Faculdade Mario Schenberg

sexta-feira, 28 de março de 2014

Teste de força de preensão utilizando o dinamômetro Jamar

A terapeuta ocupacional Iêda Figueiredo e a fisioterapeuta Rosana Sampaio assim se expressam no seu artigo escrito para a revista Acta Fisiátrica:

“A mensuração da preensão da mão é um importante componente da reabilitação da mão. Os testes de força de preensão são comumente usados para avaliar pacientes com desordens da extremidade superior, antes e após procedimentos terapêuticos.

São testes simples de administrar e quando adequadamente realizados, podem fornecer informações objetivas que contribuem para análise da função da mão.

Protocolo de teste deve ser desenvolvido e cuidadosamente seguido.  Um dos instrumentos reconhecidos na literatura é o dinamômetro Jamar, que tem mostrado bons índices de validade e confiabilidade. Tem sido aceito como um instrumento padrão para mensuração da força de preensão e é muito utilizado na clínica por terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas.

Avaliar significa documentar quantitativamente e qualitativamente as necessidades do paciente. Uma avaliação objetiva ajudar o profissional na definição do problema ou situação clínica, no planejamento de protocolo de intervenção, viabiliza também a documentação de mudanças resultantes de procedimentos terapêuticos e pode, inclusive, predizer o potencial da reabilitação.

A avaliação também pode servir como um importante veículo de comunicação entre profissionais, promovendo atuação interdisciplinar. No processo de avaliação, a escolha de instrumentos deve considerar parâmetros como a validade e a precisão, que são considerados critérios de qualidade da instrumentação e da informação disponibilizada.

Instrumentos confiáveis permitem ao profissional alcançar conclusões que são minimamente afetadas por fatores externos, diminuindo assim, as chances de erros.

DINAMÔMETRO JAMAR

O dinamômetro Jamar foi reportado em meados da década de 50 e é muito utilizado na clínica por profissionais da área de reabilitação. O instrumento possui duas alças paralelas, sendo uma fixa e outra móvel que pode ser ajustada em cinco posições diferentes, propiciando um ajuste ao tamanho da mão do paciente. Este aparelho contém um sistema hidráulico fechado que mede a quantidade de força produzida por uma contração isométrica aplicada sobre as alças e a força de preensão da mão é registrada em quilogramas ou libras.
http://www.actafisiatrica.org.br/imagebank/images/v14n2a06-fig01.jpg
dinamômetro Jamar

A avaliação válida e confiável da força de preensão da mão é um parâmetro importante para comparar a efetividade de vários procedimentos cirúrgicos e terapêuticos, definir metas de tratamento e avaliar a habilidade do paciente para retornar a atividades funcionais, além de influenciar diretamente no desenvolvimento de pesquisas científicas.

A utilização deste aparelho na documentação da força de preensão pode ser influenciada por fatores que afetam a confiabilidade do dinamômetro Jamar, incluindo modificação na calibração do instrumento, posição da alça e variações no protocolo de teste.

Além disto, os achados que afirmam que a força de preensão varia com alterações da posição do corpo confirmam a necessidade de uma posição padronizada para o teste de força de preensão. Assim, a Sociedade Americana de Terapeutas de Mão reuniu pesquisas que investigaram aspectos envolvidos na avaliação e recomendou um protocolo incluindo a posição de teste, o qual é utilizado nas clínicas e na maioria dos trabalhos científicos.

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Posição recomendada para utilização do dinamômetro Jamar
No procedimento de avaliação da força de preensão é recomendado que a média de três medidas seja usada, não havendo necessidade de estender períodos de descanso entre as medidas. Um aquecimento antes do teste pode aumentar a força de preensão, todavia, esta medida parece não ser afetada pelo horário do dia em que o teste é realizado.

Dados normativos de força de preensão utilizando o dinamômetro Jamar são usualmente descritos considerando os fatores sexo e idade. Para a população brasileira são necessários mais estudos que caracterizem a força de preensão de nossa população e sirvam de base para a formulação de dados normativos nacionais.

Está demonstrado que sexo, idade, peso e altura do corpo podem afetar a força de preensão, no entanto, é difícil concluir sobre a influência da dominância da mão na força de preensão, pois esta pode ser alterada por diversos fatores, como demandas de trabalho e lazer.”

