Faculdade Mario Schenberg

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

IDECAN – CREFITO/PR 2013 – Questão 19

19. Ao se indicar uma órtese para a coluna, deve-se determinar o objetivo, o segmento envolvido e o movimento que se pretende limitar. Órteses rígidas controlam melhor a posição da coluna através da aplicação de forças externas. Órteses menos rígidas podem ser usadas para alívio de dores musculares ou auxílio na recuperação de fraturas mais estáveis, sendo, nesta situação, utilizadas para auxiliar a recuperação da coluna e da musculatura e não para preservar sua integridade estrutural. O conhecimento destas indicações é parte da atuação profissional do fisioterapeuta, sendo assim, analise.

I. A órtese de Minerva ou Four-poster é indicada no tratamento de algumas fraturas da coluna cervical média e inferior, como alternativa ao Halo. Também para tratamento conservador de fraturas cervicais até a 3ª vértebra torácica (eventualmente até a 7ª, dependendo da extensão torácica) ou em pós-operatório nos níveis acima.

II. A órtese do tipo Halo colete é considerada padrão-ouro na imobilização da coluna cervical, imobilizando todos os movimentos, inclusive a transição occipitocervical, onde as outras órteses praticamente não têm efeito.

III. A órtese SOMI (imobilização esterno-occipitomandibular) possui melhor restrição do que os colares cervicais na flexão e na extensão, mas, também, apresenta pouco efeito na rotação axial e flexão lateral. Suporte anterior rígido para o peito e para os ombros, com suporte occipital e mandibular. Restringe melhor a flexão cervical do que a extensão.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

A) I, II e III.

B) II, apenas.

C) I e II, apenas.

D) I e III, apenas.

E) II e III, apenas.

cervicalgia2

Vamos descrever as órteses.

Minerva: órtese com grande número de estudos, limita a flexo-extensão cervical com apoio no mento, occipício e tórax, estabilizados por quatro barras. Em crianças com lesões na coluna cervical média e inferior, o colete de Minerva pode ser usado como alternativa ao halo. Sharpe et al., 1995, estudaram 16 pacientes saudáveis quanto à restrição da coluna cervical sob o uso de colete Minerva com extensão occipital e na fronte(17). Concluíram que a órtese é útil na restrição da coluna cervical abaixo de C1. Maiman et al., 1989, também em estudo sobre o colete Minerva comparativamente ao halo, concluíram que a órtese foi eficaz na imobilização da coluna cervical, sendo similar ao uso de halo em vários níveis, exceto nas regiões da transição occipito-C1, C3-4 e C6-7.

Halo colete: órtese padrão-ouro na imobilização da coluna cervical, imobilizando todos os movimentos, inclusive a transição occipitocervical, onde as outras órteses praticamente não têm efeito. A região de C3 ao occipício é a que possui maior restrição de movimento com o uso do halo. Novos materiais não magnéticos permitem a realização de ressonância magnética na vigência da utilização dos mesmos. São indicados no tratamento de algumas fraturas do atlas, do odontoide (especialmente no tipo II), fraturas do áxis e fraturas combinadas de C1 e C2. Além disso, também pode ser usado no pós-operatório de cirurgias da região occipitocervical, com grandes inconvenientes quanto ao conforto. Entre suas complicações, destacam-se as infecções, a perda da redução da fratura, lesões cutâneas e piora ou instalação de novo déficit neurológico.

SOMI (imobilização esterno-occipitomandibular): melhor restrição do que os colares cervicais na flexão e na extensão, mas também com pouco efeito na rotação axial e flexão lateral. Suporte anterior rígido para o peito e para os ombros, com suporte occipital e mandibular. Este pode ser removido durante a alimentação. Restringe melhor a flexão cervical do que a extensão.

http://www.proreabilitacao.com.br/includes/paginas/papo-e-cafezinho/demetrio-praxedes-araujo/pdf/proreabilitacao-orteses.pdf

http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4038

orteses_CERVICAIS

orteses_CERVICOTORACICAS

orteses_TORACOLOMBOSACRAS

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

AOCP – EBSERH – UFGD/MS 2014 – Questão 40

40. Os objetivos da fisioterapia preventiva aplicada a pacientes amputados são, EXCETO

(A) prevenir complicações pós-cirúrgicas.

(B) prevenir deformidades.

(C) diminuir a força dos músculos que controlam o coto.

