Faculdade Mario Schenberg

Mostrando postagens com marcador Fisioterapia neuroinfantil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fisioterapia neuroinfantil. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Polícia Militar/RJ 2010 – Pediátrica e neonatal – Questão 02

02. Os movimentos que podem ser observados em articulações distais nas crianças com mielomeningocele em nível torácico:

I. São movimentos reflexos residuais provenientes dos arcos reflexos locais, não controlados por funções corticais.

II. São movimentos controlados por funções corticais não interrompidos pela lesão medular.

III. Por sua natureza involuntária, podem representar uma forca articular deformadora.

IV. Representam um movimento funcional e útil para recuperação funcional da criança.

V. Por serem um movimento reflexo poucas vezes tem valor para recuperação funcional.

Estão corretas as afirmativas

(A) I, III e IV.

(B) II, III e V.

(C) II, IV e V.

(D) I, III e V.

mielo

Levando-se em consideração que a mielomeningocele manifesta-se na grande maioria dos casos a nível da região lombossacra (L5-S1), os sintomas mais relatados na literatura, segundo Shepherd (1998), são:

-Paralisia flácida;
-Diminuição da força muscular;
-Atrofia muscular;
-Diminuição ou abolição dos reflexos tendíneos;
-Diminuição ou abolição da sensibilidade exterioceptiva e proprioceptiva;
-Incontinência dos esfíncteres de reto e bexiga;
-Deformidades de origem paralíticas e congênitas e;
-Hidrocefalia (acomete 100% das crianças com mielomeningocele torácica; 90% das lombotorácicas; 78% das lombares; 60% das lombossacras e 50% das sacrais, segundo Diament, 1996).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

Polícia Militar/RJ 2010 – Pediátrica e neonatal – Questão 01

01. Extremidades corporais com aspecto cilíndrico associadas ao deslocamento da articulação do quadril, importantes contraturas e articulações rígidas em crianças com a presença de sensibilidade intacta são características de

(A) Amiotrofia Espinhal do Tipo I.

(B) Acondroplasia Congenita.

(C) Artrogripose Multipla Congenita.

(D) Disrafismo espinhal.

artrogripose

Provas de especialidades costumam ser muito difíceis, principalmente para quem não é muito habituada com a área em questão.

A Artrogripose Múltipla Congênita (AMC) é uma síndrome caracterizada por contraturas de várias articulações e rigidez de tecidos moles presentes desde o nascimento e de caráter estacionário. Pode ser caracterizada por alterações de pele, tecido subcutâneo inelástico e aderido, ausência de pregas cutâneas, hipotrofia muscular, sendo substituído por tecido fibrogorduroso, deformidades articulares, espessamento e rigidez de estruturas periarticulares, com preservação da sensibilidade.

A Artrogripose Múltipla Congênita (AMC) é uma síndrome caracterizada por contraturas de várias articulações e rigidez de tecidos moles presentes desde o nascimento e de caráter estacionário. Pode ser caracterizada por alterações de pele, tecido subcutâneo inelástico e aderido, ausência de pregas cutâneas, hipotrofia muscular, sendo substituído por tecido fibrogorduroso, deformidades articulares, espessamento e rigidez de estruturas periarticulares, com preservação da sensibilidade.

A luxação do quadril tem grande incidência nesses pacientes (80% dos casos). Dentre as causas podemos citar a própria escoliose, por gerar um desalinhamento da pelve e apresentação pélvica ao nascimento.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

quarta-feira, 23 de abril de 2014

VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 19

19. No membro superior, os grupos musculares mais frequentemente estimulados com objetivo de recondicionamento do ato motor em pacientes portadores de paralisia cerebral, hemiplégico espástico, são nos

(A) flexores primários e braquial.

(B) bíceps e braquial.

(C) tríceps e extensores de punho e dedos.

(D) pronador do punho e flexores do punho e dedos.

(E) bíceps e tríceps.