Valores de referência

Márcio Ferreira do Nascimento e Raphael Benassi do Programa de Pós-Graduação em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício, Rio de Janeiro, RJ – Universidade Castelo Branco, fizeram uma revisão sobre os valores de referência de força de preensão manual em ambos os gêneros e diferentes grupos etários e anotaram o seguinte:

“ Os valores de referência de força de preensão manual têm sido buscados por vários pesquisadores em diferentes populações, divididos por grupos de gênero, idade e lateralidade. Uma análise dos valores de referência indica variações de acordo com a nacionalidade dos pesquisados, por isso, conhecer os valores de referência de cada população especifica se torna importante para que se possa avaliar melhor o individuo, seja para uma avaliação nutricional, funcional, de recuperação de patologias ou para qualquer outro objetivo.

Dinamômetro JAMAR: valores de referência (FPM) para australianos
http://www.efdeportes.com/efd151/forca-de-preensao-manual-em-ambos-os-generos-03.jpg
Fonte: Massy-Westropp et al. (2004).

Conclusão

O dinamômetro de preensão manual tem sido muito utilizado para avaliar o estado nutricional, funcional, a dominância lateral e a força total de indivíduos sempre divididos em grupos de gênero e idade, pois estes têm influência direta nos resultados.

O aparelho mais utilizado nos estudos é o JAMAR, mas outros aparelhos aparecem na literatura. A posição tida como padrão pelos autores é a recomendada pela ASHT (Associação Americana de Terapeutas da Mão), que é com o indivíduo posicionado sentado com o ombro abduzido e neutramente rodado, cotovelo fletido a 90° e antebraço e punho em posição neutra.

Quando comparadas medidas feitas com o indivíduo sentado e de pé, os melhores resultados foram obtidos na posição sentada. O método mais utilizado para cálculo dos valores foi a média de três tentativas para cada mão, apesar de alguns autores registrarem a máxima mensuração.

No dinamômetro JAMAR com cinco regulagens, as mais usadas foram a 2 e 3, porem, nos aparelhos com uma maior regulagem foi possível observar que o melhor é deixar que o avaliado faça uma auto seleção. Com relação ao gênero, os homens tiveram maiores resultados de força de preensão manual que as mulheres em todas as idades, na mão dominante e não dominante. Com relação à idade parece haver um declínio nesses níveis por volta do inicio da quarta década de vida.

Não houve influencia significativa do tamanho da mão e a força de preensão, e o intervalo mais usado pelos autores foi o de um minuto entre as medidas. O dinamômetro de preensão manual é considerado como o melhor teste para avaliar o estado funcional de indivíduos saudáveis e com alguma patologia.”

Fontes:
1) Teste de força de preensão utilizando o dinamômetro Jamar http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=196 Iêda Maria Figueiredo; Rosana Ferreira Sampaio

2) Valores de referência de força de preensão manual em ambos os gêneros e diferentes grupos etários. Um estudo de revisão. http://www.efdeportes.com/efd151/forca-de-preensao-manual-em-ambos-os-generos.htm Márcio Ferreira do Nascimento, Raphael Benassi

Escala de Equilíbrio de Berg

A Escala de Equilíbrio de Berg, também chamada Balance Scale (Berg e cols., 1992), compreende uma escala de 14 tarefas relacionadas ao dia-a-dia, que envolvem o equilíbrio estático e dinâmico, tais como alcançar, girar, transferir-se, permanecer em pé e levantar-se.

Os itens avaliados incluem a habilidade do indivíduo em manter posições de crescente dificuldade, com a diminuição da base de suporte para sentar, até postura confortável, ficar em pé com os pés juntos, e por final, postura em tandem (isto é, com um pé à frente do outro), e postura em uma única perna, os dois itens mais difíceis.

Outros itens avaliam o quão bem o indivíduo está apto á mudar de posição, de sentado para em pé, ao baldear-se de uma cadeira para outra, ao pegar um objeto do piso, e ao sentar-se.

A realização das tarefas é avaliada através da observação e a pontuação varia de 0 a 4 em cada tarefa, totalizando um máximo de 56 pontos, e a pontuação é baseada no tempo em que a posição pode ser mantida, a distância que o braço é capaz de alcançar para a frente, ou o tempo para completar uma tarefa. Assim sendo, estes pontos são subtraídos caso o tempo ou a distancia não sejam atingidos, o sujeito necessite de supervisão para a execução da tarefa, ou se o sujeito apóia-se num suporte externo ou recebe ajuda do examinador.

De acordo com Shumway-Cook & Woollacott (2003), na amplitude de 56 a 54 pontos, cada ponto a menos é associado á um aumento de 3 a 4% abaixo no risco de quedas, de 54 a 46 a alteração de um ponto é associada a um aumento de 6 a 8% de chances, sendo que abaixo de 36 pontos o risco de quedas é de quase 100%.

