Faculdade Mario Schenberg

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Diagnóstico por imagem - casos clínicos

Olha pessoal que bacana, o site Radiologia do Esporte disponibiliza exames radiológicos de diversos casos clínicos. Muito bom mesmo!
Clique nos casos, vejas as imagens médicas e saiba mais sobre as lesões nos esportes. 

:: caso#137 - Fratura por avulsão da tuberosidade maior do úmero - caiu da bicicleta e...
:: caso#136 - Ruptura parcial do m. sóleo e síndrome do estresse tibial medial - corredor...
:: caso#135 - Impacto posterior do tornozelo - dor crônica no futebol e na caminhada...
:: caso#134 - Ruptura completa do tendão distal do bícecps braquial - arremessou a bola e...
:: caso#133 - Tendinopatia do fibular curto, rotura parcial e tenossinovite - dor no futebol...
:: caso#132 - Fratura por estresse da tíbia - corredor de 47 anos com dor na perna há...
:: caso#131 - Entorse do cotovelo, fratura do rádio, OA e lesões associadas - judoca luxou o...
:: caso#130 - Alterações ósseas em esportistas II - jogador de futebol profissional com dor...
:: caso#129 - Ruptura do ligamento colateral lateral - lutador de jiu-jitsu torceu o joelho na...
:: caso#128 - Fratura por avulsão no quadril - adolescente chutou a bola no jogo de futebol...
:: caso#127 - Luxação anterior do ombro e lesão do lábio glenoidal - dançarina apoiou o...
:: caso#126 - Fasceíte plantar e outras três lesões no pé - atleta de arremesso de martelo...
:: caso#125 - Coalizão tarsal talo-calcaneana - dor no tornozelo após treino de voleibol...
:: caso#124 - Ruptura completa do LCA e lesões associadas - entorse na luta de jiu-jitsu e...
:: caso#123 - Osteoartrose do joelho na TC - jogador profissional de futebol com um joelho...
:: caso#122 - Tendinopatia crônica patelar bilateral - corredor com dor nos dois joelhos há...
:: caso#121 - Ruptura do complexo ligamentar lateral do cotovelo - nosnowboard caiu e...
:: caso#120 - Ruptura parcial do músculo vasto intermédio - chocou-se no futebol com o...
:: caso#119 - Fratura por avulsão da eminência intercondilar da tíbia - torceu o joelho e...
:: caso#118 - Luxação acromioclavicular grau III - desceu muito rápido na tirolesa e bateu...
:: caso#117 - Tendinopatia crônica do bíceps braquial com ruptura parcial - musculação e...
:: caso#116 - Ruptura completa do músculo reto femural - jogador de futebol chutou a bola...
:: caso#115 - Fratura por estresse na tíbia - sedentária recomeçou a correr há 1 mês e...
:: caso#114 - Tendinopatia crônica do calcâneo e impacto posterior do tornozelo - saltadora...
:: caso#113 - Ruptura da cabeça longa do bíceps femural - sentiu "estiramento" no futebol...
:: caso#112 - Fratura por estresse da fíbula - caminhava e corria na esteira, mas teve dor...
:: caso#111 - Ruptura isolada do ligamento colateral lateral do joelho - chutou a bola e...
:: caso#110 - Avulsão da tuberosidade maior do úmero - wakeboarder caiu na água e bateu...
:: caso#109 - Ruptura da transição mio-tendinosa do peitoral maior - um supino de 145kg e...
:: caso#108 - Luxação lateral da patela e lesão osteocondral no fêmur - entorse no futebol...
:: caso#107 - Ruptura completa do tendão de Aquiles - sentiu uma "fisgada" no futebol e...
:: caso#106 - Lesões de Hill-Sachs e Bankart - nadador luxou o ombro várias vezes e...
:: caso#105 - Rupturas musculares crônicas e aguda na coxa - há 8 anos jogador de futebol...
:: caso#104 - Fratura da falange proximal do polegar e lesão ligamentar - jogador de rúgbi...
:: caso#103 - Tendinopatia ísquio-tibial e do glúteo mín. e bursite trocantérica - maratonista...
:: caso#102 - Ruptura do tendão fibular longo e lesão mio-tendinosa - dor no futebol após...
:: caso#101 - Tendinopatia crônica supra-espinal com rupturas, OA AC e bursite - nadador...
:: caso#100 - Fratura por estresse na tíbia, condromalácia patelar - corredora fez ginástica...
:: caso#99 - Fratura por estresse em colo de fêmur - corredora há 5 anos, agora com dor no...
:: caso#98 - Lesão osteocondral no côndilo femural lateral - torceu no futebol há meses e...
:: caso#97 - Rupt. completa do t. adutor longo e parcial do m. grácil - defendia no handebol...
:: caso#96 - Ruptura completa do tendão calcâneo - tentou alcançar uma bola no squash e...
:: caso#95 - Fratura do sustentáculo do tálus - biker errou no 360°, torceu o tornozelo e...
:: caso#94 - Tendinopatia do calcâneo, ossificação e Haglund bilateral - tênis todos os dias e...
:: caso#93 - Fratura por avulsão da espinha ilíaca anterior inferior - jovem atleta de futebol...
:: caso#92 - Ruptura do enxerto para LCA e lesão tipo alça de balde - mais uma entorse...
:: caso#91 - Ruptura parcial do músculo adutor longo bilateral - lesou duas vezes no futebol...
:: caso#90 - Luxação lateral da patela, lesão ligamentar e condral - entorse no futebol...
:: caso#89 - Fratura do processo lateral do tálus - entorse na bicicleta ergométrica (!?)...
:: caso#88 - Fratura Salter-Harris tipo I no fêmur - adolescente torceu joelho no futebol...
:: caso#87 - Ruptura aguda da fáscia plantar - dois pacientes sentem "estalo" no pé...
:: caso#86 - Fratura por avulsão da tuberosidade isquiádica - bailarina errou no espacate...
:: caso#85 - Ruptura do ligamento colateral medial do cotovelo - capoeirista apoiou a mão...
:: caso#84 - Luxação acromioclavicular grau III - um mountain biker, uma trilha, um buraco...
:: caso#83 - Lesão da sindesmose tíbio-fibular distal - esquiador na neve torceu o tornozelo...
:: caso#82 - Desinserção completa do tendão semitendinoso - jogador prensou a bola e...
:: caso#81 - Tendinopatia crônica supra-espinal e OA AC bilateral - esquiador aquático...
:: caso#80 - Fratura por estresse na tíbia - corredora caminhou até Santiago de Compostela...
:: caso#79 - Ruptura completa do t. distal do bíceps braquial - jogador de rúgbi bloqueou...
:: caso#78 - Tendinopatia do calcâneo e do fibular curto - corredor com dor...
:: caso#77 - Impacto fêmuro-acetabular e OA do quadril - surfe, corrida e natação...
:: caso#76 - Ombro doloroso (lesões variadas) - longa história de musculação...
:: caso#75 - Fratura do rádio distal e lesão ligamentar - queda no basquetebol...
:: caso#74 - Síndrome do pinçamento anterior e osteoartrose do tornozelo - dor no futebol...
:: caso#73 - Desinserção dos tendões ísquio-tibiais - lesão no futebol...
:: caso#72 - Lesão tipo ALPSA na instabilidade gleno-umeral - luxação nomountain biking...
:: caso#71 - Doença de Osgood-Schlatter - adolescente que joga bola todo dia...
:: caso#70 - Ruptura parcial do músculo peitoral - exercício de supino foi demais...
:: caso#69 - Impacto posterior do tornozelo bilateral - bailarina com dor crônica...
:: caso#68 - Desinserção completa do tendão da cabeça direta do reto femural - futebol...
:: caso#67 - Fratura por estresse no calcâneo, bilateral - corredora e carnavalesca...
:: caso#66 - Lesões meniscais variadas - corredor e praticante de ginástica...
:: caso#65 - Tendinopatia distal do bíceps braquial com ruptura parcial - jogador de biribol...
:: caso#64 - Pubeíte (osteíte púbica) - atacante profissional de futebol com pubalgia...
:: caso#63 - Lesão do canto póstero-lateral do joelho - entorse no futebol...
:: caso#62 - Fratura por estresse no calcâneo e m. sóleo acessório - corredora em esteira...
:: caso#61 - Ruptura parcial grau II da cabeça longa do bíceps femural - lesão no futebol...
:: caso#60 - Bursite retrocalcaneana, peri-tendinite e tendinopatia do calcâneo - corredor...
:: caso#59 - Fratura por estresse em metatarsiano - menina campeã de pular cordas, mas...
:: caso#58 - Lesão de Perthes e instabilidade gleno-umeral crônica - luxação recidivante...
:: caso#57 - Ruptura total do tendão calcâneo - lesão no voleibol...
:: caso#56 - Ruptura parcial do t. calcâneo e transição mio-tendinosa do sóleo - caminhante...
:: caso#55 - Instabilidade anterior do joelho e lesões associadas - entorse no futebol...
:: caso#54 - Lesão dos mm. obturadores externo e interno - bailarina com dor no quadril...
:: caso#53 - Lesão labral e cisto peri-labral - tenista recreacional com dor no ombro...
:: caso#52 - Lesões musculares e bursite trocantérica - corredora com dor no quadril...
:: caso#51 - Fratura por estresse do colo do fêmur - corrida em esteira e dor no quadril...
:: caso#50 - Fratura do processo transverso de L3 - goleiro recebe joelhada nas costas...
:: caso#49 - Síndrome de Haglund - professor de natação com dor no tornozelo...
:: caso#48 - Osteólise pós-traumática da clavícula - lutador de vale-tudo com dor no ombro...
:: caso#47 - Fratura do platô tibial - jogador de futebol torce o joelho...
:: caso#46 - Luxação acromioclavicular - judoca lesiona ombro durante luta...
:: caso#45 - Hematomas em partes moles - goleiro de futebol com dor no quadril...
:: caso#44 - Síndrome do trato íliotibial e condromalácia patelar - joelhos de uma triatleta...
:: caso#43 - Fratura por estresse em metatarsiano - corredora com dor após cura...
:: caso#42 - Ruptura completa do músculo reto femural - lesão no futebol...
:: caso#41 - Ruptura ligamentar e lesões associadas no joelho - entorse no voleibol...
:: caso#40 - Epicondilite lateral com ruptura de tendão- tenista com dor crônica no cotovelo...
:: caso#39 - Ruptura parcial do tendão quadríceps - lesão durante partida de futebol...
:: caso#38 - Desinserção completa do tendão adutor longo - dor na coxa após esporte...
:: caso#37 - Tendinopatia patelar - dor anterior no joelho no futebol...
:: caso#36 - Dor crônica em tornozelo e ombro - jogadora de tênis há 30 anos...
:: caso#35 - Pubeíte (pubalgia, osteíte púbica) - jogador de futebol com dor inguinal...
:: caso#34 - Rotura do m. reto femural - ou lesa numa ponta, ou na outra...
:: caso#33 - Rotura ligamentar e mio-tendinosa no cotovelo em jogador de handebol...
:: caso#32 - Lesão da fáscia plantar - corredor com dor aguda no pé...
:: caso#31 - Lesões ligamentares múltiplas no joelho, canto póstero-lateral...
:: caso#30 - Lesões musculares no ombro - jovem exagerou na musculação...
:: caso#29 - Lesão do lábio do acetábulo - dor crônica no quadril em um militar...
:: caso#28 - Fratura por estresse na ulna
:: caso#27 - Tendinopatia crônica do extensor comum (epicondilite lateral)
:: caso#26 - Tendinopatia insercional calcárea/peri-tendinite (bursite retro-calcaneana)
:: caso#25 - Ganglions císticos
:: caso#24 - Ruptura total do tendão supra-espinal
:: caso#23 - Ruptura total do músculo reto femural
:: caso#22 - Tendinopatia tibial anterior
:: caso#21 - Tendinopatia patelar
:: caso#20 - Lesão do ligamento colateral ulnar do polegar
:: caso#19 - Hipertrofia óssea no ísquio
:: caso#18 - Entorse de joelho em praticante de ginástica olímpica
:: caso#17 - Imagens em entorse de joelho
:: caso#16 - Alterações ósseas em esportistas
:: caso#15 - Ruptura do tendão do músculo adutor longo
:: caso#14 - Ligamento colateral medial
:: caso#13 - Bursite trocantérica
:: caso#12 - Doença de Osgood-Schlatter
:: caso#11 - Fratura por estresse no calcâneo
:: caso#10 - Síndrome compartimental crônica (perna)
:: caso#09 - Atletas de fim-de-semana - 2
:: caso#08 - Atletas de fim-de-semana - 1
:: caso#07 - Dor lateral no joelho
:: caso#06 - Fasceíte plantar
:: caso#05 - Ruptura total do tendão calcâneo - Tendões, parte III
:: caso#04 - Tendinopatia do Aquiles (calcâneo) - Tendinopatia, tendinite, tendinose
:: caso#03 - Jumper's knee I - Tendinopatia, tendinite, tendinose
:: caso#02 - Lesão de adutores
:: caso#01 - Fratura por estresse na tíbia
:: caso#00 - Espondilolise por estresse

