Faculdade Mario Schenberg

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

IDECAN – CREFITO/PR 2013 – Questão 20

20. A termoterapia profunda é um recurso terapêutico bastante utilizado em clínicas de ortopedia, com diversos modos de aplicação. Logo, cabe ao fisioterapeuta responsável definir, por meio de conhecimento prévio, o melhor método de administrar esse recurso. Sendo assim, ao utilizar o Ondas Curtas como recurso terapêutico, é correto afirmar que

A) no método coplanar de aplicação, para tecidos superficiais, deve-se utilizar uma distância eletrodo-pele maior e a distância das placas deve ser igual a 3 vezes o seu diâmetro.

B) com eletrodos de tamanhos diferentes e as distâncias eletrodo-pele iguais, a concentração de energia nas camadas superficiais e profundas será maior do lado do eletrodo maior.

C) no método longitudinal, uma grande distância eletrodo-pele produzirá uma carga térmica alta no tecido muscular e será necessária uma intensidade alta para atravessar os tecidos no sentido escolhido.

D) em uma aplicação transversal, as camadas teciduais se encontram uma atrás da outra e a temperatura é maior nos músculos do que nas gorduras, razão pela qual esta é a disposição mais adotada na aplicação deste recurso.

E) durante a aplicação coplanar, os eletrodos estão em um mesmo plano, devido à alta carga térmica do tecido gorduroso, e não há fluxo transverso através de todas as camadas de tecido, pois, nas camadas mais profundas, a absorção de energia é mais baixa.

ondas

Na “A”, o erro está em se falar em distância de eletrodo e pele maior por ter como objetivo tecidos superficiais, o próprio método coplanar já é com esse objetivo. Na “B”, eletrodos menores é que geram maior concentração de energia eletromagnética. Na “C”, novamente se propõe aumentar a distância entre a pele e o eletrodo, mas dessa vez com a sugestão de se aumentar a intensidade. Na “D”. o coeficiente do tecido adiposo é baixo, e sobre ser o método mais adotado, talvez não, já que o modo coplanar também é muito utilizado. Só resta a alternativa “E”, que descreve corretamente o que acontece no método coplanar.

Como a camada de gordura subcutânea é aquecida mais facilmente que o músculo, a potência absorvida na gordura é quase oito vezes aquela absorvida no músculo.

Espaçamento dos eletrodos
Maior espaçamento possível conduz à distribuição mais uniforme do campo nos tecidos.

Espaçamentos pequenos conduzem a um maior aquecimento da região superficial.

Em termos práticos um espaçamento eletrodo-pele de 4cm é o máximo que se pode conseguir na maioria dos equipamentos.

Aconselha-se sempre a escolher eletrodos que sejam pouco maiores que a região a ser tratada, para conseguir uma distribuição do campo.

Se um eletrodo for maior que o outro, o campo tenderá a se concentrar no lado menor e se dispersar no eletrodo maior.

Com distâncias menores (2cm) teríamos maior aquecimento profundo em termos absolutos.

Um espaçamento tão grande causará dispersão do campo de modo que embora mais uniforme e mais profundo.

Distâncias eletrodo-pele muito pequenas ou inexistentes não produzirão calor profundo e levarão a grandes possibilidades de queimaduras.

NOTA: O ESPAÇAMENTO SE REFERE À DISTÂNCIA DA PARTE METÁLICA DO ELETRODO PARA A PELE, E NÃO DA COBERTURA PLÁSTICA.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

quarta-feira, 23 de abril de 2014

VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 17

17. Na iontoforese, as correntes podem ser estimadas multiplicando-se a área do eletrodo ativo por

(A) 0,1 a 0,5 mA/cm2.

(B) 0,6 a 0,9 mA/cm2.

(C) 1 a 5 mA/cm2

(D) 10 a 50 mA/cm2.

(E) 100 a 500 mA/cm2.

Iontoforese
Esse é um tema que cai com frequência em concurso, mas não muito comum na prática clínica da maioria dos fisioterapeutas. Na iontoforese, o transporte de substâncias através da pele a 0,1 mA/cm2 ocorre principalmente via anexos cutâneos, como folículos pilosos e glândulas sudoríparas.

IONTOFORESE
A aplicação de uma corrente elétrica fraca para transferir substâncias carregadas através de membranas biológicas, ou seja, a iontoforese, não é uma técnica nova. Ela foi primeiramente descrita por Veratti em 1748 e vem sendo modificada ao longo dos anos de acordo com as necessidades e capacidade tecnológica.

No final do século XIX, Morton escreveu um livro sobre a cataforese de íons nos tecidos, isto é, a migração de cátions de um eletrodo positivo em direção a um eletrodo de polaridade negativa. Neste livro o autor descreve um experimento conduzido em seu próprio braço. Nele, grafite em pó foi colocada em contato com um eletrodo positivo e a aplicação de uma corrente elétrica provocou o aparecimento de pequenas manchas pretas no local, que persistiram por várias semanas.

No início do século XX, Leduc mostrou que a iontoforese poderia ser usada para levar princípios ativos através da pele usando dois coelhos conectados em série a um gerador de corrente. Soluções de estricnina e de cianeto foram colocadas em contato com a pele dos animais e uma corrente elétrica foi aplicada. Sem a aplicação da corrente elétrica nada aconteceu aos coelhos. No entanto, após a aplicação da corrente, o coelho ao qual foi aplicada estricnina apresentou convulsões tetânicas, enquanto o segundo morreu apresentando sintomas de envenenamento por cianeto. Desde então a iontoforese é utilizada e extensivamente investigada para promover a liberação de fármacos através de vários epitélios, como mucosas, cérvix, olhos, unhas e, principalmente, pele no tratamento de diversas patologias.

