Faculdade Mario Schenberg

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Anormalidades do Tônus Muscular

Introdução
Tônus é o estado de relativa tensão em que se encontra permanentemente um músculo normal em repouso. As alterações do tônus podem ser de aumento (hipertonia), diminuição (hipotonia) ou ausência completa (atonia). Tônus muscular clinicamente é a resistência encontrada quando uma articulação em um paciente em estado de relaxamento é movida passivamente. Tônus é a resistência de um músculo ao alongamento passivo ou estiramento.

A resistência se deve a fatores como a inércia física, rigidez mecânico-elástica intrínseca do músculo e dos tecidos conjuntivos e a contração muscular reflexa (reflexo tônico de estiramento). Como raramente um músculo trabalha isoladamente, é fundamental considerar a interferência de todos os tecidos moles quando se avalia o tônus muscular.

Na prática o tônus muscular pode ser avaliado de duas maneiras. Segurando-se um membro relaxado do paciente e movendo enquanto observa-se a quantidade de esforço necessária para superar a resistência – o tônus muscular. Alternativamente, pode-se observar como um membro responde a uma agitação ou ser solto subitamente, quanto maior a resistência ao movimento mais rígido o membro se comporta.

Paralisias com hiporreflexia e hipotonia são denominadas paralisias flácidas. Caracterizam a chamada Síndrome do Neurônio Motor Inferior ou Periférico, que resulta de lesão dos neurônios motores da coluna anterior da medula (ou dos núcleos motores dos nervos cranianos). Nestes casos, ocorre também em pouco tempo atrofia da musculatura inervada por perda da ação trófica dos nervos sobre os músculos.

Paralisias com hiper-reflexia e hipertonia são denominadas Paralisias Espásticas. Ocorrem na síndrome do neurônio motor superior ou central, onde a lesão localiza-se nas áreas motoras do córtex cerebral ou nas vias motoras descendentes, em especial no tracto córtico-espinhal. Neste caso a atrofia muscular é muito discreta, pois os músculos continuam inervados pelos neurônios motores inferiores e o sinal de Babinski é positivo.

 
Hipertonia
A hipertonia apresenta dois tipos conhecidos: a espasticidade e a rigidez. Diferem quanto a causa e a significância clínica.

Espasticidade
A espasticidade pode ser definida como a resistência dependente da velocidade, ao estiramento passivo de um músculo, com reflexos tendíneos exagerados. Assim, quanto mais amplo e rápido o alongamento, mais forte a resistência do músculo espástico. Inicialmente o alongamento produz uma resistência alta, seguida por uma inibição súbita ou uma liberação da resistência, denominada de resposta ou sinal de canivete. O clônus é caracterizado por uma alternância cíclica espasmódica de contração e relaxamento muscular em resposta ao alongamento mantido de um músculo espasmódico. O clônus é comum nos flexores plantares, mas pode ocorrer em outras áreas do corpo como a mandíbula ou o punho.

Características Clínicas da Espasticidade
A espasticidade é reconhecida clinicamente por:
1) Padrão característico de comprometimento de certos grupos musculares;
2) Maior responsividade dos músculos ao estiramento;
3) Reflexos tendíneos muito aumentados

A espasticidade afeta predominantemente os músculos antigravitários, ou seja, os músculos flexores dos membros superiores e os extensores dos membros inferiores. Consequentemente os membros superiores tendem a assumir postura flexionada e em pronação, enquanto os membros inferiores em geral ficam extensão e adução. Essa postura comumente é vista no hemicorpo comprometido por um acidente vascular encefálico.

O estiramento de um músculo de um paciente com espasticidade resulta em contração reflexa exagerada. Essa maior responsividade ao estiramento muscular é resultado de um aumento do reflexo de estiramento miotático e de redução do seu limiar e da velocidade de estiramento.

Importância Clínica da Espasticidade
A espasticidade é uma das características principais de Síndromes de Neurônio Superior (SNMS). Em presença de espasticidade devem-se pesquisar lesões nos neurônios motores superiores, em todos os pontos, desde o córtex até os motoneuronios da medula espinhal.

Fisiopatologia da Espasticidade
A base patológica da espasticidade é a ampliação anormal dos reflexos miotáticos da medula espinhal. Os reflexos estão ampliados pelo aumento da sensibilidade do Fuso Muscular (mediada pelo impulso do neurônio motor Υ) ou pela excitabilidade ampliada das sinapses centrais implicadas no arco reflexo.

A lesão do Neurônio Motor Superior altera a excitabilidade das sinapses centrais implicadas no arco reflexo por meio das sinapses da coluna anteriormente inativas (ou silenciosas) tornando-se ativas depois da interrupção das eferências motoras descendentes, aumentando assim a eficiência do arco reflexo. A longo prazo, as sinapses das vias motoras descendentes nos neurônios motores e nos interneurônios da medula espinhal degeneram e são substituídas por brotos das sinapses interespinhais remanescentes, novamente aumentando a eficiência do arco reflexo.

