza. Hoje em dia não se pode mais errar esse tipo de questão, que já foi explorada exaustivamente pelas bancas organizadoras e, ainda assim, eventualmente aparece em concurso público.

Talvez a única dificuldade seja com relação ao redondo maior ou redondo menor. Caso dê um branco na hora da prova, existem algumas formas de se fazer associações. Para esse caso em especial, acho que a mais simples é lembrar que, com exceção do supraespinhoso, esse grupo muscular tem associação com diminutivos, vejamos: Infra espinhoso, subescapular e RedondoMenor.

Manguito Rotador do ombro
MúsculoOrigem na escápulaFixação no úmeroFunçãoInervação
Músculo supra-espinhalfossa supra-espinhaltubérculo maiorabdução do braçoNervo supra-escapular (C5)
Músculo infra-espinhalfossa infra-espinhaltubérculo maiorrotação externa do braçoNervo supra-escapular (C5-C6)
Músculo redondo menorborda lateraltubérculo maiorrotação externa do braçoNervo axilar (C5)
Músculo subescapularfossa subescapulartubérculo menorrotação interna do úmeroNervo subescapular (C5-C6)
manguito adam

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

VUNESP – São Paulo 2002 – Questão 25

25. Paciente de 30 anos, jogador amador de futebol, relata torção em joelho direito durante a partida, com dor aguda de grande intensidade e bloqueio do joelho, tanto para flexão como para extensão. Apresenta-se com importante derrame articular; aos testes específicos apresenta somente Apley de compressão e McMurray positivos e em sua palpação relata dor importante na interlinha medial. Neste caso, pode-se suspeitar de

(A) ruptura do menisco medial e canto póstero lateral.

(B) ruptura do menisco lateral.

(C) ruptura do menisco medial e ruptura do ligamento cruzado anterior.

(D) ruptura do menisco medial e ligamento colateral lateral.

(E) ruptura do menisco medial.
meniscos 1
Muito legal essa questão. Pena que nem todas as questões de concursos avaliam nosso conhecimento dessa forma, aliando conhecimento com raciocínio clínico.

Vamos desfiar esse caso clínico, no que for relevante apenas.

Mecanismo de lesão: Rotação (torção) do joelho direito.

Sintomas: dor aguda de grande intensidade, derrame articular e bloqueio do joelho em flexão e extensão.

Testes realizados: Apley de compressão, McMurray e palpação da interlinha medial do joelho positivos.

Tanto o teste de compressão de Apley como o McMurray tem como finalidade o diagnóstico de lesão em meniscos. Vejam os vídeos:


Pelo joelho bloqueado em flexão e extensão, podemos eliminar a ruptura de LCA, alternativa “C”. O teste de palpação refere dor na região medial, podemos eliminar portanto lesão de menisco lateral, alternativa “B” e também a alternativa “A”, que vou comentar abaixo.

Sobre mecanismo de lesão para ligamentos colaterais, quando ocorrem abdução, flexão e rotação interna do fêmur sobre a tíbia, as estruturas mediais são primeiramente afetadas. Por outro lado, no caso de abdução, flexão e rotação externa do fêmur sobre a tíbia, o ligamento colateral lateral comumente sofre uma ruptura inicial. Além disso, o joelho está bloqueado e não há referência para teste positivo em varo ou valgo do joelho. Eliminamos a alternativa “D”.

Só nos resta a alternativa “E”.