A administração de fármacos na pele, seja para um tratamento local (tópico) ou sistêmico (transdérmico), baseia-se na difusão do fármaco através das diversas camadas da epiderme. A camada mais superficial deste tecido, o estrato córneo, mantém o conteúdo de água no organismo mesmo em condições climáticas variáveis, bem como limita a absorção de substâncias tóxicas do ambiente. Sendo assim, o estrato córneo apresenta excelentes propriedades de barreira para a penetração de fármacos na pele, o que limita a liberação de um grande número de substâncias por esta via. A maioria dos fármacos liberados pelos sistemas transdérmicos convencionais são moléculas pequenas, potentes e relativamente lipofílicas. A administração cutânea de fármacos polares e que apresentam carga é particularmente difícil, devido à lipofilicidade intrínseca do estrato córneo. A iontoforese apresenta o potencial de vencer várias limitações associadas à liberação transdérmica, como promover a penetração de moléculas polares e de grande massa molecular, aumentar a liberação de substâncias de meia-vida curta diretamente nos tecidos, além de permitir um melhor controle no transporte de fármacos, garantindo dosagem adequada e boa aceitação pelo paciente.

A baixa variabilidade biológica paciente/paciente promovida pelo controle da corrente elétrica é outra vantagem da iontoforese quando comparada à administração passiva (sem corrente elétrica) de substâncias. Singh e colaboradores estudaram o efeito da iontoforese de uma solução salina na função barreira da pele e possíveis ocorrências de irritação local em pessoas de quatro grupos étnicos, analisando a perda de água transepidermal (TEWL), a capacitância e temperatura cutânea. Eles não observaram diferenças significativas dos parâmetros analisados entre os diferentes grupos citados após 4 horas de iontoforese. Estes dados sugerem, portanto, que a iontoforese de um determinado fármaco deve levar à penetração cutânea de quantidades semelhantes da substância administrada, independente do grupo étnico ao qual o paciente pertença, uma vez que os parâmetros estudados por Singh influenciam diretamente a penetração cutânea de substâncias.

Apesar de desde 1900 se saber que a iontoforese aumenta a penetração de fármacos na pele, ela começou a ser estudada com maior atenção somente em meados de 1980. Existem alguns fatores principais que contribuíram para este interesse renovado pela técnica. O primeiro deles está relacionado com a terapia transdérmica. A aceitabilidade e o sucesso financeiro dos dispositivos transdérmicos passivos de nicotina, fentanil, nitroglicerina e estradiol estimulou o interesse das indústrias farmacêuticas em trabalhar com outros fármacos que pudessem ser liberados pela via transdérmica. O avanço da biotecnologia, com o descobrimento de grande número de peptídeos e proteínas com importância terapêutica indiscutível, mas muito grandes para serem liberados passivamente através da pele, também contribuiu para um maior interesse no uso da iontoforese.

Um grande avanço nas possibilidades de utilização da iontoforese foi possível após o desenvolvimento de microprocessadores, quando, em 1971, a Intel Corporation introduziu no mercado o primeiro microprocessador. O avanço na tecnologia e indústria de microeletrônicos tornou possível miniaturizar os componentes eletrônicos programáveis do dispositivo iontoforético a um custo mais baixo. Estudos demonstram que através de microcontroladores eletrônicos programáveis pode-se obter dispositivos com esquemas posológicos complexos. Dispositivos iontoforéticos bem desenvolvidos são capazes, por exemplo, de mimetizar a secreção fisiológica natural de um hormônio como se fossem glândulas endócrinas artificiais, liberando o fármaco de maneira pulsátil ou contínua enquanto o paciente dorme. O hormônio de liberação do hormônio luteinizante (LHRH), por exemplo, pode ser liberado de maneira contínua para o tratamento do câncer de próstata e de maneira pulsátil para o tratamento da infertilidade. Além disso, o controlador eletrônico pode ser ligado ou desligado quando necessário e, como o fármaco só é liberado na presença da corrente elétrica, o simples desligamento do controlador eletrônico provocará a diminuição do nível plasmático do fármaco. Esta característica permite a utilização da iontoforese na administração de opióides. Desta forma, quando o paciente sente dor ele ativa o dispositivo, o qual libera imediatamente uma grande quantidade do fármaco na corrente sanguínea.

Atualmente, um dispositivo controlado pelo paciente para liberação iontoforética de fentanil foi aprovado nos Estados Unidos e Europa para tratamento de dor pós-operatória aguda e moderada em adultos hospitalizados. Vários estudos clínicos comprovam a equivalência terapêutica entre o uso deste dispositivo e a administração intravenosa de morfina. Essa grande versatilidade e facilidade de aplicação fazem com que o paciente siga corretamente a terapia que lhe foi prescrita, com baixo índice de desistência.

Para se conseguir uma permeação adequada de um fármaco por iontoforese, ou seja, para que o fármaco atinja a camada desejada da membrana ou atravesse-a e caia na circulação com concentração plasmática e velocidade de liberação controladas, aspectos químicos, físicos e fisico-químicos da formulação que será submetida à iontoforese devem ser levados em consideração.

PRINCÍPIOS BÁSICOS
A corrente elétrica é fornecida por uma fonte de energia ou bateria e distribuída com o auxílio de um eletrodo positivo (ânodo) e um eletrodo negativo (cátodo) através de uma solução eletrolítica que segue para a pele e vai para o sistema circulatório. Quando a corrente é aplicada, os cátions presentes na solução em contato com o ânodo se movem em direção ao cátodo, enquanto os ânions presentes no cátodo se movem na direção oposta. A presença de cada tipo de íon (cátions e ânions) ou moléculas carregadas no sistema conduz uma fração de corrente elétrica denominada número de transporte. A razão máxima do transporte de um dado íon ocorre quando o número de transporte para o íon é igual a 1, isto é, quando o íon sozinho é capaz de conduzir 100% da corrente através da membrana.

Para otimizar o transporte iontoforético desses íons é necessário adequar dispositivos iontoforéticos e formulações compatíveis com eles, isto porque o transporte de íons é dependente de vários fatores relacionados ao dispositivo iontoforético e à formulação utilizada. Sendo assim, o fluxo iontoforético de um fármaco pode ser aumentado através da alteração de fatores elétricos, como a densidade e a natureza da corrente e o tipo de eletrodo utilizado. Na formulação podem ser modificados a concentração do fármaco, a concentração de outros íons, o pH e a força iônica.