A espasticidade simplificadamente parece ser um fenômeno de liberação, causado pela retirada das influencias inibitórias descendentes da medula espinhal. Porém essa impressão é errônea. A situação é mais complexa do que parece. A remoção das influências inibitórias eferentes é indubitavelmente importante, mas a espasticidade também ocorre na presença de influências eferentes facilitatórias.

Existem vias descendentes que emergem no Tronco Encefálico e influenciam a excitabilidade da medula espinhal. Anatomicamente e fisiologicamente essas vias podem ser divididas em dois grupos. Um grupo, que compreende as Vias Pontina e Reticuloespinhal lateral juntamente com as Vias Vestibuespinhal, descende no funículo anterior da medula espinhal e tendem a facilitar o tônus muscular.

O outro grupo, que compreende principalmente as Reticuloespinhal cruzadas da Formação Reticular Ventromedial Bulbar, descendente no Funículo Lateral Anterior (bem atrás dos Tratos Corticoespinhal) e tende a inibir o tônus muscular.

A espasticidade pode surgir se as vias inibitórias forem interrompidas ou se houver menor atividade nas vias facilitatórias. A espasticidade depois de lesão do córtex cerebral Frontal ou da Cápsula Interna provavelmente resultante da perda de impulso cortical para o centro inibitório Bulbar (reduzindo assim, a atividade nas vias Reticuloespinhal cruzadas inibitórias e liberando o reflexo miotático da medula espinhal).

Quando consideramos a espasticidade ou quaisquer outras alterações do tônus muscular deveram considerar os fatores mecânicos envolvidos nos tecidos moles. Com a alteração do tônus muscular também ocorrem redução no número de sarcômeros e aumento do conteúdo de colágeno. Também ocorrem proporções decrescentes de fibras musculares do tipo II. Todas essas alterações contribuem para o aumento da rigidez passiva da articulação. Por essa razão é importante fazer a manutenção da ADM com Alongamentos em pacientes com alteração do tônus muscular.

Rigidez
As lesões Corticoespinhais podem resultar em rigidez de decorticação ou de descerebração. A Rigidez de decorticação diz respeito a contração mantida e ao posicionamento do tronco e de membros inferiores em extensão e com os membros superiores em flexão. A Rigidez de descerebração refere-se a contração mantida a ao posicionamento do tronco e membros em uma posição de extensão completa. A rigidez de decorticação é indicativa de lesão no Trato Corticoespinhal ao nível do diencéfalo e a rigidez de descerebração indica lesão do Tronco Encefálico entre o colículo superior e os núcleos vestibulares.

A rigidez que se origina das lesões dos núcleos da Base é caracterizada por resistência ao movimento passivo envolvendo músculos agonistas e antagonistas. As lesões do sistema dopaminérgico nigroestriatal dos gânglios da base produzem rigidez vista comumente na patologia Parkinson que apresentam bradicinesia, tremores, perda da estabilidade postural. A Rigidez Independe da Velocidade do Movimento Passivo.

Características Clínicas da Rigidez
A rigidez é reconhecida clinicamente como uma maior resistência a movimentos passivos mais lentos. Está presente nos grupos muscular extensores e flexores. Comumente quando o fisioterapeuta ao examinar um paciente observa uma resistência em “Cano de Chumbo” ao flexionar ou estender um membro, o que reflete o fato de a resistência ser sentida ao longo de todo o trajeto do movimento (ao contrario da espasticidade, em que a resistência aumenta com a rapidez no inicio e logo diminui – o chamado fenômeno em Canivete). 

É preciso enfatizar que os movimentos impostos devem ser aplicados lentos: o uso de movimentos rápidos (mais adequado para testar a hipertonia na espasticidade) pode resultar em conclusão errônea de que o tônus é normal. Os reflexos tendíneos são normais, em contraste com hiperreflexia associada à espasticidade.

A rigidez pode ser observada nos membros ou tronco. Um dos melhores métodos de se demonstrar o tônus de tronco é fazer a rotação dos ombros do paciente em posição ortostática relaxada. Em condições normais o fisioterapeuta encontra pouca resistência e os membros superiores balançam com relativa liberdade.

Importância Clínica da Rigidez
A rigidez é uma característica importante das Síndromes Extrapiramidais. O termo Parkinsonismo é sinônimo de Síndrome Extrapiramidal. A outra característica importante é a hipocinesia/bradicinesia. O tremor é um sinal frequente no parkinsonismo, mas nem sempre presente. As Síndromes Extrapiramidais são causadas por perturbações funcionais dos Núcleos da Base (Núcleo Caudado, Putâmem, Globo Pálido e Núcleo Subtalâmico).

A causa mais comum do parkinsonismo é a patologia de Parkinson propriamente dita. O acidente vascular encefálico raramente ocasiona parkinsonismo verdadeiro. No entanto, quando compromete os lobos frontais, pode dar origem a uma síndrome clinica superficialmente similar, com dispraxia da marcha.

Fisiopatologia da Rigidez
A base fisiopatologia da rigidez parece ser a ampliação do componente de latência prolongada do reflexo miotático. O reflexo miotático normal pode ser divido em um componente de curta latência e um de latência prolongada. Nos pacientes com rigidez parkinsoniana, o componente de curta latência (medula espinhal) tem tamanho normal, refletindo o fato de que os reflexos tendíneos nessa condição patológica são normais.