Alterações e Adaptações no sistema cardiovascular


1. Introdução

O envelhecimento é um fator pertinente à vida de qualquer ser humano. Ele tem caráter fisiológico, conseqüentemente, vem acompanhado de diversas alterações nos sistemas funcionais. Nos tempos atuais, o treinamento de força em indivíduos na terceira idade tem sido foco de observações e resultados de diversas pesquisas de intuito científico, que concluem ser uma forma segura de aumentar a força muscular em qualquer idade (ACSM, 1998, 2002), em indivíduos saudáveis, portadores de comprometimentos cardiovasculares e idosos (POLLOCK et al., 2000; FLETCHER et al., 2001). Assim comprova-se sua eficácia, tanto na reabilitação como na qualidade de vida. Com base nesses dados, o IBGE destacou que no ano de 2030 o Brasil terá a sexta população mundial em número absoluto de idosos. Objetivando assim a introdução do treinamento de força nesses grupos para melhoras na qualidade de vida. A luz destas considerações serão discutidas de forma concomitante, de acordo com objetivo do estudo, as alterações cardiovasculares no envelhecimento e adaptações cardiovasculares resultantes em pessoas idosas submetidas ao treinamento de força. Com isso destacando total importância de incluirmos precocemente o treinamento de força, nos programas de saúde relacionados a essa população.