(D) diminuir o edema do coto.

(E) melhorar o equilíbrio e as transferências.

proteseelefante

Aqui pode acontecer de se associar o disposto na alternativa “C” – diminuir a força dos músculos que controlam o coto, com prevenir as famosas contraturas em flexão, principalmente de coxofemoral.

Mas não são sinônimos, é preciso cuidado e dar a devida atenção à interpretação do enunciado e das alternativas. Sim, isso mesmo, interpretar de forma precisa a informação, o que não é o mesmo que levar as afirmações ao pé da letra.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

quarta-feira, 23 de abril de 2014

VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 21

21. O controle do edema e a maturação do coto de amputação são promovidos pela técnica de enfaixamento, em que

(A) a pressão máxima deve ser na extremidade proximal, diminuindo em direção à extremidade distal do coto de amputação.

(B) deve ser feito de distal para proximal, em oito, com um gradiente de pressão regredindo de distal para proximal.

(C) o gradiente de pressão não varia em todo o trajeto do coto de amputação.

(D) as voltas da atadura no coto de amputação devem ser feitas na posição vertical, sem alteração do gradiente de pressão.

(E) as voltas da atadura no coto de amputação devem ser feitas na posição horizontal, com alteração do gradiente de pressão de proximal para distal.

Bandagem

1 – Inicie o enfaixamento de distal para proximal.
Fisio01

2 – Suba em diagonais, aliviando a pressão de distal(maior pressão) para proximal(menor pressão).
Fisio02

3 – Desça em diagonal, aliviando a pressão de distal(maior pressão) para proximal(menor pressão).
Fisio04

4 – Não volte à ponta do coto. Prossiga em diagonais aliviando a pressão.
Fisio04

5 – O enfaixameno deve terminar próximo a articulação acima da amputação, com pressão maior nessa área.
Fisio05

Fonte: http://www.andef.org.br/noticiasdicasdesaude01.htm

Enfaixamento de coto transfemoral

Mais informações: http://www.ortopediaalvalan.pt/4/post/2011/07/cuidados-ps-amputao.html

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

sexta-feira, 28 de março de 2014

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 48

48. Um paciente de 21 anos, com lesão medular completa nível T6, tem como característica a marcha
(A) com tutor longo.
(B) com tutor longo e cinto pélvico.
(C) com tutor longo, cinto pélvico e estabilizador de tronco (colete).
(D) independente.
(E) com estabilizadores de tornozelos.

muletas

A relação entre disfunção e nível da lesão, resumidamente e desconsiderando algumas variações por vértebra específica, é a seguinte:
TORÁCICO: flexão e abdução dos quadris, flexão de joelhos e equino dos pés.
LOMBAR ALTA: flexão e adução dos quadris, pé equino e flexão de joelhos.
LOMBAR BAIXA: flexão de joelhos, pé calcâneo valgo.
SACRAL: pé calcâneo, cavo, dedos em garra.
Portanto para esse nível de lesão (T6) que compromete a função da musculatura dos MMII e tronco, devemos optar pela alternativa que propõe suporte para a musculatura acometida.
Rápida descrição das órteses descritas nas alternativas:

Tutor longo em fibra de carbono com articulação unilateral: órtese indicada para paciente portador de paralisia dos membros inferiores. De tecnologia avançada, esta órtese é muito mais leve que as tradicionais, permitindo maior conforto e melhor condição para a deambulação.
tutor longo

Órtese longa com cinto pélvico: para a deambulação e ortostatismo de pacientes com paralisia nos membros inferiores. Cinto pélvico rígido ou semi-rígido. Os movimentos dos quadris, joelhos e tornozelos podem ser livres, limitados ou bloqueados. Pode ser prescrita com goteiras ou sapatilhas de polipropileno acopladas, permitindo o uso com tênis ou calçados.

tutor longo e cinto pelvico

Sobre o tratamento da lesão medular deixo uma notícia fresquinha saída não tem nem 5 mil anos do Papiro de Edwin Smith (2686-2631 a.C.)
“Aquele que tem um desvio do pescoço, não move seus braços e pernas e cuja urina goteja, tem uma enfermidade que não deve ser tratada.”