Para Carr & Shepherd, esta escala tem sido relatada como confiável e parece ter validade de conteúdo. Todavia, ainda para estes, o teste é muito demorado.

_____________________________________________________________________________

Escala de Equilíbrio de Berg

NOME:
IDADE:
SEXO:
DIAGNÓSTICO:
SEQUELAS:

DESCRIÇÃO DOS ITENS Pontuação (0-4)

1. Sentado para em pé ________
2. Em pé sem apoio ________
3. Sentado sem apoio ________
4. Em pé para sentado ________
5. Transferências ________
6. Em pé com os olhos fechados ________
7. Em pé com os pés juntos ________
8. Reclinar à frente com os braços estendidos ________
9. Apanhar objeto do chão ________
10. Virando-se para olhar para trás ________
11. Girando 360 graus ________
12. Colocar os pés alternadamente sobre um banco ________
13. Em pé com um pé em frente ao outro ________
14. Em pé apoiado em um dos pés ________

TOTAL ________

INSTRUÇÕES GERAIS

Demonstre cada tarefa e/ou instrua o sujeito da maneira em que está escrito abaixo. Quando reportar a pontuação, registre a categoria da resposta de menor pontuação relacionada a cada item.

Na maioria dos itens pede-se ao sujeito manter uma dada posição por um tempo determinado. Progressivamente mais pontos são subtraídos caso o tempo ou a distância não sejam atingidos, caso o sujeito necessite de supervisão para a execução da tarefa, ou se o sujeito apóia-se num suporte externo ou recebe ajuda do examinador.

É importante que se torne claro aos sujeitos que estes devem manter seus equilíbrios enquanto tentam executar a tarefa. A escolha de qual perna permanecerá como apoio e o alcance dos movimentos fica a cargo dos sujeitos. Julgamentos inadequados irão influenciar negativamente na performance e na pontuação.

Os equipamentos necessários são um cronômetro (ou relógio comum com ponteiro dos segundos) e uma régua ou outro medidor de distância com fundos de escala de 5, 12,5 e 25cm. As cadeiras utilizadas durante os testes devem ser de altura razoável. Um degrau ou um banco (da altura de um degrau) pode ser utilizado para o item #12.

1. SENTADO PARA EM PÉ

INSTRUÇÕES: Por favor, fique de pé. Tente não usar suas mãos como suporte.

( ) 4 capaz de permanecer em pé sem o auxílio das mãos e estabilizar de maneira independente
( ) 3 capaz de permanecer em pé independentemente usando as mãos
( ) 2 capaz de permanecer em pé usando as mão após várias tentativas
( ) 1 necessidade de ajuda mínima para ficar em pé ou estabilizar
( ) 0 necessidade de moderada ou máxima assistência para permanecer em pé

2. EM PÉ SEM APOIO

INSTRUÇÕES: Por favor, fique de pé por dois minutos sem se segurar em nada.

( ) 4 capaz de permanecer em pé com segurança por 2 minutos
( ) 3 capaz de permanecer em pé durante 2 minutos com supervisão
( ) 2 capaz de permanecer em pé durante 30 segundos sem suporte
( ) 1 necessidade de várias tentativas para permanecer 30 segundos sem suporte
( ) 0 incapaz de permanecer em pé por 30 segundos sem assistência

Se o sujeito é capaz de permanecer em pé por 2 minutos sem apoio, marque pontuação máxima na situação sentado sem suporte. Siga diretamente para o item #4.

3. SENTADO SEM SUPORTE PARA AS COSTAS MAS COM OS PÉS APOIADOS SOBRE O CHÃO OU SOBRE UM BANCO

INSTRUÇÕES: Por favor, sente-se com os braços cruzados durante 2 minutos.

( ) 4 capaz de sentar com segurança por 2 minutos
( ) 3 capaz de sentar com por 2 minutos sob supervisão
( ) 2 capaz de sentar durante 30 segundos
( ) 1 capaz de sentar durante 10 segundos
( ) 0 incapaz de sentar sem suporte durante 10 segundos

4. EM PÉ PARA SENTADO

INSTRUÇÕES: Por favor, sente-se.