Força

No membro superior, predomina o padrão flexor como acometimento mais frequente. A única alternativa que oferece a estimulação dos antagonistas deste padrão, que são os extensores de cotovelo, punho e dedos, é a alternativa “C”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 23

23. A.C.S, 7 anos, sexo masculino, no exame clínico apresenta fraqueza, atrofia e contratura muscular em padrão simétrico e marcha caracterizada por perda da progressão do calcanhar para os artelhos, além de relatar quedas frequentes. Exames laboratoriais apresentam dosagem de creatinafosfoquinase (CK) muito elevada. O quadro clínico descrito sugere hipótese diagnóstica de

(A) Esclerose Lateral Amiotrófica.

(B) Miastenia Grave.

(C) Síndrome de Aaton-Lambert.

(D) Distrofia Muscular de Duchene.

(E) Esclerose Múltipla.

Creatine_kinase_rxn

Além do sexo masculino, da idade e dos demais sintomas coincidirem com a distrofia muscular de Duchenne, a dosagem de creatinofosfoquinase normalmente é elevada em grau variável nos tipos diferentes de distrofia muscular.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

sexta-feira, 4 de abril de 2014

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 49

49. Pseudohipertrofia de panturrilha está presente na
(A) paralisia cerebral.
(B) poliomielite.
(C) doença de Parkinson.
(D) mielomeningocele.
(E) distrofia de Duchenne.

x recessivo



Questão simples essa, basta saber um pouquinho de cada patologia descrita para poder chegar à resposta, que é distrofia muscular de Duchenne.
Histórico da patologia
Inicialmente, uma pequena nota sobre esse epônimo. Guillaume Benjamin Amand Duchenne (1806-1875) foi um médico neurologista francês. Graças a suas contribuições sobre os efeitos da eletricidade no ser humano, é considerado o pai da eletroterapia. Pronto, já descobrimos de quem é a culpa por tanta gente tomar choque na fisioterapia.
A primeira descrição clínica de distrofia propriamente dita, na língua inglesa, pode ser atribuída a Charles Bell, em 1830, seguido por Conte e Gioja, em 1836, e Partridge e Little, em 1847. A primeira descrição completa da doença é creditada a Edward Meryon, em 1852.
O médico neurologista francês Guillaume Benjamin Amand Duchenne, na segunda edição do seu livro em 1861, foi quem descreveu o primeiro caso de DMD. Em 1858, ele relatou um caso em um menino de nove anos de idade que perdeu a capacidade de andar devido a uma doença muscular e, em 1868, descreveu 13 casos da doença, notando sua correlação com deterioração mental, acreditando, então, que a doença se devia a uma alteração do sistema nervoso. Observou a diminuição progressiva da musculatura e atrofia muscular, sendo o primeiro a analisar o músculo através da biópsia com os pacientes vivos, facilitando assim o diagnóstico da doença ainda em vida.

Leyden foi quem propôs a consideração da doença em separado das ligadas à lesão de raízes nervosas e foi Wilhelm Heinrich Erb quem descreveu as diferenças entre os diversos tipos de distrofia. Ele classificou as distrofias segundo a idade de início. Discípulo de Duchenne, concluiu através de estudos patológicos que ocorria degeneração do tecido muscular, assumindo para a doença o termo Distrofia Muscular Progressiva, o qual vem sendo utilizado desde então.

Edward Meryon, dez anos antes de Duchenne, descreveu numa reunião da Sociedade Real de Medicina e Cirurgia (publicada em 1852), nove casos de distrofia muscular em três famílias. Além de descrever o caráter familiar da doença, que não foi descrito por Duchenne, relatou que a doença afeta meninos e que afeta os músculos, sem encontrar alterações em nervos da coluna e gânglios.  Observou famílias que tinham comprometimento muscular e fraqueza severa dos membros durante a vida e fez estudos pós-mortem em dois casos de meninos destas famílias, descrevendo em 1864 os achados microscópicos dos tecidos musculares destes meninos.