Hipotonia
No individuo normal, as contrações ativas do reflexo miotático contribuem pouco para o tônus muscular em repouso. A maior parte do tônus origina-se nas propriedades viscoesláticas passivas das articulações e dos tecidos moles. O tônus reduzido devido a distúrbios do Sistema Nervoso Central (SNC) é necessário considerar a permanência inalterada das propriedades viscoeslásticas.

As lesões do Neurônio Motor Inferior (NMI) afetando as células do corno anterior da medula espinhal ou dos nervos periféricos produzem um tônus reduzido ou ausente com sintomas associados de paralisia, fasciculações musculares e fibrilações com denervação neurogênica. 

O tônus diminuído ou ausente também está associado a lesões do NMS que afetam cerebelo ou tratos Piramidais. Esses podem ser estados temporários denominados de Choque Espinhal ou Choque Cerebral, dependendo da localização da lesão. A duração da depressão do SNC que ocorre com o choque é altamente variável, podendo ser de dias ou semanas. É normalmente acompanhada do desenvolvimento de espasticidade e de outros sinais do NMS.

Referências
CASH: Neurologia para fisioterapeutas. São Paulo: Premier, 2000.
MACHADO, Angelo. Neuroanatomia Funcional. 2 ed. Atheneu.
O’ SULLIVAN, S. Avaliação e tratamento. São Paulo: Editora Manole.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ramsay ou RASS, qual usar?

Avaliar o nível de consciência é fundamental para o planejamento terapêutico diário de Fisioterapia em pacientes críticos.
Esse parâmetro é essencial para que possamos determinar o nível de terapia a ser realizada. Muitos dos guias de Mobilização Precoce publicados levam em conta para a progressão da terapia, a Força Muscular e o Nível de Consciência.
Dentre as formas de se avaliar o nível de consciência, as escalas Ramsay e RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale) figuram como as mais utilizadas na prática clínica, por serem muito simples de se aplicar.


A escala de Ramsay tem pontuação de 1 (Acordado e Ansioso ou Inquieto ou Violento) a 6 (Sem resposta). O problema da escala de Ramsay figura justamente na sua pontuação de 1, pois ela enquadra Ansioso e Violento na mesma categoria, e o manejo dessas condições na UTI é totalmente diferente.


Já a RASS tem pontuação de -5 (Sem resposta) a +4 (Combativo, Violento). A intenção é sempre manter a dose da sedação para se conseguir um escore de -2 (Sedação Leve: Acorda rápido e mantém contato) a 0 (Alerta e Calmo), para nós, essa pontuação é muito importante, já que um paciente com Sedação Leve ou Alerta e Calmo, é muito mais suscetível a realizar Exercício Ativo (no mínimo Assistido) e a suportar um Modo Espontâneo de VM ou até mesmo realizar um Teste de Respiração Espontânea.

Além de avaliar o nível de consciência, a RASS faz parte do diagnóstico de Dellirum, que é uma disfunção cerebral aguda com repercussão funcional e na mortalidade, necessitando de diagnóstico e manejo rápidos. O Delliruim é diagnosticado pela escala CAM-ICU (Confusional Assessment Method - Intensive Care Unit) e a RASS precede a avaliação da CAM-ICU.
Então colegas, considerem utilizar a escala RASS na sua prática clínica.


Referências:

1- Nassar Junior APPires Neto RCde Figueiredo WBPark MValidity, reliability and applicability of Portuguese versions of sedation-agitation scales among critically illpatientsSao Paulo Med J. 2008 Jul;126(4):215-9.
2- Shehabi Y, Riker RR, Bokesch PM, Wisemandle W, Shintani A, Ely EW, SEDCOM (Safety and Efficacy of Dexmedetomidine Compared With Midazolam) Study Group. Crit Care Med. 2010 Dec; 38(12):2311-8.
3- Faria R da SB, Moreno RP. Delirium in intensive care: an under-diagnosed reality. Rev Bras Ter Intensiva. 2013;25(2):137-147.4- De Jonghe B, Cook D, Appere-De-Vecchi C, Guyatt G, Meade M, Outin H. Using and understanding sedation scoring systems: a systematic review. Intensive Care Med. 2000;26(3):275-85. 

Atuação da fisioterapia pediátrica no contexto hospitalar - por Sandra Omori Sakuma (Fisioterapeuta Hospital Pequeno Príncipe)