( ) 4 senta com segurança com o mínimo uso das mão
( ) 3 controla descida utilizando as mãos
( ) 2 apóia a parte posterior das pernas na cadeira para controlar a descida
( ) 1 senta independentemente mas apresenta descida descontrolada
( ) 0 necessita de ajuda para sentar

5. TRANSFERÊNCIAS

INSTRUÇÕES: Pedir ao sujeito para passar de uma cadeira com descanso de braços para outra sem descanso de braços (ou uma cama)

( ) 4 capaz de passar com segurança com o mínimo uso das mãos
( ) 3 capaz de passar com segurança com uso das mãos evidente
( ) 2 capaz de passar com pistas verbais e/ou supervisão
( ) 1 necessidade de assistência de uma pessoa
( ) 0 necessidade de assistência de duas pessoas ou supervisão para segurança

6. EM PÉ SEM SUPORTE COM OLHOS FECHADOS

INSTRUÇÕES: Por favor, feche os olhos e permaneça parado por 10 segundos

( ) 4 capaz de permanecer em pé com segurança por 10 segundos
( ) 3 capaz de permanecer em pé com segurança por 10 segundos com supervisão
( ) 2 capaz de permanecer em pé durante 3 segundos
( ) 1 incapaz de manter os olhos fechados por 3 segundos mas permanecer em pé
( ) 0 necessidade de ajuda para evitar queda

7. EM PÉ SEM SUPORTE COM OS PÉS JUNTOS

INSTRUÇÕES: Por favor, mantenha os pés juntos e permaneça em pé sem se segurar

( ) 4 capaz de permanecer em pé com os pés juntos independentemente com segurança por 1 minuto
( ) 3 capaz de permanecer em pé com os pés juntos independentemente com segurança por 1 minuto, com supervisão
( ) 2 capaz de permanecer em pé com os pés juntos independentemente e se manter por 30 segundos
( ) 1 necessidade de ajuda para manter a posição mas capaz de ficar em pé por 15 segundos com os pés juntos
( ) 0 necessidade de ajuda para manter a posição mas incapaz de se manter por 15 segundos

8. ALCANCE A FRENTE COM OS BRAÇOS EXTENDIDOS PERMANECENDO EM PÉ

INSTRUÇÕES: Mantenha os braços estendidos a 90 graus. Estenda os dedos e tente alcançar a maior distância possível. (o examinador coloca uma régua no final dos dedos quando os braços estão a 90 graus. Os dedos não devem tocar a régua enquanto executam a tarefa. A medida registrada é a distância que os dedos conseguem alcançar enquanto o sujeito está na máxima inclinação para frente possível. Se possível, pedir ao sujeito que execute a tarefa com os dois braços para evitar rotação do tronco.)

( ) 4 capaz de alcançar com confiabilidade acima de 25cm (10 polegadas)
( ) 3 capaz de alcançar acima de 12,5cm (5 polegadas)
( ) 2 capaz de alcançar acima de 5cm (2 polegadas)
( ) 1 capaz de alcançar mas com necessidade de supervisão
( ) 0 perda de equilíbrio durante as tentativas / necessidade de suporte externo

9. APANHAR UM OBJETO DO CHÃO A PARTIR DA POSIÇÃO EM PÉ

INSTRUÇÕES: Pegar um sapato/chinelo localizado a frente de seus pés

( ) 4 capaz de apanhar o chinelo facilmente e com segurança
( ) 3 capaz de apanhar o chinelo mas necessita supervisão
( ) 2 incapaz de apanhar o chinelo mas alcança 2-5cm (1-2 polegadas) do chinelo e manter o equilíbrio de maneira independente
( ) 1 incapaz de apanhar e necessita supervisão enquanto tenta
( ) 0 incapaz de tentar / necessita assistência para evitar perda de equilíbrio ou queda

10. EM PÉ, VIRAR E OLHAR PARA TRÁS SOBRE OS OMBROS DIREITO E ESQUERDO

INSTRUÇÕES: Virar e olhar para trás sobre o ombro esquerdo. Repetir para o direito. O examinador pode pegar um objeto para olhar e colocá-lo atrás do sujeito para encorajá-lo a realizar o giro.