Em 1865, Griesinger foi o primeiro a fazer uma biópsia e confirmar a presença de abundante tecido adiposo no lugar dos músculos.

O neurologista inglês William R. Gowers descreveu o modo como os meninos afetados pela DMD passavam da posição deitada para bipedestação. Esta manobra passou a ser conhecida como “manobra ou sinal de Gowers”. Em 1879, Gowers descreveu a doença em uma discussão detalhada do quadro clínico, patologia, prognóstico e possibilidades de tratamento. Ele acreditava que a doença era de caráter hereditário e que, assim como na hemofilia, a limitação ao sexo masculino era herdada da mãe, já que elas poderiam ter filhos afetados de diferentes maridos.

Em 1985, Worton e seus colaboradores descreveram o gene responsável pela DMD, como sendo o Xp 21 no cromossomo X, tendo ausência da proteína distrofina, normalmente presente na sarcolema de célula muscular.

O isolamento do gene da distrofina foi realizado por Kunkel et al., em 1985. Em 1987 o gene foi completamente clonado e foi descoberta a proteína distrofina, produto do gene.

O que é Distrofia Muscular de Duchenne?
Na distrofia muscular de Duchenne (DMD) a falta da proteína distrofina causa a deterioração e quebra dos músculos levando à dificuldade progressiva no andar e mobilidade geral. DMD é uma das doenças infantis neuromusculares que progride mais rapidamente. Afeta aproximadamente 1 em 3000 nascimentos de rapazes vivos, por todo o mundo.
Como se herda a Distrofia Muscular de Duchenne?
Na DMD o gene afetado está “X-ligado”, significando que este gene está situado no cromossomo X. A mulher tem dois cromossomos X enquanto que os homens têm um cromossomo que herdam da mãe e um cromossomo Y que eles herdam do pai. Em aproximadamente dois terços dos casos o gene afetado é passado a um filho através do cromossomo X alterado da mãe. Nestes casos, a mãe é conhecida como “portadora” que, na maioria dos casos, não mostrará sintomas da doença. Isto porque o gene é recessivo:  seu cromossomo X normal é predominante e funciona para produzir a distrofina. Só numa pequena minoria de portadores é que há um pequeno grau de enfraquecimento dos músculos geralmente limitado aos ombros e ancas e que essas mulheres são conhecidas como “portadores manifestados”. O defeito genético talvez tenha surgido numa geração anterior aonde talvez tenha existido um histórico familiar conhecido.
Contudo em aproximadamente um terço dos casos de DMD a mudança genética ocorre na ocasião da concepção e é conhecida como uma “mudança espontânea”.
Sintomas
Estes sintomas geralmente começam entre a idade de um aos três anos e continuam a progredir até que a criança de sexo masculino necessite da ajuda de uma cadeira de rodas, mais frequentemente entre a idade dos oito aos doze anos.
Por vezes há dificuldades em diagnosticar DMD porque os sintomas podem variar e se não existir um histórico familiar a princípio pode não se suspeitar. Nos primeiros anos os pais das crianças podem notar largos músculos da barriga das pernas, também conhecido como pseudo-hipertrofia, que se pode confundir com músculos fortes. Frequentemente, mas nem sempre, há um atraso na idade em que começam a andar, começando a dar os primeiros passos por volta dos dezoito meses. Uma vez que já caminhe, a criança de sexo masculino talvez caia facilmente. Por vezes há dificuldade em subir (escadas, por exemplo), dificuldade em correr e saltar e a criança de sexo masculino talvez comece a “andar à pato”; ele talvez comece a ter tendência a andar em bicos dos pés e isto é frequentemente acompanhado por um abdómen saliente e uma postura desiquilibrada (movimento para trás e para a frente), chamada “lordose”. Ele talvez tenha dificuldade em levantar-se do chão sem auxílio, usando as mãos para subirem pelas pernas acima para apoio – refere-se a isto “Sinal de Gowers”.
O neurologista inglês William Richard Gowers(1845-1915) foi considerado por Macdonald Critchley em 1949, como o maior neurologista clínico da história. Seus dois manuais de neurologia, publicados em 1886 e 1888, foram considerados a “bíblia da neurologia”. Ele era reconhecido pela clareza de sua escrita e pelo impacto de todo o conteúdo que elaborava sobre neurologia.