2. Pressão arterial

A pressão arterial é o do resultado do débito cardíaco multiplicado pela resistência periférica, ajustados para manter a pressão sanguínea em níveis abaixo de 120 mmHg sistólica e 80 mmHg diastólica (FREIS, 1960). A definição de pressão arterial (PA) conta-se da pressão exercida pelo sangue nas paredes dos vasos sanguíneos (COSTILL e WILLMORE, 1994). PA é definida por dois valores distintos, a PA distólica e a PA sistólica. O valor da pressão sistólica representa a mais alta mensurada nas artérias, que corresponde a sístole ventricular (ponto máximo de expulsão do sangue pelo ventrículo) do coração. O menor valor refere-se à pressão diastólica, e representa a reação das paredes arteriais sobre o sangue, que corresponde a diástole ventricular (ponto de fechamento da válvula aórtica) do coração. Em relação a novas classificações da pressão arterial, a IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2002. Demonstra os seguintes estágios:
De acordo com o avanço da idade, as alterações cardiovasculares são inevitáveis, em que a aorta e as grandes artérias apresentam paredes muito elásticas que se distendem com a sístole e impulsionam o sangue para as artérias, artériolos, capilares e veias, fenômeno que se dá durante a sístole ventricular e continua durante a diástole ventricular. Isto representa na prática, um segundo impulso de grande importância até os 50 anos de idade, quando então a aorta e as grandes artérias vão perdendo a sua elasticidade (LUNA, 2002; FLEG, 1986) e aumentam a rigidez pela infiltração do colágeno (ARAÚJO et al. 1999). Essa elasticidade dos vasos mantém a pressão sistólica em níveis normais, e a perda dessa capacidade contribui para a elevação dos níveis pressóricos na idade mais avançada.
Este fenômeno tornou-se mais importante quando recentes estudos mostraram que a rigidez desses vasos, condiciona o aumento da pressão arterial sistólica, enquanto a pressão arterial diastólica tende a ficar normal ou até baixar devido à redução da complacência dos vasos de grande capacitância (FRANKLISS,1999; FERRIER, 2001), conduzindo a níveis de hipertensão mais comum nos idosos, chamada de hipertensão sistólica isolada (consultar tabela 1.1) dentre esses estudos, estão BENETOS (1997) e DOMANSKY(1999) que concluíram através da amostra de pacientes entre 50 e 79 anos, elevados riscos cardiovasculares associados à maior pressão de pulso, ressaltando não só a importância da elevação da pressão arterial sistólica, mas também da redução na presença de pressão arterial diastólica. Segundo VASAN et al.(2002) divulgou que pessoas na idade adulta, apresentam 90% de risco de se tornarem hipertensas ao atingirem uma idade mais avançadas. TADDEI et al.(1997) destacaram em seu estudo que 53% das consultas analisadas em pacientes entre 65 a 96 anos foi devida à PA elevada, confirmando a prevalência de hipertensão arterial sistêmica nessa faixa etária. Acompanhando a mesma linha de pesquisa STARR et al.(1996) observou-se, através de 603 pacientes na faixa etária entre 70 e 88 anos, que os mesmos não relataram algum problema de saúde, não realizaram exames e não utilizaram nenhum medicamento regularmente, mas conseqüentemente relatou-se a presença de hipertensão. Quatro anos mais tarde foi verificada a morte de 69 pacientes (67 com atestados de óbito). De acordo com esses e outros dados o AMERICAN HEART ASSOC.(1989) detectou que além da hipertensão sistólica foi divulgado, através de dados, a hipertensão idiopática , ou seja , de origem desconhecida. Ela pode ser resultante de fatores genéticos, de uma dieta com altos teores de sódio, da obesidade, da inatividade física, do estresse psicológico, de uma combinação destes fatores, ou de outros fatores ainda por serem substanciados ou determinados. Complementando, é provável que a incidência da debilidade e da inutilização física funcional esteja associada similarmente com a pressão arterial elevada (HENDREIK et al. 1998). A partir de todos os estudos e relatos acima citados e um maior conhecimento de fisiopatologia, a Hipertensão persiste como sendo o maior fator de risco primário para doenças cardiovasculares em idosos (J.C.N. HIGH BLOOD PRESSURE, 1997; SANDER, 2002), Com esses estudos, foi também demonstrado que um dos grandes vilões como fatores de risco cardiovascular é o sedentarismo. Ele é comparável a hipertensão, hipercolesterolemia e tabagismo (WENGER,1996; POWELL et al., 1987) em que indivíduos com satisfatório condicionamento físico comparados a indivíduos sedentários, ambos com pressão arterial normal, os sedentários possuem um risco de 20% a 50% maior de desenvolvimento de hipertensão arterial (NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH, 1997). Dentro dessas estatísticas são mostradas as alterações de PA junto ao envelhecimento.
Durante o esforço, a pressão arterial sistólica aumenta em proporção direta ao aumento da intensidade dos exercícios impostos. Estudos relataram que a PAS inicia o treinamento a 120 mmHg em repouso, ultrapassa níveis de 200mmHg durante as respostas agudas, ou seja, aquelas que acontecem em associação direta com a sessão dos exercícios. Recomenda-se que o nível da PAS durante o esforço em hipertensos mantenha-se em torno de <>
De acordo com o estudo realizado por FERRIER et al.(2001) concluiu-se que o treinamento aeróbio moderado não obteve melhora na rigidez das artérias em pacientes portadores de hipertensão sistólica isolada, após 8 semanas de treinamento. Paralelamente LIMA et al.(1998) observou-se que o treinamento aeróbio não promove reduções e alterações significativas dos níveis pressóricos durante a monitoração. A partir desses relatos define-se que treinamento de força causa um impacto no sistema cardiovascular do idoso, promovendo adaptações crônicas, ou seja, respostas que resultam da exposição freqüente e regular das sessões de exercícios. Permitindo o desempenho de um trabalho submáximo com causas de menor stress cardiovascular. Esta informação é fundamentada de acordo com CONONIE et.al (1991) que avaliaram homens e mulheres 70 a 79 anos durante o período de 6 meses, que foram submetidos ao treinamento de força, consistindo em 1 série de 8 a 12 repetições em dez equipamentos, treinados 3 vezes por semana. A conclusão desse estudo determinou que os avaliados com pressões sanguíneas em torno de 140mmHg sistólica e 90mmnHg diastólica, reduziram em média 8 a 9 milímetros ao término da pesquisa. Foram beneficiadas as populações idosas com pressões sanguíneas elevadas. Paralelo a esse estudo WOOD et al.(2001) observaram os componentes cardiovasculares e o treinamento de força, sendo o estudo composto de 36 participantes com idade entre 60 e 84 anos, treinando 3 vezes por semana durante 12 semanas. Assim chegaram a conclusão da redução da pressão arterial no repouso e durante o exercício.
Outros estudos tem mostrado um efeito favorável do exercício dinâmico de força de leve a moderada intensidade na redução da PA em hipertensos. Isso foi observado após 2 semanas de treinamento, persistindo enquanto o individuo se mantém ativo. Com a interrupção do treinamento os níveis de pressão arterial retornaram a valores anteriores à prática dos exercícios de força. Talvez a conseqüência desses resultados seja pelo fato de o exercício dinâmico de força resulte em respostas vasodilatadoras, reduzindo a rigidez das artérias e força de propulsão do coração. Ficou esclarecido também que quanto maior a densidade capilar, maior será a acomodação dos componentes da pressão arterial (débito cardíaco x resistência vascular periférica).
Os exercícios de força de alta intensidade são evitados em populações idosas, de modo que não ocorra a manobra de valsava, definindo-se como o bloqueio respiratório que leva ao fechamento da glote interrompendo o retorno venoso para o coração. Assim surge como um componente perigoso em pacientes portadores de problemas cardiovasculares (CONS. NAC. REABIL. CARDIOV., 1997), elevando a pressão intratoráxica , com níveis exagerados da PAS e PAD a níveis substanciais .