( ) 4 olha para trás por ambos os lados com mudança de peso adequada
( ) 3 olha para trás por ambos por apenas um dos lados, o outro lado mostra menor mudança de peso
( ) 2 apenas vira para os dois lados mas mantém o equilíbrio
( ) 1 necessita de supervisão ao virar
( ) 0 necessita assistência para evitar perda de equilíbrio ou queda

11. VIRAR EM 360 GRAUS

INSTRUÇÕES: Virar completamente fazendo um círculo completo. Pausa. Fazer o mesmo na outra direção

( ) 4 capaz de virar 360 graus com segurança em 4 segundos ou menos
( ) 3 capaz de virar 360 graus com segurança para apenas um lado em 4 segundos ou menos
( ) 2 capaz de virar 360 graus com segurança mas lentamente
( ) 1 necessita de supervisão ou orientação verbal
( ) 0 necessita de assistência enquanto vira

12. COLOCAR PÉS ALTERNADOS SOBRE DEDGRAU OU BANCO PERMANECENDO EM PÉ E SEM APOIO

INSTRUÇÕES: Colocar cada pé alternadamente sobre o degrau/banco. Continuar até cada pé ter tocado o degrau/banco quatro vezes.

( ) 4 capaz de ficar em pé independentemente e com segurança e completar 8 passos em 20 segundos
( ) 3 capaz de ficar em pé independentemente e completar 8 passos em mais de 20 segundos
( ) 2 capaz de completar 4 passos sem ajuda mas com supervisão
( ) 1 capaz de completar mais de 2 passos necessitando de mínima assistência
( ) 0 necessita de assistência para prevenir queda / incapaz de tentar

13. PERMANECER EM PÉ SEM APOIO COM OUTRO PÉ A FRENTE

INSTRUÇÕES: (DEMOSTRAR PARA O SUJEITO - Colocar um pé diretamente em frente do outro. Se você perceber que não pode colocar o pé diretamente na frente, tente dar um passo largo o suficiente para que o calcanhar de seu pé permaneça a frente do dedo de seu outro pé. (Para obter 3 pontos, o comprimento do passo poderá exceder o comprimento do outro pé e a largura da base de apoio pode se aproximar da posição normal de passo do sujeito).

( ) 4 capaz de posicionar o pé independentemente e manter por 30 segundos
( ) 3 capaz de posicionar o pé para frente do outro independentemente e manter por 30 segundos
( ) 2 capaz de dar um pequeno passo independentemente e manter por 30 segundos
( ) 1 necessidade de ajuda para dar o passo mas pode manter por 15 segundos
( ) 0 perda de equilíbrio enquanto dá o passo ou enquanto fica de pé

14. PERMANECER EM PÉ APOIADO EM UMA PERNA

INSTRUÇÕES: Permaneça apoiado em uma perna o quanto você puder sem se apoiar

( ) 4 capaz de levantar a perna independentemente e manter por mais de 10 segundos
( ) 3 capaz de levantar a perna independentemente e manter entre 5 e 10 segundos
( ) 2 capaz de levantar a perna independentemente e manter por 3 segundos ou mais
( ) 1 tenta levantar a perna e é incapaz de manter 3 segundos, mas permanece em pé independentemente
( ) 0 incapaz de tentar ou precisa de assistência para evitar queda
( ) PONTUAÇÃO TOTAL (máximo = 56)

Ass. Terapeuta:_________________________________________________________
Data: ____/____/____

O uso do andador infantil

O primeiro ano de vida do bebê é marcado pela aquisição de habilidades que são aprimoradas a cada mês. Uma delas é a aquisição do engatinhar entre o 8º e o 9º mês. Nessa fase é comum que os pais coloquem seus bebês em andador infantil com a finalidade de incentivar o desenvolvimento motor. Alguns estudos relatam que se deve evitar o uso do andador infantil, pois a criança perde a chance de engatinhar e desenvolver a noção de espaço, além de não poder testar sua capacidade de equilíbrio. Além disso, estes estudos apontam que o andador não influencia na habilidade do engatinhar e que o desenvolvimento motor sofre influência de vários fatores. A escolha dos pais de permitirem que seus filhos usem ou não o andador infantil pode fundamentar-se em crenças culturais, mitos sociais e/ou interesses pessoais.




No ponto de vista da ortopedia, o engatinhar ajuda a fortalecer a coluna e posicionando-a de maneira correta, pois vendo crianças utilizando o andador observamos que ela caminha na ponta dos pés e quando começa a andar sua marcha é semelhante.

Apesar de a Associação Brasileira de Pediatria desaconselhar esse dispositivo devido ao alto número de acidentes relacionados ao seu uso (quedas de escadas, traumatismos crânio-encefálicos) bem como à expectativa de atraso na aquisição da marcha relacionada ao uso do mesmo, muitos pais e cuidadores insistem no uso do andador devido à sua praticidade.