Os principais objetivos da atuação do fisioterapeuta em um hospital são os de minimizar os efeitos da imobilidade no leito, prevenir e/ou tratar as complicações respiratórias e motoras bem como promover integração sensório- motora e cognitiva.
O paciente, seja ele clínico ou cirúrgico, pode apresentar-se em diversas condições de saúde, com isso, conforme as necessidades apresentadas pela criança prioriza-se determinadas técnicas, visando maior efetividade nas condutas e na utilização dos recursos disponíveis. Dessa maneira participa-se ativamente na recuperação do paciente, e conseqüente redução no seu período de permanência de internação hospitalar.
Como conseqüência da imobilização, o paciente torna-se descondicionado, o que reduz sua capacidade de executar exercício aeróbico diminui sua tolerância aos esforços e pode comprometer o desmame de pacientes submetidos a períodos prolongados de ventilação mecânica. A imobilização mais a incapacidade de deslocar secreção pulmonar adequadamente favorece complicações respiratórias como atelectasias, pneumonias, às vezes necessitando de intubações e traqueostomias.
A fisioterapia está indicada objetivando higiene brônquica, melhora da oxigenação, além da melhora da mecânica respiratória.
O prolongado tempo de internação, posicionamento inadequado com falta de mobilização predispõe a modificações morfológicas dos músculos e tecidos conjuntivos. Em alguns casos encontramos: alterações no alinhamento biomecânico, comprometimento de resistência cardiovascular, que ocorrem em exigências funcionais para realização de movimentos coordenados. Evoluindo com contraturas articulares, diminuição do trofismo e força muscular, e aparecimento de úlceras de pressão. O fisioterapeuta atuando sobre os efeitos deletérios da hipo ou inatividade do paciente acamado no âmbito hospitalar contribui na redução da taxa de mortalidade, taxa de infecção, tempo de permanência na UTI e no hospital, índice de complicações no pós-operatório.
Um outro fator essencial à criança é a estimulação adequada, pois o seu desenvolvimento está diretamente relacionado ao conhecimento adquirido através da vivência e experiência cotidiana, assim os diversos problemas vivenciados pela criança influem diretamente em seu bem estar presente e futuro.
É fundamental que o fisioterapeuta além da preocupação quanto a melhora da capacidade respiratória e motora, estimule os sistemas vestibular, auditivo, visual, táctil e proprioceptivo.
Também orientar os pais em observar melhor seus filhos, chamando atenção nos gestos destas crianças, procurando resgatar: movimentos adequados com maior eficiência, favorecendo maior movimentação e promovendo o desenvolvimento da percepção espacial, consciência corporal, exploração do ambiente e interação social. Objetivando a incorporação destas combinações a vida cotidiana, antes que os modelos anormais se fixem. Isso mostra a importância da intervenção precoce, orientando pais e a equipe multiprofissional, promovendo assim, um intercâmbio de informações dentro das unidades hospitalares com o intuito de sensibilizar a equipe em fazer a prevenção, cada qual em sua área, criando agentes mediadores, multiplicadores de informações, conceitos e metas em diversas especialidades, aumentando a abrangência dos programas de saúde, educando e informando os grupos de atendimento. Interagir respeitando as características individuais através de um atendimento globalizado, sabendo-se que cada ser reage à mesma situação de maneira diferenciada, reconfortando o paciente e a família.

A importancia da força muscular no futsal

O futsal é uma das modalidades que mais exige da parte física, onde autores demonstram através de artigos científicos que a demanda física na execução das ações dentro de jogo é alta e extremamente desgastante.
Alguns artigos mostram que por volta de 80% do tempo de jogo, se tem aproximadamente utilização de 85% da frequência cardíaca máxima, ou seja, uma alta utilização do sistema cardiovascular favorecendo a utilização de ambos metabolismos aeróbio ou anaeróbio.

Com isso a necessidade de se realizar um trabalho específico nas musculaturas envolvidas nas ações inerentes ao jogo se torna essencial. Para isso deve-se trabalhar de forma progressiva e contínua todas as estruturas que permitem ao atleta realizar seus movimentos e aplicação máxima de todas as capacidades motoras.
Através do trabalho de força aplicado durante toda a temporada, controlando as cargas e as reavaliando, o profissional responsável pela parte física deve elaborar um programa que abranja todas as variáveis que a capacidade força possui. Por isso é necessário se executar atividades que estimulem a resistência, a força máxima ou força pura e a potência.


A resistência muscular permite a célula muscular realizar contrações voluntárias durante um determinado período de tempo. Se esta for trabalhada de forma correta favorece à adaptações necessárias e essenciais à musculatura para que ela suporte de uma forma equilibrada e mais prolongada os estímulos propostos. Ela é a base para todo o trabalho que será feito durante toda a temporada e permitirá uma condição básica e imprescindível ao atleta.
Já a força máxima ou força pura, tem por característica favorecer o crescimento do músculo (hipertrofia) e favorecer maior utilização de unidades motoras (ligação entre nervo e músculo), além de adaptações como aumento da produção de proteínas e enzimas próprias do metabolismo anaeróbio que é predominante neste caso; além disso causa o aumento da relação neural entre músculos agonistas (atuantes) e antagonistas (opositores).
A potência se dá pela relação entre a força e a velocidade. Neste caso é uma das variáveis mais importante haja visto que a modalidade futsal possui ações repletas de mudanças de direção, aceleração, frenagem que exigem grande condicionamento da parte física e mais especificamente da parte muscular.
Todo este trabalho deve ser bem distribuído e planejado, porém se não forem respeitados os momentos de recuperação e mesmo a aplicação dos estímulos pós jogos e treinos podem infringir os princípios biológicos e prejudicar o andamento e progresso de todo processo de desenvolvimento muscular.
 E talvez o grande ponto dentro de todo processo da preparação física, a necessidade da aplicação de atividades relacionadas à prevenção das lesões. Através de exercícios que foquem a região do core (abdominais, quadril e dorsais), além da propriocepção favorecem os estímulos àquelas musculaturas mais internas e mais difíceis de serem estimuladas pelos exercícios convencionais. 
Através da aplicação de exercícios que estimulem a região pubiana, lombar, adutora favorecemos aos atletas uma maior condição para que este possa suportar os novos estímulos a que ele será exigido e devido as características do futsal  altamente utilizadas.