3. Frequência cardíaca

Freqüência cardíaca (FC) destaca-se como o principal parâmetro que fornece as informações cardiovasculares(COSTILL e WILLMORE,1994), refletindo a quantidade de esforço que o coração deve realizar ao satisfazer as demandas aumentadas do corpo durante uma atividade. Os exercícios físicos progressivos, em todos os grupos de populações, provocam diminuição no sistema nervoso parassimpático e aumento no sistema nervoso simpático, responsável pelo controle da FC e a diminuição generalizada da atividade vagal durante o exercício. A freqüência cardíaca máxima apresenta um decréscimo de aproximadamente 6 a 10 bpm por década (POLLOCK et al.,1987), acompanhando este decréscimo o consumo de oxigênio reduz de 5 à 15% por década, após a idade de 25 anos (MAZZEO et al. 1998). A idade através dos parâmetros para investigações clínicas, hemodinâmicas ou de exercícios, é o determinante principal para avaliar a FC .A partir de relatos da tabela 2.1 abaixo, são destacados os níveis iniciais de treinamento em indivíduos sedentários, observando questões de maior stress no sistema cardiovascular de acordo com acréscimos na idade.
Adaptado do I Consenso Nacional de Reabilitação Cardiovascular; 1997- Arq. Bras. Cardiol
A idade associada ao declínio da atividade física desencadeia alterações cardíacas relacionadas ao sedentarismo, em que essas alterações assemelham-se às produzidas pelas doenças. Portanto, arritmias nos idosos não significam necessariamente a presença de doenças cardíacas, mas um fator de risco podendo chegar ao óbito. Além de responsáveis pela redução da FC, as arritmias registradas através da eletrocardiografia e que durante o treinamento de força o comportamento da FC apresenta níveis a baixo dos padrões, que promovem mínimos os riscos de isquemia do miocárdio (VERRIL e RIBISL, 1996). A partir do estudo de SAVIOLI et al.(1988) que objetivaram avaliar a ocorrência de arritmias em idosos através de eletrocardiografia, com idades entre 65 e 82 anos observaram que a freqüência cardíaca em repouso variava entre 45 a 75 bpm e as máximas entre 60 a 150 bpm. Seguindo o raciocínio TAMMARO et al.(1983) realizaram estudo, utilizando eletrocardiografia convencional em 605 pacientes com mais de 60 anos de idade. Nele detectaram arritmias em 33,2 % nos pacientes com mais de 75 anos e em 23,9 % dos pacientes com menos de 75 anos. Em alguns relatos, a FC alterada pode ser considerada como fator de risco, quando envolve a presença de taquicardia sinusal (FC > 100 bpm).
No idoso, a freqüência cardíaca de repouso tende a reduzir conforme os parâmetros de elevação da idade e aumenta em proporção direta ao aumento da intensidade dos exercícios impostos, sendo que não atinge freqüências cardíacas máximas (maior valor da freqüência cardíaca que se pode atingir num esforço máximo até o ponto de exaustão) e consumo de oxigênio máximo (defini-se como o maior valor de oxigênio consumido ao nível alveolar pelo indivíduo) durante o esforço, comparados com indivíduos mais jovens (LAKATTA, 1993; ARAÚJO et al., 1999). Observa-se que se ocorrerem aumentos significativos maiores do que a carga de esforço, com objetivo de atingir a FC máx., podem-se constatar sintomas de exaustão extrema acompanhados de sinais de hipoxia. O declínio do consumo de oxigênio observado com a idade é curvilíneo durante toda essa faixa etária, podendo destacar que a responsabilidade para essa redução, seria a massa muscular reduzida, a redução na habilidade do fluxo sanguineo e a habilidade dos músculos de utilizarem oxigênio (LAKATTA et al., 1990). Em indivíduos ativos, esta queda ocorreria mais lentamente caso tais indivíduos se mantivessem exercitando; enquanto nos sedentários, o declínio seria mais rápido inicialmente.
Acompanhando a afirmação, a tabela abaixo relata a capacidade aeróbia baseada no consumo de oxigênio de acordo com a idade:
Adaptado do American Heart Association; 1994
Acompanhando essa afirmação, durante a realização de um estudo HAGERMAN et al.(2000) comprovaram que o grupo de indivíduos entre 60 e 75 anos obtiveram melhoras significativas de consumo de oxigênio com o treinamento de força. Dentre os estudos mais recentes, organizados por OKAZAKI et al(2002) concluíram com sucesso, que idosos na faixa etária a partir de 64 anos, obtiveram aumentos progressivos do consumo de oxigênio diante de um treinamento de força, utilizando cargas entre 60-80% de 1 repitição máxima (RM), 2-3 séries com 8 repetições, treinando 3 vezes por semana, durante 18 semanas. Em relação ao aumento do consumo de oxigênio relativo em idosos, outros estudos demonstram conclusões semelhantes ao dos estudos acima citados (SPINA et al 1997; SEALS e CHASE, 1989; HAGBERG et al 1989; ARAÚJO et al.,1999; CARROL et al.,1995; FERKETICH et al., 1998). Entretanto não foi apresentado nenhum relato, envolvendo adaptações da FC em virtude do treinamento de força. De acordo com os relatos de inúmeras pesquisas, POLLOCK et al.(1987); LAKATTA (1990); FLEG (1986) destacaram que a redução do consumo de oxigênio com a idade é afetada pelo treinamento. A partir da realização destes ocorrem mudanças progressivas em suas taxas, parecendo não observar qualquer efeito sobre a FC máx., em que a mesma declinava-se com a idade, independente do treinamento.
A prescrição de exercícios a partir de avaliações de membros superiores em relação a membros inferiores envolve desvantagens, tais como: utilização de uma menor massa muscular; com isto, o consumo de oxigênio é reduzido em até 20 ou 30% e também resultado em menor esforço da FC (FRANKLIN, 1985), sendo assim ALONSO et al, (1998) comentam que a relação entre a FC e o consumo de oxigênio demonstram que o comportamento da FC, durante o exercício, depende em grande parte da demanda metabólica na musculatura ativa. Em relação a este fato conclui-se que prescrições de treinamento baseado nas reservas de FC e FC máx. exibe limitações, podendo superestimar a capacidade funcional do indivíduo (NEGRÃO et al., 1996)