Os eletrodos utilizados nos experimentos de iontoforese devem ser escolhidos para garantir a eletroneutralidade do sistema e os processos eletroquímicos desejados na interface eletrodo-solução e, assim, maximizar a liberação iontoforética do fármaco em estudo. Desta maneira, os eletrodos devem ter propriedades bem delineadas, pois, de seu comportamento depende a condução estável da corrente elétrica necessária para a liberação controlada do fármaco por iontoforese. Eles devem ser capazes de sustentar uma alta densidade de corrente sem causar alterações no pH da solução que está em contato, perda de material da superfície do eletrodo ou formação de bolhas de gás. Devem ser também mecanica e quimicamente estáveis na solução que estão em contato e relativamente fáceis de serem obtidos. E por fim, a substância submetida à corrente elétrica com tais eletrodos não deve ser alterada pelas propriedades químicas desses eletrodos.

Os eletrodos convencionalmente empregados na iontoforese podem ser classificados como inertes (metais como aço inoxidável, platina ou alumínio) ou reversíveis (Ag e AgCl), sendo os últimos mais estudados e utilizados. Os eletrodos inertes provocam a hidrólise da água, produzindo íons hidroxila e hidrônio, que podem competir com o fármaco ionizado, reduzindo o número de transporte deste e, dessa forma, sua penetração pela pele. Além disso, a eletrólise da água pode alterar o pH da solução doadora, degradar o fármaco ou alterar sua ionização, prejudicando assim o controle de sua liberação. A diminuição do pH pode também causar uma sensação de ardência no local de aplicação do fármaco.

Já os eletrodos reversíveis de Ag/AgCl são mais funcionais do que os eletrodos inertes devido a sua cinética extremamente rápida e à relativamente alta condutividade do cloreto de prata. Eles não causam variação de pH, pois suas trocas eletroquímicas ocorrem em uma voltagem inferior à necessária para que haja a eletrólise da água.
A Figura 1 ilustra a aplicação de um potencial elétrico e o deslocamento da corrente elétrica pelo circuito na presença de eletrodos reversíveis de Ag e AgCl.

Iontoforese2

Pode-se observar na Figura 1 que as reações eletroquímicas no ânodo (eletrodo de Ag) necessitam da presença de íons Cl-, os quais reagem com a prata e formam cloreto de prata. Este, por sua baixa solubilidade, é simultaneamente depositado na superfície do eletrodo liberando um elétron. Para manter a neutralidade elétrica do sistema, ou um cátion deixa este compartimento e move-se através da pele, ou um ânion presente na pele migra em direção ao ânodo.

VIAS DE PERMEAÇÃO CUTÂNEA
A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano, pesando, em um adulto, por volta de 4 kg, cobrindo uma superfície de cerca de 2 m2 e recebendo aproximadamente da circulação sanguínea do corpo. Com a espessura de apenas alguns milímetros (2,97 ± 0,28 mm), a pele separa a rede de circulação sanguínea e os demais órgãos do corpo do ambiente externo, ajudando a manter a temperatura corporal, evitando a perda excessiva de água pelo corpo, além de proteger o indivíduo contra a entrada de agentes químicos e ambientais danosos, particularmente infecciosos (bactérias e vírus), impurezas e radiação solar.

Além disso, possui funções metabólicas, imunológicas e táteis.59 Observam-se ainda várias estruturas anexas, que são os pêlos, as unhas e as glândulas sudoríparas e sebáceas.

A pele apresenta-se constituída por uma porção epitelial de origem ectodérmica, a epiderme, e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica, a derme. O limite entre a epiderme e a derme não é regular, apresentando saliências e reentrâncias das duas camadas que imbricam e se ajustam entre si.

Abaixo e em continuidade com a derme está a hipoderme, que, embora tenha a mesma origem da derme, não faz parte da pele. Este tecido subcutâneo funciona como uma reserva de gordura, com propriedades isolantes e protetoras; não possui um papel na penetração cutânea de fármacos porque se situa abaixo do sistema vascular. O acúmulo de gordura neste tecido representa um dos fatores contribuintes para a força tênsil da pele.
A derme é formada por uma rede de fibras de colágeno de uma espessura aproximadamente uniforme, que são responsáveis pelas propriedades elásticas da pele.

A camada superior da derme é formada por papilas que se projetam em direção à epiderme e que contêm vasos sanguíneos e linfáticos, as terminações nervosas e os apêndices cutâneos, como folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas.

A epiderme pode ser dividida em duas partes: epiderme viável, parte mais interna na qual as células se proliferam, sofrem alterações e dão origem às células mortas do estrato córneo; estrato córneo, parte mais superficial, de grande importância para os estudos de penetração cutânea.

O estrato córneo é formado por uma estrutura bifásica de lipídio-proteína e tem aproximadamente de 10 a 20 µm de espessura,61 sendo composto por células anucleadas (corneócitos) dispersas em uma matriz rica em lipídios não polares. Essa matriz é constituída principalmente por ceramidas (18%), ácidos graxos livres (19%), esteróides (14%) e triacilgliceróis (25%).

O estrato córneo requer no mínimo 10% de umidade para que sua flexibilidade seja mantida, e a camada de lipídios intercelulares é a responsável direta por evitar a perda de água transcutânea. Assim, pela sua estrutura e composição, o estrato córneo é a principal barreira limitante à difusão percutânea de fármacos.

Iontoforese4

Um fármaco pode atravessar o estrato córneo através de três diferentes vias (Figura 2). São elas a via intercelular: o fármaco difunde-se ao redor dos corneócitos, permanecendo constantemente dentro da matriz lipídica; via transcelular: o fármaco passa diretamente através dos corneócitos e da matriz lipídica intercelular intermediária; via apêndices: rota paralela, na qual os fármacos podem ser absorvidos pelo folículo piloso, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas.