SUPER COLETE ELÉTRICO: O SEGREDO DE BOLT, BENZEMA E DA SELEÇÃO ALEMÃ DE FUTEBOL

Máquina vira moda na Espanha e ganha notoriedade depois de post de atacante francês do Real Madrid. São tempos modernos. A tecnologia tem mais importância no desenvolvimento do esporte e na transformação de atletas em praticamente super-heróis. Sair na frente e descobrir uma novidade antes dos outros pode até ser vantagem na hora de subir no pódio. 
Na Espanha, a moda do momento no mundo fitness é o colete eletroestimulante, que ganhou grande visibilidade após o atacante Benzema, do Real Madrid, postar uma foto o utilizando. Neste competitivo mundo, é de praxe tentar até manter segredo quanto à utilização de novas tecnologias ou formas de recuperação. Cristiano Ronaldo e Rafael Nadal, do tênis, utilizam uma esteira criada pela Nasa, por exemplo, mas nunca apareceram em fotos com o "brinquedo". O colete, no entanto, passou por um "boom" nos últimos dois anos e começou a aparecer conforme virou o queridinho de atletas como Usain Bolt e do departamento médico do Bayern de Munique que o utiliza com todos os seus atletas. 
O equipamento tem influenciado nos tempos do homem mais rápido do Mundo, ajuda os alemães que fizeram a base da seleção campeã da Copa do Mundo e ganharam do Brasil de 7 a 1, e colabora com a boa fase de Benzema no setor ofensivo do Real. A máquina completa, que envolve parte de membros superiores e inferiores, e um controle de intensidade de carga elétrica para cada músculo, custa em torno de R$ 50 mil - e não é o tipo de instrumento que pode ser comprado e utilizado sozinho, sem o acompanhamento de um especialista. 


Embora o objetivo inicial fosse ser um instrumento caseiro, para fins terapêuticos e tratamento de celulite, e depois tenha se descoberto o potencial com atletas de ponta. Tudo se baseia no processo elétrico do corpo, e o colete tem a função de acelerá-lo. Quando você faz exercícios na academia, a comunicação entre músculos e cérebro já é um processo de geração de energia. Entretanto, em uma atividade de uma hora e meia a duas horas, mesmo de um atleta de ponta, consegue-se utilizar no máximo 50% da capacidade das fibras musculares. A utilização do colete faz com que a eletricidade penetre no restante e faça com que uma capacidade de até 90% seja alcançada. 
Como isso funciona? Por choques elétricos. Não são choques fortes, mas a sensação pode chegar a ser um pouco desconfortável em uma primeira experiência, como encostar em um fio mal encapado. A regulação da intensidade disso varia de acordo com o nível do atleta, seja iniciante ou de elite. A roupa é molhada e o colete, extremamente apertado para otimizar a condução da corrente elétrica. A cada quatro segundos, a pessoa recebe uma descarga em seus músculos. 
- O que surpreendeu Benzema e Usain Bolt é que, mesmo sendo atletas de alto nível, puderam ainda assim melhorar o rendimento com o colete. Isso é o que chama atenção. E não ajudamos só eles, já atendemos desde atletas de MMA até os de golfe. Cada modalidade recebe um trabalho específico - explica Francis Borrell. - Um jogador de futebol, que trabalha muito as pernas diariamente recebe atenção maior nos membros inferiores. Um lutador de MMA faz exercícios para desenvolver elasticidade, reflexo, e força máxima. Assim atendemos a todos em altos níveis de exigência - compara David Estruc. 
Democrático, intenso e prático. Os treinos com o colete são tão fortes que, mesmo para atletas profissionais, são realizados apenas duas vezes por semana, e por um período de 20 minutos. Embora não pareça um exercício tão forte, o estímulo enviado ao cérebro é de uma prática muito mais potencializada, que traz resultados maiores. A rapidez é outro atrativo para clientes, desde não atletas, que possuem pouco tempo de intervalo, a jogadores como Benzema, que possuem agenda apertada. Por isso, o recente "boom" na utilização. - É importante lembrar que não se trata de uma máquina mágica. Ela pode deixar sua vida e seu corpo melhores, mas é um complemento. Você deve misturá-la com uma padrão de vida saudável, alimentação regular, e intercalar com a prática de outros esportes, seja qual for o seu favorito, a corrida ou o futebol - ressalta Estruc.

Aeróbio X Anaeróbio: qual deles é melhor na batalha contra o emagrecimento?