4. Débito cardíaco

O débito cardíaco (DC), define-se como a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto. O DC é o resultado entre a freqüência cardíaca e volume de ejeção sistólico (componente determinante da capacidade de resistência cardiorespirátorio , para taxas de esforço máximas e submáximas) . O DC caracteriza-se por ser cerca de 90% do valor máximo de esforço a ser alcançado por indivíduos, cujo objetivo principal é suprir a demanda de oxigênio exigida pelos músculos ativos. A alteração durante o esforço ocorre, proporcionalmente ao aumento do consumo de oxigênio, progredindo do repouso para o esforço físico. O DC sofre uma imediata elevação, seguido por um aumento gradual , até alcançar seu platô máximo. Em relação ao volume de ejeção apresenta aumentos significativos durante a fase excêntrica em relação à fase concêntrica do treinamento de força, alterando conseqüentemente o DC (FALKEL et al.,1992). Relatos COSTILL e WILLMORE (1994) demonstram que o valor do DC de repouso é aproximadamente 5,0 l/min., sendo proporcional ao aumento da intensidade do exercício atingindo níveis de 20 à 40 l/min. (observar tabela 3.1)

O exercício auxilia o aumento do consumo de oxigênio, proporcionando a vasodilatação e apresentando acréscimos no retorno venoso. O exercício é fundamental para o aumento do débito elevado, sendo o DC o fator limitante de captação máxima de oxigênio na grande parte dos indivíduos. Assim conclui-se que elevações substanciais do DC são resultantes do aumento da FC. A Tabela abaixo demonstra, além de cálculos de DC, valores normais em homens e mulheres.
Nos idosos, recentes pesquisas observaram que padrões imprescindíveis para melhor observação na alteração do DC, seriam a ecocardiografia e a avaliação invasiva através do catéter, apresentando maior sensibilidade (87%) do catéter em relação à ecocardiografia (55%) que define uma fração exata da velocidade de ejeção sistólica (HUANG et al, 2002)
Durante o repouso em idosos, o DC apresenta sua variável em padrões normais. A partir do esforço, ocorrem níveis elevados no DC, ao contrario do que era dito em estudos durante 4 décadas. Nesses o DC não apresentava níveis elevados com a idade, seja durante o repouso ou exercício (FLEG, 1986).Em relação ao perfil hemodinâmico, o DC torna-se alterado de acordo com a idade, diminuindo consideravelmente se comparadas a pessoas mais jovens. Verifica-se uma redução em torno de 50% de acordo com consideráveis alterações cardiovasculares (ARAÚJO et al, 1999; FLEG et al, 1984) contribuindo para decréscimos em relação ao consumo de oxigênio (FLEG et al, 1995). Relatos mostram que para manter-se o consumo de oxigênio em indivíduos de mais idade com históricos ativos de exercícios, sugerem que o DC seja mantido através de acomodação no aumento do volume de ejeção (LAKATTA et al., 1987). Foi observado que o volume de ejeção atinge seu valor máximo, enquanto o DC aumenta metade de seu valor máximo. Sendo assim, o DC representa um fator importante na manutenção do DC durante os níveis de esforço.
Dentre os estudos que observou o comportamento do DC, CARROL et al.(1995) concluíram que ao estudar idosos com idades entre 60 e 82 anos, que treinaram em combinações de exercício de força de 8 a 15 repetições com apenas 1 série, utilizando membros superiores e inferiores e exercícios aeróbios, através de esteira ergométrica em inclinação positiva, com o tempo de 30 a 45 minutos por dia e esforço de 75 a 85 % da FC máx., treinados ambos 3 vezes por semana durante 6 meses. A observação foi de que não houve alteração substancial do DC em conseqüência do treinamento. Em outro estudo publicado com conclusões parecidas, FERKETICH et al.(1998), avaliou-se mulheres idosas, com idades entre 60 e 75 anos que treinaram combinações de exercícios de força e exercícios aeróbios. Neste estudo os exercícios de força consistiam em treinamento de extensão de joelho com uma avaliação previa de 10 RM, a partir da realização do teste utiliza-se 80% deste valor para execução do treino e os exercícios aeróbios em bicicleta ergométrica, na intensidade de 70 a 80% do consumo máximo de oxigênio durante 30 minutos, ambos treinandos 3 vezes por semana durante 3 meses. Ao final do estudo, conclui-se que não houve nenhuma alteração do DC nos dois métodos de treinamento pesquisados. De acordo com as conclusões dos devidos estudos, mesmo que ocorram aumentos no volume de ejeção com cargas de esforço em homens e o mesmo mantém-se seus valores constantes em mulheres. A partir disso, relata-se que a mulher apresenta capacidade de aumentar o volume diástolico durante o esforço, igualando-se seu volume de ejeção em cada batimento e compenssar esse fator (KAWAMURA, 2001). Esses fatos talvez concluam não haver adaptações crônicas no DC, mediante ao treinamento de força e outros tipos de treinamento em idosos, seja o fato de que seu componente principal (Freqüência Cardíaca) não apresente alterações também em respostas aos exercícios, declinando-se com a idade independente do treinamento.