Gowers descreveu o modo como os meninos afetados por Distrofia Muscular de Duchenne passavam da posição deitada para bipedestação. Esta manobra passou a ser conhecida como “manobra ou sinal de Gowers”.

Em 1879, Gowers descreveu a doença em uma discussão detalhada do quadro clínico, patologia, prognóstico e possibilidades de tratamento. Ele acreditava que a doença era de caráter hereditário e que, assim como na hemofilia, a limitação ao sexo masculino era herdada da mãe, já que elas poderiam ter filhos afetados de diferentes maridos.

O sinal de Gowers é classicamente observado na Distrofia Muscular de Duchenne, mas também ocorre na miopatia centronuclear, distrofia miotônica e diversas outras doenças associadas com fraqueza muscular proximal.

Para esta manobra, o paciente é colocado no chão distante de outros objetos com os quais ele poderia usar para se apoiar no momento de ficar na posição ereta.

Gowers, em 1879, definiu a doença como sendo “uma das mais interessantes e ao mesmo tempo mais tristes de todas aquelas com as quais lidamos; interessante por suas características peculiares e natureza misteriosa; triste por nos darmos conta da nossa impotência para influenciar seu curso, exceto em um grau muito leve. É uma doença do início da vida e do crescimento. De modo que cada crescimento em estatura significa um aumento da fraqueza, e cada ano é um passo na estrada que caminha para uma morte inevitável e precoce”.



Artigo completo sobre a distrofia de Duchenne:

http://www.fisioneuro.com.br/ver_pesquisa.php?id=132

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E
Alternativa que indico após analisar: E

VUNESP – São Paulo – Questão 50

50. Assinale a alternativa correta em relação à Reação de Landau.

(A) Quando o bebê é elevado, em prono, apoiado pelo tórax, ele erguerá a cabeça, com extensão da coluna vertebral e dos membros inferiores.

(B) Quando os olhos do bebê se movem, a cabeça e o tronco rodam para a mesma direção dos olhos.

(C) Um estímulo doloroso na região lombar do bebê provocará a flexão do tronco para o mesmo lado estimulado.

(D) Fazendo- se a rotação da cabeça do bebê para a direita, o membro superior direito se estenderá e o membro inferior esquerdo se fletirá.

(E) Com o bebê em supino, elevando sua cabeça, aumentará o tônus extensor dos membros superiores e flexor dos membros inferiores.


babyssauro

Na avaliação neurológica do bebê um dos testes realizados é para verificar a reação de Landau, onde o bebê é segurado pelo corpo em uma posição horizontal ao ar e consequentemente o bebê estende a cabeça e o quadril formando um “U” com o corpo. Este reflexo aparece por volta do quarto mês de vida.



Vamos a mais um resuminho maroto:

REFLEXOS E REAÇÕES NO LACTENTE

O desenvolvimento motor normal é baseado em reflexos e reações que irão caracterizar o comportamento da criança. Isso se deve ao amadurecimento gradativo do sistema nervoso central.

O aparecimento de alguns reflexos na criança e a maturação às reações mais elaboradas, passam por todo um processo de evolução que vai acontecer conforme a criança vai entrando em contato com o ambiente que a cerca (estímulos).

REFLEXOS – Reações automáticas aos estímulos. Geralmente servem para proteção e sobrevivência. A maioria é abolido com o desenvolvimento normal. Alguns permanecem em emergências. Reflexos são ações involuntárias em resposta a um estímulo externo e consistem nas primeiras formas de movimento humano.