O emagrecimento é atualmente o objetivo mais procurado nas academias e em qualquer outro ramo de atividade que envolva exercícios físicos. Com o crescimento do mercado fitness, diversos produtos ficaram disponíveis nas prateleiras. E eles apresentam as mais diversas promessas, como melhorias no condicionamento, saúde, performance, qualidade de vida, hipertrofia, definição e emagrecimento.

Mas os alimentos disponíveis pelas indústrias não são essa maravilha toda (mas esse é um assunto a se discutir em outro momento). E com o mundo engordando, as pessoas passaram a procurar novas receitas mágicas, chamadas exercícios (para o benefício de todos), a fim de queimar essas gordurinhas conquistadas.

Com a procura cada vez maior pela prática de exercícios, uma dúvida comum surge: o exercício aeróbio ou o anaeróbio permite emagrecer mais?

O treinamento aeróbio foi associado ao emagrecimento desde seu surgimento, em 1970, com Kenneth Cooper. Desde então, pessoas se matam nas esteiras em exercícios de longa duração e baixa intensidade.  Tanto em 1970 quanto atualmente, essa prática traz problemas musculares e articulares, sendo mais significativos que a conquista do tão sonhado objetivo de perder peso. A diminuição da massa muscular, provocada pelo baixo estímulo do sistema muscular, do gasto calórico em repouso e a flacidez são sintomas da diminuição do peso muscular e aumento ou manutenção do peso de gordura, sendo classificados os adeptos a esse tipo de treino de falsos magros.

Por outro lado, o anaeróbio é um forte combatente quando o assunto é queima de gordura, tendo em vista o seu tempo de duração, que é muito menor e de intensidade muito maior, se comparado ao treinamento aeróbio. Neste caso, quanto menor o tempo maior será a intensidade. A consequência disso é uma maior queima calórica em menor tempo, provocando um reflexo chamado de EPOC (consumo excessivo de oxigênio pós-exercício), que de imediato queima uma grande quantidade de gordura juntamente com o aumento da TMR (taxa metabólica de repouso). Esta taxa, a qual todos se referem como metabolismo, tem seu aumento significativo em repouso. Sendo assim, as calorias continuam sendo gastas enquanto se está em repouso, dormindo, assistindo TV, lendo um bom livro; e esse gasto dura, de acordo com a literatura, até 49 horas.

Então, o treinamento anaeróbio parece ser realmente melhor para a queima de gordura do que o aeróbio, certo? Sim, correto! Mas qualquer pessoa pode praticar esse treinamento com uma intensidade alta?

Essa é outra questão levantada por vários praticantes, que trazem medo na hora da escolha do tipo de treinamento. Encontram-se significativos problemas posturais e de saúde que comprometem a prática do estilo. Porém, não será a intensidade ou método quem vai machucar, mas sim a disponibilidade de um acervo motor e preparação. Este preparo, que muitos chamam de adaptação, deve ter uma grande importância.  A adaptação deve ser fiel ao treino que será realizado, sendo assim, para melhorar o treinamento anaeróbio, é preciso treinar anaeróbio e não aeróbio.

Dúvidas existentes entre aeróbio e anaeróbio, fazem profissionais da saúde nas academias usarem limiares de frequência cardíaca como referência, para a identificação tanto das zonas aeróbias quanto das anaeróbias. E esses limiares aeróbios chegam até 70% da frequência cardíaca máxima. Já os anaeróbios, ficam acima dos 70% da frequência cardíaca máxima.

Encontrado os limiares de exercícios como corrida na esteira, escada, transport, bicicletas de spinning ou cicloergômetros, que são diretamente ligados ao treinamento aeróbio, eles passarão a ser anaeróbios quando sua intensidade atingir o valor superior ao 70% da frequência cardíaca máxima (a musculação e o treinamento funcional seguem o mesmo exemplo).

Portanto, o emagrecimento está ligado à intensidade e treinar intenso todos podem. Porém, respeitando seus limites físicos quando se trata de desvios posturais e problemas de saúde em geral. Além disso, é importante uma boa dieta e exames periódicos de sangue para detectar desequilíbrios no sistema hormonal e facilitar os resultados. Receita data, agora procure um professor de educação física e inicie seus treinos!

SHANTALA, O TOQUE DO BEM-ESTAR


Quem não gosta de massagem? Pois você sabia que existe um tipo de massagem especial para bebês? A shantala! Essa técnica, na verdade, é milenar na cultura indiana, porém foi trazida ao conhecimento de um público maior por meio da viagem do médico obstetra francês Frederick Leboyer a Calcutá, na Índia, na década de 1970. Lá o médico assistiu a uma mãe enquanto ela realizava a massagem em seu filho – essa mãe se chamava Shantala! Daí o nome da técnica, que passou a ser retratada pelo médico em seu livro assim que ele retornou a seu país.
A massagem pode durar entre 15 e 30 minutos e os bebês a partir de três semanas de idade já podem receber a técnica. Os movimentos são lentos, suaves, com pressão leve a moderada. Nos membros, lembram o movimento de torção de uma toalha; as mãos da mãe devem deslizar suavemente por toda a superfície massageada, não se esquecendo nem mesmo do rosto do bebê.
Entre os benefícios que a massagem pode oferecer, a shantala traz como diferencial a conexão forte entre mãe e bebê por meio do contato suave e prolongado. É um momento de calmaria e relaxamento para ambos. Lembrem-se, mamães, que o importante é o amor e o carinho com seu pequeno, podendo a shantala ser mais uma ferramenta que possibilite essa pausa no dia a dia de mãe e bebê.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Fatores prognósticos de não-sucesso em pacientes com ciatalgia e hérnia de disco