5. Duplo produto

O Duplo Produto define-se como a relação entre freqüência cardíaca e pressão arterial (DP= FC x PA), que destaca-se como mediador direto entre a captação de oxigênio pelo miocárdio e o fluxo sanguíneo pelo miocárdio durante o repouso ou esforço físico, MCARDLE (1998) defende que a captação de oxigênio pelo miocárdio é determinada por interações entre vários fatores mecânicos, a qual apresenta maior importância no desenvolvimento de tensão dentro do miocárdio e sua contratilidade, com o aumento em cada um desses fatores durante o exercício. O fluxo sanguíneo do miocárdio é ajustado de forma a equilibrar o suprimento com a demanda de oxigênio. ARAÚJO(1984) defende que o DP apresenta uma correlação de 0,88 com o consumo de oxigênio miocárdico, assim torna-se seu melhor preditor indireto. Em relação a estes fatores, GOBEL et al (1978) avaliaram 27 pacientes portadores de angina peitoral, observando a relação entre a captação de oxigênio e o fluxo sanguíneo, ambos pelo miocárdio durante o esforço máximo. Concluiram que o treinamento proporcionou alterações de 71% e 81% no valor descansado, tanto no fluxo sanguíneo quanto na captação de oxigênio pelo miocárdio respectivamente, assim correlacionados pelo DP. CLAUSEN e TRAP-JENSEN (1976), em outro estudo com as mesmas características, observaram que o esforço mesmo em pacientes com angina peitoral, acarreta uma capacidade aumentada do exercício, podendo ser explicada pela redução nas respostas do DP ao treinamento. Diante desses fatos, as variáveis hemodinâmicas do DP avaliadas, tornam-se bons preditores da captação de oxigênio pelo miocárdio durante exercícios, mesmo em pessoas portadoras de doenças cardiovasculares (GOBEL et al, 1978). A FC e PA sistólica mais baixas diante da carga de trabalho submáxima padronizada, indicam um menor fluxo sanguíneo pelo miocárdio, conseqüentemente, uma melhora da eficiência do sistema cardiorespiratório, refletindo adaptações do DP reduzidos em repouso (POLLOCK, 1973). A partir de resultados obtidos em inúmeras pesquisas, defende-se a importância de utilizá-lo como parâmetro de segurança para observar em que tipos de atividades o sistema cardiovascular é exposto à maior stress (FARINATTI e ASSIS, 2000)
Segundo KAWAMURA(2001), o tempo de ejeção sistólico encurta à medida que aumentam a FC e o exercícios físicos, levando a diminuição relativa desses índices em relação ao aumento da FC a da PA. Relatos de BENN et al (1996) constataram em seu estudo que caminhar rápido em planos inclinados causa maior stress cardiovascular do que o treinamento de força com 80% da carga máxima (observar tabela 4.1). Seguindo a mesma conclusão FARINATTI e ASSIS (2000) observaram que o comportamento do DP a partir da sobrecarga imposta ao miocárdio tende a depender mais do tempo do exercício (nº de repetições) do que da carga em si , em que o valor médio atingido pelo DP em 20RM foi cerca de 30% maior que o valor observado para 6RM, destacando uma relação hierárquica, de acordo com as conclusões do estudo: Repouso< 1RM = 6RM < 20RM < Exercícios Aeróbios. Em alguns relatos o DP pode assumir valores típicos, que variam de 6.000 em repouso (FC=50 BPM, PAS=120 mmhg) à 40.000 (FC=200 bpm e PAS=200 mmhg), dependendo da intensidade e da modalidade do exercício.
Adaptado de Benn SJ, Mc Cartney N, Mc Kelvie RS. J. Am. Geriatr. Soc., 1996
A Fisiologia Cardiovascular envolvendo os componentes do DP foi relatada anteriormente. Os estudos envolvendo idosos destreinados com 66 anos, apresentaram conseqüências de elevações perigosas da PA e da FC (componentes do DP) em atividades comuns de subir escadas e levantar janelas, revelando apenas mudanças em relação a adaptações crônicas na redução da alteração do DP, com o aumento da massa muscular e da força por meio do treinamento de força (Mc CARTNEY et al, 1993). Seguindo esse padrão, PARKER et al (1996) realizaram seu estudo com a proposta de avaliar alterações do DP em mulheres idosas com idades entre 60 e 77 anos. Elas foram submetidas ao treinamento de resistência e de força, treinando 3 vezes por semana, com sessões de 1 hora aproximadamente, durante 16 semanas. Constataram assim que as avaliadas obtiveram menor resposta do DP no treinamento de força em relação ao de resistência. Sendo assim, ocorre um desempenho de menor stress cardiovascular durante tarefas diárias em mulheres idosas. Podemos dizer que exercícios de força envolvendo cargas submáximas de trabalho e poucas repetições solicitaram menor trabalho cardíaco para suprir a demanda exigida pelo corpo durante a atividade do que nos exercícios de força envolvendo baixas cargas com elevado número de repetições e exercícios aeróbios
A partir do seguinte estudo comparativo PETRELLA et al (1999), diferenciaram grupos de idosos ativos e sedentários, avaliando o DP em função da recuperação da temperatura corporal (5º graus) após o esforço. Eles observaram que o DP manteve-se inalterado em relação ao grupo ativo e aumentou significativamente no grupo sedentário. Destaca-se que o treinamento de força apresenta respostas benéficas em todos os grupos de populações, além de ser fator concomitante em reabilitações cardiovasculares.
Em relação ao tipo de treinamento imposto, OVEREND et al (2000) em seu estudo relacionaram o treinamento de força para avaliações das contrações concêntricas e excêntricas, observando respostas em relação ao DP, em 20 idosos de aproximadamente 75 anos, avaliados a partir de exercícios de extensão de joelho com cargas submáximas. Eles concluíram que não houve nenhuma diferença significativa relacionada à resposta aguda do treinamento, mas alcançou alterações elevadas nas contrações concêntricas em relação às excêntricas a partir do stress cardiovascular. Dentre todos esses relatos, concluiu-se que o treinamento de força apresenta menor stress cardiovascular. É provável que o fato de a FC ser mais baixa no treinamento de força leve à menor demanda de oxigênio, e a PA diastólica, ligeiramente mais alta, leve à maior oferta de sangue para o miocárdio.

6. Considerações finais

A partir do estudo de revisão realizado, observamos que a atividade fisica melhora a qualidade de vida do idoso e retarda a progressão de doenças cardiovasculares. Assim sendo, os fatores contribuintes para a melhora da aptidão física são incluídos através das atividades de força muscular, aeróbias e de flexibilidade . Determinando no final do estudo que o treinamento de força apresenta menor stress cardiovascular, com isso promovendo melhor segurança para que seja aplicado precocemente nos processos de reabilitação e de condicionamento físico. Deste modo, permite-se que populações idosas sejam mais bem preparadas para retomar suas atividades diárias e ao lazer.
Concluímos que a elaboração de um programa de exercícios físicos é importante que se tenha o conhecimento específico sobre a faixa etária em que o indivíduo está inserido e sobre as alterações decorrentes neste período, além de considerar também as peculiaridades individuais. Assim destaca-se no quadro abaixo, os grupos aptos e que apresentam cuidados especiais nessa faixa etária:
De acordo com diversas análises estatísticas o treinamento de força apresenta outras adaptações benéficas, além das cardiovasculares:
  • Aumento da força muscular, resistência muscular localizada e flexibilidade

  • Melhora da auto-imagem e autoconfiança

  • Prevenção da sarcopenia

  • Prevenção da osteoporose

  • Prevenção ou minimizar as desordem da marcha

  • Autonomia e independência funcional

Lembrando que antes de qualquer atividade física, o idoso deve passar por uma avaliação funcional e médica.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Pontos de ausculta pulmonar


Ouvir ruídos normais e anormais que se produzem no aparelho respiratório


Forma padronizada
Pede-se respiração oral e tranquila
Realizar de ápice para base
De forma comparativa e simétrica
Região anterior e posterior do tórax

Murmúrio Vesicular: sons normais
Ruídos Adventícios: sons anormais

Secos:
1. Cornagem, estridor;
2. Roncos: secreção
3. Sibilos: semelhantes a ruídos musicais ou sussurrantes.