A importância de cada via de permeação depende das propriedades físico-químicas do fármaco e das características da membrana. Em condições normais, ou seja, na ausência de corrente elétrica, a penetração transdérmica de fármacos se restringe a poucas moléculas, que devem ser, necessariamente, potentes (capazes de atingir o efeito terapêutico em baixas concentrações), pequenas (Massa Molar < 400 g/mol) e ligeiramente lipofílicas (para se partilharem através das camadas da epiderme).

Na iontoforese, no entanto, o transporte de substâncias através da pele sob condições moderadas (0,1 mA/cm2) ocorre principalmente via anexos cutâneos, como folículos pilosos e glândulas sudoríparas. Esses anexos atuam como vias alternativas de baixa resistência ao transporte de substâncias exógenas.

Assim, na iontoforese, o estrato córneo deixa de ser a principal barreira relevante à penetração, uma vez que as moléculas atravessam a epiderme por "vias alternativas", sendo então possível a liberação de macromoléculas e moléculas polares, ampliando as possibilidades terapêuticas utilizando a via transdérmica.

Ademais, o transporte de íons pela via intercelular também ocorre na iontoforese. Estudos utilizando espectroscopia eletrônica, microscopia de fluorescência e microscopia confocal a laser confirmam a diminuição da resistência do estrato córneo quando este é submetido a uma corrente elétrica fraca. Essa queda na resistência da pele ocorre devido à formação de poros aquosos, ou seja, regiões polares na lamela lipídica. Fatouros e colaboradores observaram através de microscopia eletrônica a formação desses poros aquosos em estudos in vitro de iontoforese utilizando pele humana proveniente de cirurgias plásticas.

Ainda, em estudos de iontoforese in vivo, esses autores observaram um enfraquecimento nas estruturas dos desmossomos. Os desmossomos são estruturas protéicas que formam uma ponte entre corneócitos vizinhos. Seu enfraquecimento facilita a penetração de substâncias pela pele. As causas deste enfraquecimento ainda não são conclusivas, podendo ter uma relação direta ou indireta com a corrente elétrica. O efeito direto está obviamente relacionado à aplicação da própria eletricidade, que pode fragilizar os desmossomos. O efeito indireto deve-se ao aumento do conteúdo aquoso causado pela aplicação da corrente elétrica.

MECANISMOS DE TRANSPORTE IONTOFORÉTICO

Existem várias análises detalhadas sobre os mecanismos envolvendo o fenômeno iontoforético e o transporte das moléculas de fármacos através da pele, sendo os dois mais aceitos a eletrorrepulsão e a eletrosmose, conforme esquematizado abaixo:

Iontoforese3

FONTE: http://www.scielo.br/pdf/qn/v31n6/a40v31n6.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 18

18. No tratamento de contraturas da articulação do quadril, o recurso terapêutico que pode aquecer significativamente as estruturas é:

(A) ondas curtas.

(B) banho de parafina.

(C) infravermelho.

(D) micro-ondas.

(E) ultrassom.

pelve borboleta
Então, aqui temos um problema.

A questão cita o tratamento da contratura da articulação do quadril. Talvez os elaboradores tenham pensado em pegar os mais imprudentes nessa questão, pela proximidade dessa articulação com os órgãos genitais, o que seria uma contraindicação para o micro-ondas e o ondas curtas.

Mas é possível tratar essa região mantendo uma distância segura dos órgãos genitais, principalmente com eletrodos como o do micro-ondas.

Para essa questão eliminar o micro-ondas e o ondas curtas da parada, deveria citar uma contraindicação absoluta específica.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: A, D ou E

sexta-feira, 28 de março de 2014

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 42

42. O uso do gelo, também denominado de crioterapia, é muito utilizado em lesões do sistema músculoesquelético. Portanto, na fase aguda de uma lesão, é utilizado

(A) para produzir hiperemia.

(B) associado a manobras passivas.

(C) apenas após as 48 horas da ocorrência da lesão.

(D) para provocar vasoconstrição, reduzindo risco de ocorrer dor, edema e hematomas.

(E) somente como medida analgésica.

gelo e urso2

Alternativas “A”, “B” e “E” são incorretas. Há outras questões sobre crioterapia aqui nesse blog. Podem ser conferidas pelas categorias ao lado ou pelo mecanismo de busca, digitando crioterapia irá aparecer as questões desse tema. Eu mesmo utilizo a busca do blog e já constatei que é bem eficiente.

A alternativa “C” nos traz uma questão interessante. Aprendemos que normalmente se usa gelo por volta de 48 horas após a lesão, então por quê esta alternativa está errada? Reparem bem, nessa questão há um termo que em qualquer texto mequetrefe sobre concursos se recomenda cautela: “apenas”. Esse termo limita a alternativa, a torna específica, num ponto onde não há essa precisão. As lesões são diferentes, o período inflamatório pode variar dependendo de diversos fatores, como o mecanismo do trauma, idade do indivíduo, local do trauma e, dessa forma, podemos utilizar gelo até após essas 48 horas.

A alternativa “D” é a correta.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

quinta-feira, 13 de março de 2014

FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 33

33. Na terapêutica da dor crônica, a Teoria da Comporta é a base teórica para o emprego da(o):

A) massoterapia em alta frequência.

B) t.e.n.s.

C) técnica da hipo e hiperestimulação.

D) iontoforese.

E) fonoforese.
Teoria das comportas

Dos mecanismos possíveis para a analgesia, o que é explicado pela “teoria das comportas” é o mais característico do TENS.

Os estímulos provenientes do sistema aferente sensitivo, atingem a via do trato espinotalâmico, principalmente núcleos periaquedutais, que sob controle cortical e do sistema límbico liberam então endomorfinas as quais produzem alívio da dor.

A função básica do TENS é a analgesia!

Os impulsos da TENS são transmitidos através de fibras de grosso calibre, do tipo A, que são de rápida velocidade, já os estímulos da dor são transmitidos através de fibras de calibre menor, do tipo C, que são lentas.