Anne J Haugen, Jens I Brox, Lars Grovle, Anne Keller, Bard Natvig, Dag M Soldal, Margreth Grotle. Prognostic factors for non-success in patients with sciatica and disc herniation. BMC Musculoskeletal Disorders 2012, 13:183.
http://issuu.com/fisioterapia_manual/docs/bmc-musculoskeletal-disorders-03/11?e=6472131/3024676


Esta foi uma pesquisa multicêntrica realizada na Noruega entre 2005 e 2006, coordenada pela médica reumatologista Anne Haugen para obtenção do título de PhD. O principal objetivo da pesquisa foi descobrir quais os fatores que estão relacionados ao não-sucesso do tratamento conservador (não-cirúrgico) após 1 e 2 anos de acompanhamento.

Os pacientes de 4 hospitais do sudeste da Noruega foram convidados a participar do estudo. Ao todo, foram 466 pacientes com ciatalgia e hérnia de disco lombar. Eles responderam os questionários sobre fatores prognósticos no dia da inclusão na pesquisa, e questionários sobre sucesso do tratamento no 3º, 6º, 12º e 24º mês. Desses pacientes, 120 se submeteram à cirurgia para hérnia discal durante o período da pesquisa, 81% destes nos 3 primeiros meses de acompanhamento. Além desses, 57 deixaram de responder os questionários no 12º mês, e 86 não responderam ao questionário no 24º mês.

Entre os pacientes tratados cirurgicamente, 35% não tiveram sucesso com o tratamento após 1 ano e 39% não tiveram sucesso após 2 anos. Entre os tratados sem cirurgia, 47% não tiveram sucesso após 1 ano, e 39% não tiveram sucesso após 2 anos.

No entanto, o principal achado da pesquisa não foi o índice de não-sucesso dos tratamentos (até porque não houve critério metodológico no tipo de procedimento cirúrgico nem no procedimento conservador), mas os fatores prognósticos para o não-sucesso.

Após 1 ano, os fatores prognósticos para não-sucesso do tratamento foram as queixas subjetivas de saúde no último mês (p. ex. dor muscular, dor de cabeça, dor/desconforto no estômago, ondas de calor, palpitações, problemas de sono, cansaço, tonturas, ansiedade e depressão), homens, fumantes, pacientes com altos escores de dor lombar, fraqueza muscular no exame clínico, e pacientes que não se submeteram a cirurgia. Após 2 anos, os seguintes fatores foram estatisticamente significativos: as queixas subjetivas de saúde no último mês, longa duração da lombalgia e ciatalgia, fraqueza muscular no exame clínico, fumantes e cinesiofobia (medo de movimentar-se).

A pesquisa conclui que fatores psicossociais são mais importantes para determinar o prognóstico a 1 e 2 anos nos casos de ciatalgia e hérnia discal do que as disfunções e sintomas da ciatalgia. Dentre esses fatores, destacam-se as queixas subjetivas de saúde no último mês, a cinesiofobia e a duração dos sintomas. Os autores da pesquisa referem que estas informações não são comumente coletadas na consulta inicial desses pacientes, mas deveriam, já que devemos nos preocupar com a melhora do paciente não apenas a curto prazo, mas também a longo prazo. “Fatores e tratamentos que melhorem o resultado a curto prazo são importantes para o paciente e para a sociedade, mas pode ser até mais importante identificar os fatores que predizem resultados a longo prazo em um estágio precoce, de modo a ajudar o paciente a resolver seus problemas.”

A posição do quadril no SLR influencia na ativação entre o glúteo médio e o tensor da fáscia lata?

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Fraqueza do Glúteo Médio (Gmed) está associada com algumas lesões da extremidade inferior, incluindo síndrome de fricção da banda iliotibial e síndrome da dor femoropatelar. Nós, clínicos usamos diversos exercícios de fortalecimento para os abdutores do quadril tais como o SLR em decubito lateral(DL), apoio unipodal, deslocamento lateral com theraband, e os hops laterais.

Entre muitos exercícios, o SLR em DL é muito usado, principalmente na fase inicial de um programa de reabilitação, progredindo mais tarde para exercícios mais funcionais como os de apoio unipodal. Músculos sinergistas como o quadrado lombar e o tensor da fáscia lata (TFL) podem ser ativados durante o SLR em DL. Um estudo prévio demonstrou que o uso do PBU (Stabilizer®) durante o SLR em DL diminue a participação do TFL e aumenta a atividade do Gmed. No entanto, não há nenhum método reportado que evite a atividade excessiva do TFL (a não ser um boa orientação).