Úmidos:
1. Estertores Crepitantes: associado a líquido presente em vias de pequeno calibre ou ate mesmo intra-alveolar (ex: esfrega-se uma mecha de cabelos contra os dedos)
2. Estertores Subcrepitantes: Vias de médio calibre

Traqueal - audível sobre a traqueia, é um ruído intenso (como se assoprasse dentro de um tubo).

Brônquico – som traqueal audível na zona de projeção de brônquios de maior calibre – face anterior do tórax, próximo ao esterno.

Vesicular ou murmúrio vesicular - é produzido pela turbulência do ar ao chocar-se contra saliências das bifurcações brônquicas.

Roncos – vibrações das paredes brônquicas e conteúdo gasoso. Sons graves de baixa freqüência, contínuos, escutados nas vias aéreas maiores.

Sibilos – vibrações das paredes bronquiolares e conteúdo gasoso.Sons agudos Ex: bronquite, crises asmáticas.

Estridor – som produzido pela semi-obstrução da laringe ou traquéia

Estertores finos ou Crepitantes –
- auscultado no final da fase inspiratória
- não se alteram com a tosse
Ex: pneumonia, edema agudo (fase inicial).

Ruído semelhante: friccionar feixe de cabelos destruição de folhas secas

Subcrepitantes ou bolhosos –

- auscultado no início da inspiração e toda expiração
- alteram-se pela tosse.
Ex: bronquites, bronquiectasias.

Pontos de Ausculta

Para visualizar a imagem em tamanho real, basta clicar sobre ela.

Prevenção e tratamento de incotinência urinária com exercícios para fortalecimento de períneo

Andreia Dias
Incontinência urinária é a perda involuntária da urina pela uretra, muito mais frequente no sexo feminino pode manifestar-se tanto na mulher em menopausa quanto em mulheres mais jovens. As estruturas musculares que dão sustentação aos órgãos pélvicos e produzem a contração da uretra evitam a perda urinária,  o músculo forma um pequeno anel em volta uretra é mais frágil nas mulheres. Além disso a gestação e o parto contribuem para uma fraqueza muscular da região.
Existem 3 tipos de incontinência:
a) Incontinência urinária de esforço – o sintoma inicial é a perda de urina quando a pessoa tosse, ri, faz exercício, movimenta-se;
b) Incontinência urinaria de urgência – mais grave do que a de esforço, caracteriza-se pela vontade súbita de urinar que ocorre em meio as atividades diárias e a pessoa perde urina antes de chegar ao banheiro;
c) Incontinência mista – associa os dois tipos de incontinência acima citados e o sintoma mais importante é a impossibilidade de controlar a perda de urina pela uretra.

Você sabia que existem exercícios vaginais que podem prevenir e até tratar a incontinência urinária?
Nós mulheres deveríamos aprender estes exercícios desde novinhas,  mas por falta de informação ou preconceito não temos este costume.
Para prevenção normalmente realizamos somentes exercícios, em caso de incontinência urinária já instalada pode-se recorrer a métodos como o uso de cones vaginais, exercícios de kegel, e a eletroestimulação através de aparelhos de eletroterapia.
Cones vaginais são pequenas cápsulas de formato anatômico, constituídas de materiais resistentes e pesados que inseridos no canal vaginal, proporcionam o estímulo necessário para que a mulher contraia corretamente a musculatura do assoalho pélvico e permite um treinamento com aumento de carga progressivo.
 O kit de cones é composto normalmente por cinco ou seis com pesos que variam entre 20g a 100g. A indicação depende de cada objetivo, mas de um modo geral, não é necessário chegar até o cone de 100g a não ser quando a finalidade seja a melhoria no desempenho sexual.
 Os exercícios permitem um fortalecimento crescente do perineo, além de melhorarem a propriocepção local (sensibilidade vaginal e percepção da contração e relaxamento da Musculatura do Assoalho Pélvico =  MAP). Melhorar força e propriocepção são úteis tanto para melhorar a sustetação dos órgãos pélvicos quanto na preparação para o parto.
Sexualmente, aumentar a força de contração da MAP significa, na prática, melhorar o poder de "contração da vagina" ao redor do pênis, melhorando a sensibilidade tanto da mulher quanto do parceiro no momento do ato sexual.
O teste  para escolher qual peso usar é simples: a mulher precisa inserir o cone no canal vaginal, se posicionar em pé e sentir ele descendo (ou puxando para baixo), de um modo que ele só fique dentro da vagina se a MAP estiver contraída. O cone ideal é aquele que só não cai quando a mulher está contraindo a MAP, e que pode ser segurando na vagina por 3 a 10 segundos sem cair.
Se a mulher, ao ficar em pé, não sentir peso nenhum, ou então se o cone ficar parado na vagina mesmo que ela não esteja contraindo a MAP, ou então se ela consegue segurar o cone sem cair por mais de 10 segundos, o cone está muito leve, e deve ser trocado pelo próximo, mais pesado.
 Se, quando em pé, a mulher conseguir segurar o cone na vagina mas só por menos que 3 segundos, então o cone é muito pesado, e deve ser substituído pelo anterior, mais leve.
O cone deve ser posicionado profundamente, após a inserção deve-se usar preferencialmente uma calcinha para evitar de o cone acidentalmente cair no chão. A partir de então deve ser realizada a série de exercícios, orientada por fisioterapeuta especialista, que varia para cada caso.
As séries de exercícios variam de acordo com cada caso, mas de um modo geral, como em qualquer outro plano de fortalecimento muscular, os exercícios devem ser feitos dia sim, dia não: o descanso entre cada sessão é tão importante quando o exercício em sí.
Quando a mulher conseguir fazer todas as contrações sem que o cone caia nenhuma vez durante o treino, este pode ser progredido com mais peso, de acordo com o aval técnico e com os objetivos do tratamento.
O treinamento pode ser progredido fazendo com que a mulher use o cone enquanto realiza outras atividades, como caminhar, subir e descer escadas, tossir, agachar, etc, conforme definido no plano terapêutico.
Exercícios de Kegel:
Para fazer o exercício de kegel de forma correta, identifique o músculo do períneo:
Tente segurar o "xixi" contraindo os músculos do assoalho pélvico como se quisesse "puxar" a vagina para dentro,
Mantenha a contração deste músculo ou seja e conte até 10 e depois relaxe.
Faça 10 exercícios seguidos, três vezes ao dia (manhã, tarde e noite).
O objectivo deste exercício é restaurar o tônus e a força muscular do períneo e de todo o pavimento pélvico, impedindo a perda de urina e melhorando até mesmo o desempenho sexual.
Primeira faça os exercícios deitada, depois faça durante atividades como subir escadas, pular, etc.

CONSULTE UM FISIOTERAPEUTA ESPECIALISTA EM GINECOLOGIA.