Desta forma os estímulos da TENS chegam primeiro ao corno posterior da medula, e despolarizam a substância gelatinosa de Holando, impedindo que os estímulos da dor passem para o tálamo. Sendo assim, as comportas ou portões da dor são fechados, daí o nome: Teoria das Comportas ou Porta da dor.

Uma dica para memorizar isso é a minha teoria do elefante veloz. O TENS estimula a fibras de grosso calibre(rápidas, tipo A) antes que as de calibre mais fino(lentas, tipo C) enviem impulsos dolorosos ao cérebro. Minha forma de memorizar: Você está em São Paulo, segunda-feira às 7:00 da manhã, no metrô. Todo mundo quer entrar no metrô ao mesmo tempo, mas se um elefante entrar correndo antes, os pequenos humanos não poderão entrar no vagão. O elefante entra, as portas fecham e o vagão vai embora. É uma explicação absurda que tem pouco a ver com o que realmente ocorre, mas serve para ajudar a recordar.

Deixo um texto que explica bem esse mecanismo de controle da dor.

TEORIA DO PORTÃO OU DE CONTROLE DA DOR
Esta teoria admite existir nos cornos posteriores medulares um mecanismo neural que comporta como um portão, podendo aumentar ou diminuir o débito dos impulsos transmitidos desde as fibras periféricas ao sistema nervoso central. O influxo somático submete-se pois, à influência reguladora do portão, mesmo antes de criar uma percepção à dor e consequente reação.

MODELO CONCEITUAL:

A lesão produz sinais que se transmitem por fibras finas. Estas penetram nos cornos posteriores da medula e ativam as células de transmissão que, por seu turno, enviam sinais para o cérebro. Contudo a atividade nas fibras finas cria, também, na raiz posterior, potenciais que refletem a presença de uma atividade prolongada e mais complexa no corno posterior.

A atividade das fibras grossas excita igualmente células da substância gelatinosa e inibe, simultaneamente, a transmissão dos influxos dolorosos procedentes das fibras aferentes finas.

PRIMEIRA VERSÃO:

A transmissão dos impulsos nervosos é modulada por um mecanismo de controle espinhal, funcionando como um portão, situado nos cornos posteriores.

A atividade nas fibras grossas tende a inibir a transmissão, ao passo que nas fibras finas tendem a facilitá-la.

O mecanismo de controle espinhal sofre a influência dos impulsos nervosos que descem do cérebro propriamente dito..

Um sistema especializado de fibras grossas de condução rápida ativa processos seletivos cognitivos, os quais influenciam por meio de fibras descendentes, as propriedades moduladoras do mecanismo de controle espinhal.

Quando o fluxo das células de transmissão da medula ultrapassa um nível crítico ativa o Sistema de Ação, isto é, aquelas regiões neurais responsáveis por esquemas complexos e sequenciais que se associam ao comportamento e experiência característicos do fenômeno doloroso.

O efeito da teoria foi suscitar num primeiro momento controvérsias entre cientistas e clínicos especializados na dor.

SEGUNDA VERSÃO, MAIS APERFEIÇOADA:

A hipótese de a substância gelatinosa ser o veículo primário do mecanismo do portão permanece como tal, mas ainda não constitui um fato.

Falar do antagonismo entre fibras finas e grossas pode significar um fato arbitrário.

É altamente provável que os nervos possam controlar o encaminhamento dos impulsos nervosos dentro do sistema nervoso central graças a um mecanismo que depende de um transporte e de uma libertação relativamente lenta de substâncias químicas a que se junta uma transmissão e uma ação muito rápidas dos influxos nervosos. A maior parte do substrato anatômico estável, necessário para a transmissão dos impulsos nervosos, seria assim mantido num estado de inação por estes lentos processos de mudança. O conceito de sinapses ineficazes, que a ação das modificações lentas das células da substância gelatinosa poderia libertar e tornar atuantes, junta uma nova dimensão à teoria do portão.

Os médicos sentiram-se mais livres para descrever os casos fora do comum ou os fenômenos inexplicáveis. Os psicólogos encontraram um modelo que situava as observações e as técnicas psicológicas na corrente de investigação sobre a dor. Os fisiologistas foram explorar zonas medulares ou cerebrais, antes consideradas como estranhas à dor.

Uma das primeiras consequências da teoria do portão foi abolir a ideia de que a dor era uma sensação simples e projetada especificamente sem interferência até um centro de integração da dor. Esta concepção durante muito tempo relegou à sombra as dimensões cognitivas e afetivas da experiência global. A teoria do portão, pondo acento tônico nos sistemas de processos paralelos, procurava agora, um quadro teórico que integrasse as dimensões sensoriais, afetivas e cognitivas da dor.

Ao eliminar a noção de uma via dolorosa direta e única, a teoria do portão permitiu refletir sobre as interações entre os sistemas ascendentes e descendentes.

Pela teoria do portão, as fibras da pele, das vísceras e de outras estruturas convergem para as células de transmissão. A resultante de todas essas influências, facilitadoras e inibidoras, determina o débito dessas células. A dor associada a lesões dos nervos periféricos caracteriza-se por hiperalgesia e hiperestesia atribuíveis a uma liberação excessiva da passagem da dor.

A teoria do portão fornece uma base conceitual para a explicação da dor espontânea e da somação temporoespacial favorecida pela convergência dos influxos. Pode-se igualmente explicar a dor espontânea que surge na falta de toda a estimulação manifesta. A teoria do portão deixa entender que processos psicológicos podem ter uma influência sobre a percepção da dor e a reação consecutiva, atuando no mecanismo espinhal do portão.

Dois mecanismos podem explicar a irradiação dolorosa:

Propagação da dor em regiões adjacentes do corpo. Este influxo difuso encontra-se normalmente inibido pelos mecanismos do portão, mas pode provocar descargas na célula T se possui uma intensidade suficiente ou se o portão está aberto.