A visão negativa com relação ao tratamento e prognóstico do Traumatismo Raquimedular (TRM) já se fazia presente nos trabalhos de Hipócrates (1460-1375 a.C.) embora ele esboçasse técnicas para tração axial da coluna vertebral. Paulo de Aegina (625-690 d.C.), outro médico grego, foi o realizador da primeira cirurgia de laminectomia – que só veio a ser repetida em 1828. Durante os séculos seguintes, os pacientes com TRM continuaram a ser tratados de forma primitiva, havendo descrições de métodos rudimentares – cruéis, até – para redução de fraturas e luxações da coluna vertebral. (BALBANI, FILHO, JORGE, 1995)

Sabe-se hoje que a lesão medular tem potencial de recuperação, e diversos estudos efetuados em diferentes países forneceram alguns dados sobre a melhoria do estado neurológico. (ANDRADE, M.J., GONÇALVES, S., 2007)

O traumatismo raquimedular (TRM) é uma condição catastrófica que dependendo da sua gravidade pode causar alterações dramáticas na vida da vítima. O TRM geralmente ocorre em pessoas ativas independentes, que em um determinado momento tem controle sobre suas vidas e no momento seguinte estão paralisadas, com perda de sensibilidade e funções corporais. (UMPHRED, 2004)

É uma lesão traumática definida como um conjunto de situações que comprometem a função da medula espinhal em graus variados de extensão. (CAVENAGHI et al., 2005) Apresenta-se como uma grave síndrome incapacitante, que pode causar alterações na motricidade, sensitiva e autônoma, tendo como principal etiologia a lesão traumática, devido à agressão mecânica, na medula espinal. (FREITAS et al, 2006)

A lesão de medula espinal ocorre em cerca de 15 a 20% das fraturas da coluna vertebral e a incidência desse tipo de lesão apresenta variações nos diferentes países. Estima-se que, na Alemanha, ocorram anualmente dezessete casos novos por milhão de habitantes, nos EUA, essa cifra varia de trinta e dois a cinqüenta e dois casos novos anuais por milhão de habitantes e, no Brasil, cerca de quarenta (40) casos novos anuais por milhão de habitantes. (DEFINO, 1999)

A lesão ocorre, preferencialmente, no sexo masculino, na proporção de 4:1, na faixa etária entre 15 a 40 anos. (DEFINO, 1999) (FREITAS et al, 2006) Acidentes automobilísticos, queda de altura, acidente por mergulho em água rasa e ferimentos por arma de fogo têm sido as principais causas de traumatismo raquimedular (TRM). (DEFINO, 1999)

Anatomicamente, as lesões estão diretamente relacionadas ao mecanismo de trauma e a maior parte (cerca de 2/3) das lesões medulares está localizada na coluna cervical. As lesões na região torácica acontecem em 10% das fraturas desse segmento e 4% na coluna tóracolombar. (FREITAS et al, 2006) ( DEFINO, 1999) A literatura mundial relata que as lesões traumáticas de coluna torácica e lombar acometem preferencialmente adultos jovens do sexo masculino. Esses traumatismos são acompanhados por 10 a 30% de dano neurológico. (CUNHA, F.M. da, GUIMARÃES, E.P., MENEZES, C.M., 2000)

Os sintomas ocorrem de acordo com o nível da lesão, a extensão e o tempo do acometimento, sendo esta classificada em completa (ausência de função abaixo do nível da lesão) e incompleta (alguma função preservada abaixo do nível de lesão). (CAVENAGHI et al, 2005) Quanto ao nível da lesão, os pacientes podem ser classificados em tetraplégico, quando a lesão é acima de T1 e paraplégico, quando a lesão é abaixo deste nível. (BORGES, 2005)

Paraplegia refere-se à deficiência ou perda de função motora e/ou sensorial nos segmentos torácico, lombar ou sacral da medula espinal. A função dos membros superiores é preservada, mas o tronco, os membros inferiores e os órgãos pélvicos podem ficar comprometidos. (STOKES, 2000) T1 é o primeiro nível de lesão classificado como Paraplegia, na qual os membros superiores não são afetados. (UMPHRED, 2004)

Nos tipos de lesão traumática incluem:

CHOQUE MEDULAR – É a perda de todas as funções neurológicas abaixo do nível da lesão medular, o que representa interrupção fisiológica, e não anatômica, da medula espinhal. Caracteriza-se por paraplegia flácida e ausência de atividade reflexa. A duração não costuma ser superior a 48 horas, mas podem persistir várias semanas. O retorno de atividades reflexas indicam o fim do choque medular. A ausência do retorno da motricidade ou sensibilidade abaixo do nível da lesão, após o choque medular, é indicativo de lesão irreparável.