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Pessoas com fraqueza do Gmed podem compensar com a ativação do TFL durante a realização do SLR em DL. Quando o TFL é ativado para compensar um Gmed fraco, ele pode tornar-se dominante por uso repetitivo. Um TFL dominante pode contribuir com dores no quadril, na lombar e no aspecto lateral do quadril.

O estudo de Lee et al (2013) teve como objetivo determinar os efeitos de diferentes rotações do quadril (SLR neutro(SLRN), rotação medial(SLRRM) e rotação lateral(SLRRL)) no plano transverso na atividade EMG do Gmed e TFL e ainda investigar a relação de ativação Gmed:TFL. 20 estudantes saudáveis participaram do estudo.

Os resultados mostraram que o SLR RM resulta em maior ativação do Gmed e maior raio de ativação Gmed:TFL, isto é, o Gmed está mais ativo que o TFL quando o quadril estiver em Rotação Medial durante o SLR em DL. É ISSO MESMO!!!! ROTAÇÃO MEDIAL. McBeth et al (2012) investigou o SLR com rotação lateral com o raciocínio de se ter uma maior ativação do Gmed que é um rotador medial. Os resultados contrariaram o raciocínio, a atividade do TFL aumentou ao passo que ado Gmed diminuiu.

A explicação dos autores é que com o quadril rodado lateralmente, a gravidade exerce um “pull” (puxa) o quadril para uma extensão e coloca a linha de ação do TFL em uma posição mais anterior ao eixo do quadril. Desta forma o TFL pode contrair mais contra a gravidade comparado ao Gmed durante o SLRRL em DL. Um possível mecanismo para explicar o achado do estudo (Gmed mais ativo no SLRRM) é que o Gmed foi colocado na sua posição mais alta numa secção cruzada (cross-section) da coxa superior quando a contração isométrica era mantida. Assim, o Gmed estava numa posição favorável para ser ativado para sustentar o SLRRM isométrico e contrabalancear o pull para baixo da gravidade. Outra explicação para este achado, o GMed tentaria contraagir o rolamento anterior da pelve no plano transverso.

O estudo também demonstrou que o SLRRM é o melhor exercício entre os 3 SLR para aumentar o raio de ativação muscular Gmed:TFL. Os autores relatam que todas as precauções para evitar o crosstalk foram tomadas para maximizar a confiabilidade do sinal EMG.

Fisioterapia em atletas: lesões mais recorrentes

Diferentes tipos de lesões podem acometer os atletas e, normalmente, são divididas de acordo com as estruturas afetadas: músculo-tendinosas, articulares, ósseas e assim por diante, e estão relacionadas com a biomecânica e treinamentos inadequados, alterações anatômicas, disfunções fisiológicas, uso de vestimentas e calçados não apropriados ao tipo de esporte praticado e acidentes.

Conforme o tipo de esporte praticado, elas distinguem-se quanto às principais regiões acometidas, estruturas envolvidas, gravidade e características específicas. Abaixo estão listadas as mais frequentes:

 Lesões e principais acometimentos músculo-tendinosos:
– Bursite: inflamação da bursa (saco cheio de líquido que protege as estruturas contra as demais do atrito) devido a trauma direto, fricção repetida ou infecção.

– Contratura: Encurtamento patológico das fibras musculares (cãibra forte) inibindo o alongamento do músculo a fim de proteger as estruturas envolvidas (articulação, ligamentos, etc.).

– Estiramento muscular: Lesão indireta (laceração) em músculos e tendões devido ao alongamento ou estresse excessivo das fibras envolvidas.

– Fascíte: Inflamação da fáscia muscular (estrutura de sustentação). Geralmente ocorre em corredores na planta dos pés.

– Tendinite: Inflamação do tendão devido a alterações biomecânicas e/ou microtraumatismos repetidos. O tendão pode sofrer espessamento comprometendo sua função.

 Lesões ligamentares, capsulares e outras estruturas articulares
– Entorses: A articulação é alongada além de seu limite anatômico, resultando em estiramento dos ligamentos.

– Sinovite: Inflamação da membrana sinovial, responsável pela secreção de líquido sinovial (“lubrificante” da articulação).

– Subluxação articular: Perda parcial do contato das superfícies articulares em conseqüência a forças de tensão excessivas. Podem retornar espontaneamente ao seu alinhamento.

– Luxação articular: Perda total do contato das superfícies articulares com presença de deformidade. É necessária a redução (realinhamento) realizada por um médico.

– Osteoartrite: Degeneração das superfícies articulares devido a microtraumatismos sucessivos.

 Lesões ósseas
– Fratura: Ruptura de um osso. Os tipos de fratura variam de acordo com o mecanismo de ação das forças: transversais, expostas, compressivas, avulsão, etc.

O tratamento com Fisioterapia
Os tipos de tratamentos escolhidos dependem da causa da lesão (como e quando), principais regiões acometidas, seu estágio e características específicas. Para uma terapia otimizada, é importante que se realize uma avaliação detalhada do conjunto da lesão juntamente com uma equipe especializada (médicos, fisiologistas, fisioterapeutas, etc).