Propagação da dor e das zonas-gatilho, zonas comprometidas em numerosos fenômenos de dor para regiões consideravelmente afastadas, comprometendo estruturas viscerais bem como regiões cutâneas e miofasciais. Esta irradiação permite supor que certas atividades, as que ocorrem em regiões distantes, podem abrir o portão.

Lesões do sistema nervoso central são igualmente susceptíveis de produzir irradiações dolorosas.

A teoria do portão é capaz de conceder às atividades neurais prolongadas que se relacionam com a dor a importância que se lhe consiga. Dificilmente se explicariam certas observações clínicas e experimentais espantosas sem fazer intervir estes mecanismos.

A ideia da existência do fenômeno da dor, de um mecanismo de tipo memória, repousa em dados experimentais convincentes.

A teoria do portão permite entender certos tipos de dor prolongada, consecutiva a lesões dos nervos periféricos ou outras patologias nervosas. Para esclarecer estes efeitos prolongados, que constituem algumas das características mais enigmáticas da dor, é preciso postular a existência de influxos somáticos persistentes, intensos ou comportando outras anomalias, capazes de gerar modificações a longo prazo da atividade do sistema nervoso central.

Os mecanismos nervosos que estão na base da atividade prolongada de tipo mnemônico associada à dor permanecem misteriosos.

Em certos pormenores a mecanismos do portão põe ainda um problema sério. O modelo original insistia no controle pré-sináptico, mas sabe-se hoje que se produzem inibições também pós-sinápticas. As pequenas dimensões dos componentes e o seu amalgamento em zonas minúsculas levantam problemas técnicos consideráveis.

Todavia, o conceito original de um portão de controle mantém-se como um poderoso resumo dos fenômenos verificados na medula e no cérebro e tem capacidade para explicar muitos dos problemas misteriosos e intrigantes que se encontram na clínica.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

quarta-feira, 5 de março de 2014

FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 26

26. O efeito termogênico do Infra-Vermelho se propaga da camada superficial cutânea para as mais profundas através dos fenômenos abaixo, nas sucessivas ordens:

A) conversão, condução e convecção.

B) convecção, condução e conversão.

C) conversão, convecção e condução.

D) condução, conversão e convecção.

E) condução, convecção e conversão..

lampada

Estamos acostumados a ver o infravermelho como uma terapia por condução de calor, ou ainda conversão de energia, mas essa questão vai mais longe e busca o que ocorre passo a passo.

O sol é a maior fonte natural de radiação infravermelha, e existem fontes artificiais luminosas e não luminosas, mas vamos nos ater ao infra que conhecemos na prática clínica.

Quando ligamos a lâmpada do Infra-vermelho, inicialmente ocorre a conversão da energia luminosa em energia térmica. Podemos eliminar as alternativas “B”, “D” e “E”.

Num segundo momento, ocorre a transferência dessa energia da primeira camada da pele e assim sucessivamente, de acordo com a capacidade de absorção dos tecidos. A energia é conduzida. Alternativa “A”.

Depois essa energia continua a ser transferida. Aí então ocorre a convecção. Sobre a definição de convecção.

Convecção é o movimento ascendente ou descendente de matéria em um fluido (i.e. líquidos, gases e rheids). Advecção é o termo empregado para o movimento horizontal, em particular para massas de ar . Ambos não podem ter lugar em sólidos uma vez que, por definição, nem correntes de massa nem taxas de difusão significativos podem ocorrer em sólidos.

A convecção térmica é uma expressão que engloba a soma dos dois fenômenos físicos – convecção e advecção – desde que induzidos por diferença de temperaturas no fluido. Ocorre em função da dependência da densidade do fluido com a temperatura, ou seja, da dilatação térmica, e das regras de flutuabilidade (menos denso ascende; mais denso descende).

Embora usualmente coloque-se em foco a ascensão vertical do fluido, a convecção térmica caracteriza-se de fato por uma corrente fechada de matéria, que por si implica um aumento significativo de calor entre as regiões envolvidas se comparado ao calor entre elas esperado apenas pelo fenômeno de condução térmica. Fala-se em calor por convecção.

Bom, todo site por aí basicamente copia e cola o capítulo 9 do livro da Kitchen, que fala sobre infra-vermelho. Não vou fazer isso, mas é só dar um Google que você acha em qualquer texto mais longo, que começa com a classificação que descrevo abaixo, pois acho relevante.

A comissão internacional de iluminação (CIE) descreve a radiação infravermelha em termos de três faixas biologicamente significativas, que diferem no grau em que são absorvidas pelos tecidos, e portanto no seu efeito sobre os tecidos:

IV-A: valores espectrais de 0,78-1,4 μm;

IV-B: valores espectrais de 1,4-3,0 μm;

IV-C: valores espectrais de 3,0μm-1,0mm.

Os comprimentos de onda principalmente utilizados na pratica clínica situam-se entre 0,7 μm e 1,5 μm, estando pois concentrados na faixa IV-A.

O infravermelho é uma radiação que age numa frequência, além da capacidade humana de visão. Ela é liberada de todos os corpos que soltam calor e tem esse nome por estar depois da cor vermelha no espectro de cores, realizado por Isaac Newton em 1666. A experiência se baseava num prisma feito de vidro que foi posto numa posição que fosse atingido por um raio de sol e, no lado oposto ao exposto pelo sol, fosse refletida essa luz na parede do cômodo. Ao escurecer o ambiente e colocar o prisma no trajeto de raio de sol, o que foi visto foi o espectro de cores formado pela tonalidades: violeta, anil, azul, verde, amarelo,laranja e vermelho.

Conforme o tempo foi passando mais estudos foram feitos sobre esse mesmo experimento. Entre eles, o de Willian Herschel, que buscava saber qual das cores conseguiria produzir mais calor. O vermelho foi a cor com temperaturas mais altas. No entanto, numa área um pouco escura, situada depois da cor vermelha, conseguiu superar o vermelho e , por não ser visível, e por causa da sua localização no espectro, ficou conhecido como Infravermelho.