Sobre a alternativa “A”, como descrito acima, a palpação da interlinha indica lesão medial, então podemos descartar essa lesão de canto póstero-lateral. Sobre essa estrutura em particular Fleming e colaboradores(1983) relatam que no lado lateral, o segmento anterior do suporte é dado por uma cápsula frouxa reforçada pela expansão lateral do quadríceps. A porção média consiste da cápsula profunda, desde o fêmur lateral até a margem articular tibial. Já a porção posterior é composta pelo complexo arqueado e pelo tendão da porção lateral do músculo gastrocnêmio. Segundo os autores, o tendão do músculo bíceps femoral adiciona proteção dinâmica a essas estruturas.Stuart e colaboradores(1994) descrevem os estabilizadores dinâmicos e estáticos do canto póstero-lateral do joelho. Os estabilizadores dinâmicos são o tracto iliotibial, o músculo bíceps femoral, o músculo poplíteo, o músculo gastrocnêmio lateral e o músculo vasto lateral. Os estabilizadores estáticos são o LCF, o TPo, o ligamento arqueado e o ligamento fabelofibular (presente em apenas 15% dos joelhos). Em conjunto, o ligamento arqueado, o tendão do músculo poplíteo e o LCF formam o complexo arqueado. Não há referências ao LPf.
meniscos 2
Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FUNRIO – Itaboraí/RJ 2007 – Questão 40

40. Os músculos fibulares devem ser fortalecidos e estimulados na sua propriocepção, principalmente em atletas. Entretanto, as entorses do tornozelo são, na maioria das vezes, resultantes de lesões em:

A) eversão

B) inversão

C) flexão dorsal

D) flexão plantar

E) flexão associada à rotação

entorse de tornozelo 1
Não entendi o “entretanto” e a relação com a entorse, mas well, o mais tipo comum é a entorse em inversão.

A entorse é um movimento violento, com estiramento ou ruptura de ligamentos de uma articulação. A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas frequentemente encontradas na população ativa, que geralmente envolve lesão dos ligamentos laterais. Ocorre com maior frequência nos atletas de futebol, basquete e vôlei, correspondendo a cerca de 10% a 15% de todas as lesões do esporte. A entorse do tornozelo pode evoluir com complicações, com vários graus de limitação funcional.

entorse de tornozelo 2
A estabilidade lateral do tornozelo é dada pelo mecanismo contensor dos ligamentos talo-fibular anterior, posterior e talo-calcâneo, associada ao terço distal da fíbula. O mecanismo de lesão habitual é a inversão do pé com flexão plantar do tornozelo, numa intensidade além do normal, que acontece geralmente ao pisar em terreno irregular ou degrau. Este movimento anômalo proporciona uma lesão que se inicia no ligamento talo-fibular anterior e pode progredir para uma lesão do ligamento calcâneo-fibular, com o aumento da energia do trauma. A lesão do ligamento talofibular posterior é rara, ocorrendo apenas na luxação franca do tornozelo.

Como classificar a entorse de tornozelo?

A classificação de entorse de tornozelo é baseada no exame clínico da área afetada e divide a lesão em três tipos: grau 1- estiramento ligamentar; grau 2-lesão ligamentar parcial e grau 3-lesão ligamentar total.

entorse de tornozelo tipos
O quadro clínico encontrado é de dor, com edema localizado na face ântero-lateral do tornozelo, equimose mais evidente após 48 horas e dificuldade para deambular. Quanto mais grave a lesão, mais evidentes ficam os sinais. A associação destes sintomas com o teste da gaveta anterior positivo permite caracterizar uma lesão grau 3 em 96% dos casos.

entorse de tornozelo 5
São necessários exames complementares?

A necessidade de exames complementares para entorse de tornozelo baseia-se na suspeita de fraturas associadas. Das radiografias realizadas em doentes com lesão de tornozelo, 85% são normais. Com intuito de evitar radiografias desnecessárias, foram criadas regras (regras de Ottawa para tornozelo) que indicam a realização de radiografias apenas quando houver dor em pontos ósseos específicos ou na impossibilidade do apoio de marcha (pelo menos quatro passos). Esta regra mostrou sensibilidade de 99,7%, porém com especificidade variável (10% a 70%).

A ressonância magnética pode ser indicada nos casos de persistência da dor após três meses da lesão inicial, com o objetivo de investigar lesões associadas, como osteocondral, do impacto ântero-lateral e identificar lesões ligamentares crônicas.

Quais são as opções de tratamento da entorse de tornozelo na fase aguda?