REAÇÕES – Respostas mais elaboradas aos estímulos. Têm um tempo refratário para acontecerem. Nos acompanham até o fim de nossas vidas. Algumas são modificadas e aprimoradas. Servem como fonte primária de informações, as quais se armazenam no córtex em desenvolvimento.

Nos primeiros meses de vida a presença, intensidade e simetria desses reflexos podem ser usadas para avaliar a integridade do sistema nervoso central e para detectar anormalidades periféricas, como alterações musculoesqueléticas congênitas ou lesões em estruturas nervosas. Por outro lado, a persistência da maioria desses reflexos no segundo semestre de vida, também indica anormalidades do desenvolvimento.

São denominados reflexos primitivos aqueles relacionados à sobrevivência, com funções de busca de alimentação e de proteção. Já os chamados reflexos posturais, são os precursores de movimentos voluntários. Alguns desses reflexos, como o de sucção, preensão palmar, plantar e o da marcha serão substituídos por atividades voluntárias; outros, como o de Moro simplesmente desaparecerão.

O sistema nervoso central regula todas as nossas funções corporais. Recebe estímulos internos e externos. Registra certas percepções que podem ser: armazenadas, suprimidas ou provocar respostas.

CABE AO SISTEMA NERVOSO PROTEGER A VIDA E SELECIONAR OS ESTÍMULOS MAIS IMPORTANTES.



O Sistema Nervoso Central (SNC) é composto pelo Encéfalo e pela Medula Espinhal.

ENCÉFALO (composto pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico)

- Cérebro (Telencéfalo e Diencéfalo) – onde encontramos Reações de Equilíbrio e Extensão Protetora

-Cerebelo – responsável pelo tônus, pelo equilíbrio e pela coordenação.

- Tronco Encefálico – composto de:

Mesencéfalo – Reações de Retificação

Ponte e Bulbo – Centro Respiratório e Reflexos



MEDULA ESPINHAL

NÍVEIS DE INTEGRAÇÃO

Medular:

Reflexo de Extensão Cruzada – presente no nascimento e nos primeiros 10 dias de vida.
Tronco Encefálico:

Bulbares:

- RTCA = até 3 meses – favorece lateralidade, coordenação olho-mão, abre lateralmente o tronco.

- RTCS = patológico

- RTL = patológico

- Reações Associadas = até 2 anos.

Mesencefálicas:

- Reação Cervical de Retificação = de 0 a 2 meses

- Reação Corporal de Retificação = de 4/5 meses ( da anterior ) até a morte.

- Reação Labiríntica de Retificação = de 3 meses até a morte.

- Reação Anfíbia = inicia por volta dos 6 meses de idade até o engatinhar. É um aprimoramento do reflexo de Galant.

Cortical:

- Reação de Extensão Protetora:

Para frente =aproximadamente aos 6 meses

Para os lados = aos 8 meses

Para trás= aos 10 meses

OBS: A criança que permanece por mais tempo em prono tem mais facilidade em desenvolver esta reação.

- Reações de Equilíbrio:

Supino/Prono = 5/6 meses – presente quando colocada sentada a criança permanece.

Sentado = aproximadamente aos 9 meses – quando o bebê está “se puxando” para ficar de pé.

4 apoios = à partir de 1 ano quando a criança está começando a andar.

Joelhos =à partir de 1 ano quando a criança está começando a andar.

Em pé = com 15/18 meses quando já anda com certa desenvoltura.

Reflexos e reações que não possuem nível exato:

- Reflexos da Face: Presentes até 4 meses.

Sucção = reflexo de sobrevivência.

4 Pontos Cardeais = reflexo de sobrevivência.

Vômito = até 6 meses localizado no 1/3 anterior da língua. De 6 meses em diante passa para o   1/3 posterior da língua. Considerado um reflexo de proteção.

Mordida = trancar os dentes. É patológico.

- Reflexo de Moro = Primeira fase até 4 meses (abdução/extensão) / Segunda fase de 4 à 6 meses (adução e flexão).