LESÃO MEDULAR COMPLETA- As funções motoras e sensitivas estão ausentes abaixo do nível da lesão.

LESÃO MEDULAR INCOMPLETA – Há alguma função motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão. (GESSER, M., LIMA, A.K., ROSA, M., 2002)

É imprescindível para a reabilitação desses pacientes, o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e com intervenção fisioterapêutica precoce, assim que o paciente chega ao hospital, seja no pronto-socorro, na enfermaria ou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). (CAVENAGHI et al, 2005)

A fisioterapia precoce, ainda no período hospitalar, por meio de diferentes técnicas cinesioterapeuticas, é eficaz em todas as fases da doença, previne deformidades, proporciona maior independência funcional e melhora a qualidade de vida. Cinesioterapia passiva é imprescindível para a manutenção da amplitude articular e da flexibilidade, enquanto os exercícios de resistência e força muscular garantem mudanças do sistema cardiovascular, previnem as complicações circulatórias e melhoram as capacidades funcionais. (CAVENAGHI et al, 2005)

Na fase de reabilitação intensiva, o programa de reabilitação do lesado medular visa adequá-lo à utilização de todo o seu potencial funcional até o nível máximo de independência possível. A fisioterapia engloba, nesta fase, diversas atividades que devem ser adequadas às necessidades e potencialidades de cada paciente. (GESSER, M., LIMA, A.K., ROSA, M., 2002) O fisioterapeuta tem um importante papel na prevenção de deformidades, no aumento e na manutenção de amplitude de movimento. (UMPHRED, 2004)

Os objetivos com a reabilitação devem estabelecer uma intervenção imediata e profilaxia para evitar complicações, atingir independência funcional adequada ao nível de lesão e atingir e manter uma reintegração social. (STOKES, 2000)

As lesões medulares, devido à sua gravidade e irreversibilidade, exigem, para melhoria da qualidade de vida dos indivíduos que sofreram esse trauma, um programa de reabilitação longo e que, na maioria das vezes, não leva à cura, mas auxilia na adaptação a uma nova vida. As sequelas e as dificuldades que essas pessoas enfrentam para retornar à sua vida familiar e social interferem na sua qualidade de vida e é um desafio aos profissionais de um programa de reabilitação. (BAMPI, 2008)

Aspectos curativos da lesão raquimedular ainda é um desafio para os profissionais da saúde. Técnicas inovadoras, como experimentos animais de transplante de células tronco do sistema nervoso central, auxiliam as pesquisas de novas opções de tratamento que objetivam a recuperação da função após o trauma, no entanto, suas aplicabilidades dependem de recursos tecnológicos de difíceis acessos. (CAVENAGHI et al, 2005)

A elaboração das grandes manchetes que descrevem as futuras terapias destinadas a salvar vidas sempre tem início nos laboratórios de pesquisas biomédicas. Nos dias atuais, uma surpreendente soma de recursos materiais e humanos é destinada ao estudo das células-tronco e do seu potencial na regeneração de tecidos ou de órgãos irremediavelmente lesados por doenças ou congenitamente malformados. Tudo indica que o transplante de células-tronco auxiliará a reabilitação em lesados medulares. Contudo, ainda há muitos estágios a serem superados antes que os tratamentos para seres humanos possam ser desenvolvidos e aplicados. Por exemplo, uma degeneração no DNA pode levar a formação de vários tipos de câncer.(ELIAS, D.O.; SOUZA, M. H. L., 2005)

O ponto principal na recuperação do paciente com traumatismo raquimedular não está na aplicabilidade e acesso a tecnologias sofisticadas. A meta é realizar-se a prevenção das possíveis complicações, que pode ser feita através de medidas simples. Quando se têm pacientes orientados adequadamente desde o momento pós-trauma, que acabam evoluindo sem obter consequências evitáveis, a funcionalidade, e em decorrência a qualidade de vida, torna-se maior, dentro é claro dos limites impostos pela lesão. (GESSER, M., LIMA, A.K., ROSA, M., 2002).

Material adicional:

http://www.rbf-bjpt.org.br/files/v1n1/v1n1a05.pdf

http://www.sogab.com.br/sbrto/orteses.htm


Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C
Alternativa que indico após analisar: C