Gelo e Ultrasom, podemos combinar estas duas terapias?

Juliana Oliveira


Embora muitas modalidades de tratamento fisioterapêutico ainda não tenham a devida comprovação, devemos sempre que possível buscar práticas que sejam baseadas em evidências. A postagem de hoje apresenta uma discussão sobre a aplicação do ultrasom imediatamente após a Crioterapia.

Inicialmente pensei em classificar esta postagem na seção de “Mitos e Lendas da Fisioterapia”, mas julguei que seria mais interessante abrir um espaço para o debate, afinal de contas “a falta de evidência não é uma evidência”. Gostaria muito que as pessoas contribuíssem com informações sobre o assunto.
Pois bem, vamos lá;

GELO E ULTRA-SOM
Eu aprendi na Faculdade que quando aplicado antes do ultra-som, a crioterapia é capaz de potencializar os efeitos mecânicos do US. Esta idéia se baseia no fato de que se você reduz a temperatura tecidual você aumenta a densidade e assim potencializa os efeitos da micromassagem do ultrasom pulsátil. Como de praxe fiz uma busca no Google e em algumas bases de dados, e fiquei surpreso por não encontrar absolutamente nada sobre ultrasom pulsátil associado ao Gelo.
Pra não dizer que foi uma busca inútil, encontrei dois artigos que investigaram o uso do Gelo antes do Ultrasom, porém estes artigos investigaram a premissa de que a crioterapia antes do US aumentaria o pico de temperatura alcançado nos tecidos.
As informações desta postagem são baseadas nos artigos -  Temperature Changes  in Deep Muscles of Humans During Ice andUltrasound Therapies: An In Vivo Study, publicado em 1995 no JOSPT, e no artigo Temperature Changes During TherapeuticUltrasound in the Precooled Human Gastrocnemius Muscle,publicado no Periódico  Journal os Atthletic Training, em 1994.

Em ambos os artigos os autores se questionam se a premissa de que os efeitos atribuídos ao gelo associado ao US são baseados em princípios científicos ou simples especulações, e discutem os fundamentos teóricos que justificariam o uso de gelo antes do US.
Uma explicação para a popularidade do uso do gelo antes do US pode ter haver com achados relativos a qual meio oferece a melhor transmissão de US, e a possibilidade de que a temperatura do meio influencie o desfecho térmico do tratamento.

Lehman et al (Lehmann  JF,  DeLateur  BJ,  Silverman DR: Selective heating  effects of ultra-sound in human beings. Arch Phys Med Rehabil 47:33 1-339, 1966) relataram que um meio de condução frio (gel de acoplamento resfriado) foi capaz de causar um aumento mais significativo na temperatura tecidual do que um gel aquecido ou de um gel em temperatura ambiente. Estes autores concluíram que a temperatura ideal para o gel de US deveria ser inferior a 21°C. A idéia de que a crioterapia prévia ao US seja similar ao uso de gel de acoplamento resfriado pode ter sido a razão pela qual os fisioterapeutas começaram a usar crioterapia antes do US. Entretanto existe uma enorme diferença entre o gelo antes do US e a aplicação de um meio de acoplamento gelado, pois quando o meio de contato gelado é aplicado sobre a pele, seguida imediatamente da aplicação do US, existe um tempo muito curto para causar vasoconstrição e resfriamento significativo. 

É interessante notar que esta é uma referência de 1966, ou seja: Um hipótese equivocada pode ter passando por várias gerações de fisioterapeutas, e que somente 30 anos depois,  em 1994 foi conduzido o primeiro experimento (pelo menos os que eu encontrei) que investigou a efetividade do tratamento ! ! ! ! ÊÊÊÊITA  placebo véio sô !!!

Algumas passagens merecem ser destacadas. Com relação aos fundamentos teóricos da prática :
“... o US precisa de um meio denso para obter seu efeito máximo. De acordo com várias pesquisas,(...) o US é melhor absorvido em tecidos densos que tenham bastante proteínas. Quanto mais denso o meio, melhor a onda de US será absorvida pelos tecidos, possivelmente resultando em maiores efeitos terapêuticos. Esta é basicamente a justificativa para o uso do Gelo antes do US.” (...)“Em geral, a crioterapia estimula respostas fisiológicas como a vasoconstricção e redução do fluxo sanguíneo. Isso não apenas resulta em redução da temperatura local mas, pelo menos em teoria, pode ajudar a aumentar temporariamente a densidade dos tecidos que estão sendo tratados, consequentemente aumentando os efeitos mecânicos dos US.”
Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice and Ultrasound Therapies: An In Vivo Study

Estes autores concluíram que o gelo antes do US não oferece nenhuma vantagem adicional ao tratamento, conforme a passagem abaixo da discussão:
“O protocolo do estudo envolveu 5 minutos de aplicação de gelo antes do US. O gelo causou vasoconstricção e consequentemente exigiu mais calor do US para aquecer os tecidos, dilatar os vasos e distribuir o calor. Desta forma, o uso do gelo antes do US pode ter permitido uma queda excessiva da temperatura, impedindo ao invés de potencializar a efetividade termal do US. Um conclusão que pode ser traçada a partir dos resultados é a de que  a uma profundidade de 5cm , o pré-resfriamento de tecidos por 5 minutos antes do US não gera benefícios se o propósito do US é o de criar um aumento significativo na temperatura tecidual. “
Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice and Ultrasound Therapies: An In Vivo Study

Os autores Rimington et al. Obtiveram os mesmos resultados, porém são mais agressivos em seus comentários:  
“Se o propósito do tratamento com US é o de aumentar a temperatura do tecido a uma profundidade de 3 cm, o pré-resfriamento (crioterapia) do tecido durante 15 minutos antes de US é um exercício de futilidade. (...) A suposição clínica de que o resfriamento dos tecidos antes de um tratamento com US aumenta a temperatura de pico de tais tecidos não é verdade. A incapacidade do US elevar a temperatura da área até mesmo de volta para a linha de base pré-tratamento,  demonstra os efeitos dominantes do gelo.”
Temperature Changes During Therapeutic Ultrasound in the Precooled Human Gastrocnemius Muscle. 
Muito bem, estes artigos não respondem a minha dúvida inicial que é a influência do Gelo para os efeitos não térmicos do US, mas creio que esta postagem deixa claro duas coisas:
#1- Os gringos também usam tratamentos empíricos sem fundamento científico, e
#2- Até podemos aceitar usar um tratamento sem comprovação formal, mas não devemos aceitar tudo o que aprendemos na faculdade simplesmente porque alguém diz : "tenho bons resultados usando este tratamento". 
Como eu disse anteriormente, não encontrei nenhum artigo que fale sobre US pulsado e crioterapia. A hipótese, neste caso seria de que o resfriamento de uma determinada área iria potencializar os efeitos não térmicos obtidos com o US. Pulsado. Creio que esta pergunta permanecerá em aberto, mas espero que alguém se anime com esta pesquisa e, quem sabe, em breve tenhamos a comprovação ou refutação deste tratamento.