O infravermelho, depois de pesquisas a seu respeito, foi ganhando várias utilidades. Talvez o mais famoso seja o aplicativo de celular, em que as ondas de infravermelho são usadas para transmitir informações de um aparelho a outro. Assim como o SMS, MMS e posteriormente o bluetooth, o infravermelho foi uma forma, além das ligações, de passar informações entre dois celulares.

EFEITOS FISIOLÓGICOS

Com o aumento da temperatura, aumenta o consumo de O2, aumenta também a absorção de nutrientes (cada vez que se aumenta 1ºC na temperatura do corpo ou do local, o metabolismo aumenta 10%).

A vasodilatação gera um aumento do fluxo sanguíneo para se manter o aumento do metabolismo.

O aumento da produção de melanina produzida pelos melanócitos, em função da exposição do melanócito a RIV, e isso altera a pigmentação da pele (bronzeamento), essa alteração ocorre com o intuito de proteger a pele de outra radiação, o Ultravioleta.

Ocorre relaxamento muscular, pois o fuso muscular sofre alterações e modifica o tônus muscular; diminuição da pressão arterial, pois a vasodilatação aumenta o calibre e diminui o atrito no vaso, além de diminuir a viscosidade do sangue; aumento da sudorese, pois a RIV estimula a produção da glândula sudorípara e a transpiração ajuda a diminuir a temperatura.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 27

27. A aplicação do ultrassom no processo de cicatrização dos tecidos se justifica pela(o):

A) redução da atividade dos macrófagos.

B) diminuição da fase inflamatória do processo cicatricial.

C) redução da liberação dos macrófagos e dos fibroblastos.

D) aumento da síntese e da liberação dos fibroblastos.

E) elevado efeito térmico do método contínuo.

ultrassom surf


Moleza essa. Principais efeitos terapêuticos do ultrassom:

Tecidos moles

Acelera a resposta inflamatória, promovendo a liberação de histamina, macrófagos e monócitos, alem de incrementar a síntese de fibroblastos e colágeno.

Tecido ósseo

Aceleração da consolidação de fraturas

As alternativas de “A”, “B” e “C”, proferem o oposto que se sabe sobre o ultrassom. A “D” é a resposta, a “E” é superficial e errada, não há um “efeito térmico elevado” no ultrassom contínuo.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 05

O efeito termogênico do ultra-som é atribuído aos seguintes comportamentos das vibrações acústicas:

A) absorção e atenuação.

B) reflexão e atenuação.

C) dispersão e absorção.

D) cavitação e reflexão.

E) cavitação, atenuação e reflexão.
CALOR

Questão aparentemente fácil. Aparentemente.

Busca-se aqui o motivo da sensação de calor que o US eventualmente proporciona ao paciente na aplicação terapêutica. Este efeito é decorrente da absorção das ondas pelo tecido. Este fator decorre também da vibração celular e de suas partículas, provocando atrito entre si, produzindo o efeito térmico.

Vibração molecular ==> fricção ==> Atrito de partículas –> calor.

O ultrassom sofre alterações à medida que atravessa um meio, o que causa atenuação de sua intensidade durante este trajeto. Parte desta atenuação é causada pela conversão de energia em calor por absorção e o restante, pela reflexão e refração do feixe.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008

O Infravermelho se propaga da camada superficial da pele para as mais profundas, pelos sucessivos fenômenos abaixo listados:

A) conversão, condução e convecção.

B) convecção, condução e conversão.

C) conversão, convecção e condução.

D) condução, conversão e convecção.

E) condução, convecção e conversão.
infravermelho
Estamos costumados a ver o infravemelho como uma terapia por condução de calor, mas essa questão vai mais longe e busca o que ocorre passo a passso.

O sol é a maior fonte natural de radiação infravermelha, e existem fontes artificiais luminosas e não luminosas, mas vamos nos ater ao infra que conhecemos na prática clínica.

Quando ligamos a lâmpada do Infra-vermelho, inicialmente ocorre a conversão da energia luminosa em energia térmica. Podemos eliminar as alternativas “B”, “D” e “E”.

Num segundo momento, ocorre a transferência dessa energia da primeira camada da pele e assim sucessivamente, de acordo com a capacidade de absorção dos tecidos. A energia é conduzida. Alternativa “A”.

Depois essa energia continua a ser transferida. Aí então ocorre a convecção. Sobre a definição de convecção.

Convecção é o movimento ascendente ou descendente de matéria em um fluido (i.e. líquidos, gases e rheids). Advecção é o termo empregado para o movimento horizontal, em particular para massas de ar . Ambos não podem ter lugar em sólidos uma vez que, por definição, nem correntes de massa nem taxas de difusão significativos podem ocorrer em sólidos.

A convecção térmica é uma expressão que engloba a soma dos dois fenômenos físicos – convecção e advecção – desde que induzidos por diferença de temperaturas no fluido. Ocorre em função da dependência da densidade do fluido com a temperatura, ou seja, da dilatação térmica, e das regras de flutuabilidade (menos denso ascende; mais denso descende).

Embora usualmente coloque-se em foco a ascensão vertical do fluido, a convecção térmica caracteriza-se de fato por uma corrente fechada de matéria, que por si implica um aumento significativo de calor entre as regiões envolvidas se comparado ao calor entre elas esperado apenas pelo fenômeno de condução térmica. Fala-se em calor por convecção.

Bom, todo site por aí basicamente copia e cola o capítulo 9 do livro da Kitchen, que fala sobre infra-vermelho. Não vou fazer isso, mas é só dar um Google que você acha em qualquer texto mais longo, que começa com a classificação que descrevo abaixo, pois acho relevante.

A comissão internacional de iluminação (CIE) descreve a radiação infravermelha em termos de três faixas biologicamente significativas, que diferem no grau em que são absorvidas pelos tecidos, e portanto no seu efeito sobre os tecidos:

IV-A: valores espectrais de 0,78-1,4 μm;
IV-B: valores espectrais de 1,4-3,0 μm;
IV-C: valores espectrais de 3,0μm-1,0mm.