- Reflexo de Galant = até 2 meses

- Reflexo de Preensão Palmar = até 4 meses

- Reflexo de Preensão Plantar = até aproximadamente 8 meses.

- Marcha Automática = até quase 2 meses.

- Reação de Landau = de 4 à 6 meses – Forte até 1 ano. Prepara para a postura de pé.

- Reação de Colocação dos Pés = aparece após os 10 primeiros dias do nascimento até 3 meses.

- Reação Automática = Presente no neonato. É uma reação precursora à Reação Labiríntica de Retificação. Trata-se de uma primeira extensão a partir de uma flexão total.

SER CAPAZ DE INIBIR E SELECIONAR = MATURAÇÃO

DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS REFLEXOS E REAÇÕES

Reflexo de Preensão Palmar e Plantar: para testar o reflexo de preensão palmar aplica-se ligeira pressão na face palmar da mão do bebê junto da zona distal dos metacarpos. Como resposta a criança flete os dedos (fecha a mão). Para testar o reflexo plantar aplica-se pressão na face plantar do pé do bebê na região mais distal dos metatarsos. Como resposta o bebê vai fletir os dedos do pé.

Reflexo de Sucção: Quando um objeto é colocado na boca do recém-nascido, ele começa a succionar imediatamente.

Reflexo de busca: Quando qualquer um dos extremos da boca de recém-nascido é tocado, ele vira a cabeça para esse lado. Este reflexo permite que o recém-nascido encontre o mamilo.

Reflexo de Moro: aparece com o recém-nascido e desaparece por volta dos 4/6 meses. Testa-se deslocando-se o centro de gravidade da criança, ou dando um estímulo visual ou sonoro. Como resposta vai haver uma abdução e extensão dos membros, com extensão e abertura dos dedos, exceto as falanges distais dos indicadores e polegares que permanecem em flexão. Em seguida ocorre a adução e flexão dos membros.

Reflexo da Marcha Automática: Testa-se levantando a criança e pressionando a face dorsal de um dos pés contra o bordo de uma mesa. Como resposta teremos a flexão dos diferentes segmentos da perna, trazendo o pé acima da mesa e assim que se estabelece o contato ativo ou passivo da face plantar do pé com a mesa, ocorre a extensão do membro inferior.

Placing: Nos membros superiores tem início por volta do segundo mês, tornando-se um reflexo de extensão protetiva por volta do sexto mês. A criança é segurada pelo examinador e a face dorsal de uma das mãos é pressionada sob a borda de uma mesa. Como resposta temos a flexão dos membros superiores que trazem a mão para cima da mesa.

Reação positiva de apoio: aparece entre o 1º e o 3º mês e desaparece por volta do oitavo mês.
É provocado através de estímulo proprioceptivo (dorsiflexão das partes distais dos membros) ou exteroceptivo (provocado pelo contato das plantas dos pés com o solo). Como resposta teremos a contração simultânea de extensores e flexores.

Reação Cervical de Retificação: Está presente ao nascimento e desaparece por volta do segundo mês. É obtida virando-se a cabeça do bebê para um lado. Como resposta vamos ter um aumento do tÔnus do tronco e o bebé vira para o lado oposto em bloco.

Reação Labiríntica de Retificação: Está presente no recém-nascido e começa a ficar mais presente por volta do quarto mês. Esta reação permite a elevação da cabeça na posição prona. No início a cabeça pode ser mantida levantada fraca ou intermitentemente, mas o bebê irá mantê-la bem na linha média, a partir da oitava semana (2 meses). Ao conseguir levantar a cabeça na posição prona, inicia-se um processo de extensão geral do tronco e dos membros, contra a gravidade, que começa céfalocaudal e alcança a pelve e joelhos por volta do sexto mês.

Reação visual de retificação: Quando os olhos se movem, a cabeça e o corpo também giram em direção ao objeto, ao qual a atenção foi direcionada. Com a maturação das vias óticas por volta dos seis meses de idade, é que se inicia a reação de retificação pela visão.