O objetivo do tratamento da lesão ligamentar do tornozelo é o retorno às atividades diárias (esporte/trabalho), com remissão da dor, inchaço e inexistência de instabilidade articular.

O tratamento inicial para todas as lesões consiste em repouso por três dias, aplicação local de gelo, elevação do membro afetado e proteção articular com imobilizador ou tala gessada. O uso de antiinflamatórios não-hormonais mostrou diminuição da dor e edema, com melhora precoce da função articular.

Nas lesões leves, o tratamento é sintomático, com manutenção da imobilização até a melhora dos sintomas, que dura entre uma e duas semanas. Já nas lesões completas, a proteção articular com imobilizadores semi-rígidos possibilitou retorno mais rápido às atividades físicas e laborativas quando comparada à imobilização gessada, porém a ocorrência de edema, dor e instabilidade em longo prazo foi semelhante nos dois grupos. Outros tipos de imobilização funcional, como enfaixamento e imobilizadores elásticos, tiveram resultados inferiores aos imobilizadores rígidos e semi-rígidos.

O tratamento cirúrgico comparado ao tratamento conservador não mostrou superioridade no retorno precoce à atividade física, apenas parece evoluir com menor instabilidade residual. O tratamento deve ser feito de forma individualizada, avaliando-se cuidadosamente os riscos, que são maiores no tratamento cirúrgico. Portanto, a preferência é dada ao tratamento conservador para as lesões agudas, com atenção a pacientes que possam permanecer sintomáticos.

Quais são as possíveis complicações das entorses?

Alguns pacientes permanecem com dor ou instabilidade após seis meses do tratamento da lesão ligamentar aguda. As possíveis lesões associadas geralmente são por ordem decrescente de frequência: instabilidade crônica, lesão osteocondral, impacto com processo inflamatório tíbio-fibular distal e impacto anterior com exostose. A investigação diagnóstica destes pacientes pode ser realizada pelo exame clínico associado a métodos diagnósticos, como as radiografias simples e com estresse, ressonância magnética e artroscopia, sendo este último o de maior sensibilidade e especificidade.

Outro fator que piora o prognóstico das lesões ligamentares do tornozelo é a associação de varo no retropé, que foi determinante na evolução para artrose em longo prazo (30 anos). A pesquisa por tomografia computadorizada mostrou-se confiável para quantificar o varo. Este fato encoraja a realização da osteotomia valgizante do calcâneo nas instabilidades crônicas associadas a varo do retropé.

Qual é a conduta a ser adotada nas instabilidades crônicas?

Cerca de 20% das entorses de tornozelo podem evoluir com algum tipo de instabilidade após seis meses da lesão inicial, acompanhada ou não de frouxidão ligamentar. Os pacientes com boa contensão mecânica – chamada instabilidade funcional – têm como causa a falha na propriocepção, e são tratados com métodos fisioterápicos. Mesmo aqueles pacientes com frouxidão ligamentar possuem algum déficit de propriocepção, portanto também devem inicialmente ser submetidos à reabilitação. Os pacientes com instabilidade sintomática persistente podem ser submetidos à correção cirúrgica. Não existe evidência na literatura para determinar qual técnica de tratamento cirúrgico leva a melhores resultados, porém é demonstrado que pacientes submetidos à recuperação funcional com imobilizadores semi-rígidos no pós-operatório tiveram retorno mais precoce às atividades diárias, quando comparados àqueles que utilizaram imobilização gessada.

Qual é a conduta a ser adotada nas lesões osteocondrais do talus?

Em pacientes sintomáticos com lesão condral do talus graus 2b, 3 e 4 de Ferkel, pode ser indicada cirurgia. Existem várias técnicas, mas as mais utilizadas são a condroplastia, microfratura ou transferência autóloga osteocondral, que quando comparadas não apresentam diferença nos resultados obtidos após dois anos de acompanhamento.

Fonte:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302009000500008

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B