Os comprimentos de onda principalmente utilizados na pratica clínica situam-se entre 0,7 μm e 1,5 μm, estando pois concentrados na faixa IV-A.

O infravermelho é uma radiação que age numa frequência, além da capacidade humana de visão, ou seja, é invisível aos nossos olhos. Ela é liberada de todos os corpos que soltam calor e tem esse nome por estar depois da cor vermelha no espectro de cores, realizado por Isaac Newton em 1666. A experiência se baseava num prisma feito de vidro que foi posto numa posição que fosse atingido por um raio de sol e, no lado oposto ao exposto pelo sol, fosse refletida essa luz na parede do cômodo. Ao escurecer o ambiente e colocar o prisma no trajeto de raio de sol, o que foi visto foi o espectro de cores formado pela tonalidades: violeta, anil, azul, verde, amarelo,laranja e vermelho.

Conforme o tempo foi passando mais estudos foram feitos sobre esse mesmo experimento. Entre eles, o de Willian Herschel, que buscava saber qual das cores conseguiria produzir mais calor. O vermelho foi a cor com temperaturas mais altas. No entanto, numa área um pouco escura, situada depois da cor vermelha, conseguiu superar o vermelho e , por não ser visível, e por causa da sua localização no espectro, ficou conhecido como Infravermelho.

O infravermelho, depois de pesquisas a seu respeito, foi ganhando várias utilidades. Talvez o mais famoso seja o aplicativo de celular, em que as ondas de infravermelho são usadas para transmitir informações de um aparelho a outro. Assim como o SMS, MMS e posteriormente o bluetooth, o infravermelho foi uma forma, além das ligações, de passar informações entre dois celulares.

EFEITOS FISIOLÓGICOS

Com o aumento da temperatura, aumenta o consumo de O2, aumenta também a absorção de nutrientes (cada vez que se aumenta 1ºC na temperatura do corpo ou do local, o metabolismo aumenta 10%). A vasodilatação gera um aumento do fluxo sanguíneo para se manter o aumento do metabolismo. Com o aumento da produção de melanina produzida pelos melanócitos, em função da exposição do melanócito a RIV, e com isso altera a pigmentação da pele (bronzeamento), essa alteração ocorre com o intuito de proteger a pele de outra radiação do Ultravioleta. O relaxamento muscular, pois o fuso muscular sofre alterações e modifica o tônus muscular. Diminui a PA, pois a vasodilatação aumenta o calibre e diminui o atrito no vaso, alem de diminuir a viscosidade do sangue. Aumenta da sudorese, pois a RIV estimula a produção da glândula sudorípara e a transpiração ajuda a diminuir a temperatura. Alterações no sangue aumenta as hemácias/hemoglobinas, para poder carrear mais O2

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 08

Respeitadas as técnicas coplanar e bipolar na aplicação de ondas curtas, podemos afirmar que a profundidade da corrente será maior quando:

A) o campo eletromagnético for mínimo.

B) os eletrodos estiverem a pouca distância entre si.

C) os eletrodos estiverem bem acoplados à superfície.

D) os eletrodos estiverem distantes entre si.

E) não houver material metálico no campo eletromagnético
ondas eletromagnéticas

Vamos lá. Formas de colocação do eletrodo:

Contraplanar ou Transversal

Nesta técnica os tecidos são colocados em série, pois os eletrodos estão em faces anatômicas opostas, porém na mesma direção. Estudos de Kebbel e Krause comprovaram que durante a aplicação transversal a produção de calor entre o tecido muscular e o tecido adiposo é de 1:10, também sendo comprovada uma elevada produção de calor entre a pele e o tecido adiposo subcutâneo.

Longitudinal

Os eletrodos são colocados nas extremidades dos membros, de forma que os tecidos estão na mesma linha de força, ou seja estão em paralelo. O ponto positivo desta técnica é a penetração mais efetiva do eletromagnetismo nos tecidos, pois a resistência oferecida pelos tecidos diminui.

Coplanar

Ambos os eletrodos são dispostos na mesma face anatômica. Está técnica é considerada a mais superficial. Como inicialmente os tecidos são colocados em série, a resistência oferecida pelo tecido adiposo é muito grande produzindo um calor superficial. O campo eletromagnético acompanha o caminho de menor resistência, através dos vasos sangüíneos que contém uma grande parte de íons. Se os eletrodos forem posicionados muito próximos entre si, o campo transitará diretamente entre os eletrodos, e não irá ocorrer o tratamento dos tecidos.

Distância Entre os Eletrodos

Os eletrodos devem ser eqüidistantes e em ângulo reto com a superfície da pele (eletrodo de Schliiephack). Na técnica coplanar, a distância entre um eletrodo e outro, deve ser de no mínimo igual a medida da sua área.

Distância Entre o Eletrodos e a Pele

Quando os eletrodos são aplicados mais longe da pele, a distribuição do campo torna-se mais uniforme, promovendo um alinhamento das linhas de força através dos tecidos, conseguindo com isto uma maior penetração nos tecidos. Se a distância entre o eletrodo e a pele for pequena, haverá um aumento na densidade das linhas do campo na superfície, levando ao aquecimento superficial. Eletrodos como o de Schiliephack já possuem esta distância através da placa de vidro que entra em contato com o paciente, não sendo necessário colocar toalhas afim de aumentar esta distância. Já os eletrodos de placa metálica flexível e o eletrodo em forma de cabo, necessitam de uma camada de toalha seca entre o eletrodo e a pele do paciente. Esta distância varia de 2 a 4 cm.

Nas alternativas “A” e “B”, alternativas claramente incorretas.

A “C” seria correta se não desconsiderasse qualquer informação sobre distância dos eletrodos.

A alternativa “D” é a correta.

A alternativa “E” é terrível, metal gera concentração de energia eletromagnética e consequentemente lesões por queimadura.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D