Reação de Landau: Esta reação é uma combinação das reações de retificação e dos reflexos tônicos. Aparece por volta dos seis meses de idade. Quando se levanta uma criança de bruços da mesa, apoiada apenas com a mão do examinador sob o tórax, a criança primeiro ergue a cabeça, de maneira que a face esteja numa posição vertical, após esta elevação da cabeça ocorre uma extensão tônica da coluna e membros inferiores, que pode ser tão forte que todo o corpo da criança torna-se curvado para trás.

Reflexo de Galant: Um estímulo doloroso na região lombar do bebê em prono, provocará a flexão do tronco para o lado estimulado. Nos primeiros dias de vida a resposta é frequentemente ausente ou fraca. Este reflexo desaparece geralmente durante o segundo mês.

Reação de Anfíbio: Esta reação torna o indivíduo capaz fazer flexão dos membros inferiores na preparação para o arrastar, proporcionando a dissociação entre tronco, ombros e pelve. Esta reação inicia-se no quarto mês e permanece para a toda a vida. O teste é realizado levantando-se um lado da pelve, sob a virilha. O membro inferior deste lado flexiona e abduz, enquanto que o membro do lado oposto entra em extensão.

Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA): É estimulado pela rotação da cabeça e causa a extensão dos membros para o lado em que a cabeça foi rodada e diminuição do tônus extensor com aumento da flexão dos membros para o lado occipital da cabeça. Inicia-se por volta do segundo mês e é integrado no quarto mês.

Reflexo Tônico Cervical Simétrico (RTCS): Também é uma resposta proprioceptiva dos músculos do pescoço, por um movimento ativo ou passivo. A elevação da cabeça produz um aumento do tônus extensor nos membros superiores e aumento do tônus flexor nos membros inferiores. Abaixando-se a cabeça ocorre a situação inversa. Geralmente surge no 2º mês e integra-se por volta do sexto mês.

Reflexo Tônico Labiríntico (RTL): É evocado pelas mudanças da posição da cabeça no espaço. Na criança com Paralisia Cerebral provoca uma hipertonia na posição supina e uma hipotonia na posição prono. Está presente no primeiro mês de vida, desaparecendo no sexto mês com o aparecimento do Landau.

Reação de Extensão Protetiva: Também conhecida como reação de paraquedista ou de precipitação. Esta reação consiste em duas fases e ajuda a manter o bebê sentado: numa primeira fase ocorre a extensão do membro superior para atingir o solo ou, outro apoio; na segunda fase a criança coloca o peso sobre o braço e a mão.
Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 51

51. Assinale a alternativa que aponta um objetivo incorreto no tratamento da paralisia cerebral.
(A) Estimular a dissociação de cinturas pélvica e escapular.
(B) Estimular o desenvolvimento dos movimentos e padrões normais para a idade.
(C) Inibir reações associadas.
(D) Reverter as deformidades já instaladas, principalmente o pé equino o que impede a marcha.
(E) Treinar o equilíbrio e a transferência de peso.

lobo mau

Sabe aquela frase, “de boas intenções o inferno está cheio”? Pois é, a alternativa incorreta é bem isso.
Essa frase significa que as referidas intenções não eram realmente tão “boas” assim, ou melhor, o inferno é um lugar de coisas ruins, certo!? às vezes, uma pessoa pode dizer que está com boas intenções, mas está com objetivos ruins…

Um estudante mais afoito pode imaginar que é só alongar que volta ao normal, e coisa do tipo. No entanto, se a deformidade já se instalou, a fisioterapia não pode sozinha vencer tal deformidade, apenas após procedimentos médicos, quando possíveis e indicados, é que se pensa em ganhar mobilidade do segmento. Reparem também que o termo “reverter” é radical, ele propõe um retorno completo da deformidade.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D
Alternativa que indico após analisar: D