O bebê é suscetível aos estímulos vindos do ambiente, o que torna essencial e oportuna as várias formas de movimentos que possam garantir o desenvolvimento e o crescimento adequados. Estas posturas variadas proporcionam competências para ela corresponder às suas necessidades e às de seu meio. O meio em que o bebê vive influencia seu aprendizado motor de maneira complexa, e a casa é o principal agente de aprendizagem e desenvolvimento. Neste contexto estão incluídos jogos, práticas culturais e brinquedos disponíveis à criança, os quais exercem grande influência no desenvolvimento de suas habilidades motoras e, principalmente, no incentivo dos pais nesse processo.

Rolar, engatinhar, descobrir e explorar o local onde a criança vive é ideal para um perfeito desenvolvimento. O bebê precisa do chão da sala ou de qualquer lugar onde tenha um local limpo e seguro, além de alguns brinquedos direcionados, conforme a idade.

É assim que uma criança vai crescer saudável e ter o seu desenvolvimento normal, não necessitando do andador.

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 48

48. Um paciente de 21 anos, com lesão medular completa nível T6, tem como característica a marcha
(A) com tutor longo.
(B) com tutor longo e cinto pélvico.
(C) com tutor longo, cinto pélvico e estabilizador de tronco (colete).
(D) independente.
(E) com estabilizadores de tornozelos.

muletas

A relação entre disfunção e nível da lesão, resumidamente e desconsiderando algumas variações por vértebra específica, é a seguinte:
TORÁCICO: flexão e abdução dos quadris, flexão de joelhos e equino dos pés.
LOMBAR ALTA: flexão e adução dos quadris, pé equino e flexão de joelhos.
LOMBAR BAIXA: flexão de joelhos, pé calcâneo valgo.
SACRAL: pé calcâneo, cavo, dedos em garra.
Portanto para esse nível de lesão (T6) que compromete a função da musculatura dos MMII e tronco, devemos optar pela alternativa que propõe suporte para a musculatura acometida.
Rápida descrição das órteses descritas nas alternativas:

Tutor longo em fibra de carbono com articulação unilateral: órtese indicada para paciente portador de paralisia dos membros inferiores. De tecnologia avançada, esta órtese é muito mais leve que as tradicionais, permitindo maior conforto e melhor condição para a deambulação.
tutor longo

Órtese longa com cinto pélvico: para a deambulação e ortostatismo de pacientes com paralisia nos membros inferiores. Cinto pélvico rígido ou semi-rígido. Os movimentos dos quadris, joelhos e tornozelos podem ser livres, limitados ou bloqueados. Pode ser prescrita com goteiras ou sapatilhas de polipropileno acopladas, permitindo o uso com tênis ou calçados.

tutor longo e cinto pelvico

Sobre o tratamento da lesão medular deixo uma notícia fresquinha saída não tem nem 5 mil anos do Papiro de Edwin Smith (2686-2631 a.C.)
“Aquele que tem um desvio do pescoço, não move seus braços e pernas e cuja urina goteja, tem uma enfermidade que não deve ser tratada.”

A visão negativa com relação ao tratamento e prognóstico do Traumatismo Raquimedular (TRM) já se fazia presente nos trabalhos de Hipócrates (1460-1375 a.C.) embora ele esboçasse técnicas para tração axial da coluna vertebral. Paulo de Aegina (625-690 d.C.), outro médico grego, foi o realizador da primeira cirurgia de laminectomia – que só veio a ser repetida em 1828. Durante os séculos seguintes, os pacientes com TRM continuaram a ser tratados de forma primitiva, havendo descrições de métodos rudimentares – cruéis, até – para redução de fraturas e luxações da coluna vertebral. (BALBANI, FILHO, JORGE, 1995)

Sabe-se hoje que a lesão medular tem potencial de recuperação, e diversos estudos efetuados em diferentes países forneceram alguns dados sobre a melhoria do estado neurológico. (ANDRADE, M.J., GONÇALVES, S., 2007)

O traumatismo raquimedular (TRM) é uma condição catastrófica que dependendo da sua gravidade pode causar alterações dramáticas na vida da vítima. O TRM geralmente ocorre em pessoas ativas independentes, que em um determinado momento tem controle sobre suas vidas e no momento seguinte estão paralisadas, com perda de sensibilidade e funções corporais. (UMPHRED, 2004)

É uma lesão traumática definida como um conjunto de situações que comprometem a função da medula espinhal em graus variados de extensão. (CAVENAGHI et al., 2005) Apresenta-se como uma grave síndrome incapacitante, que pode causar alterações na motricidade, sensitiva e autônoma, tendo como principal etiologia a lesão traumática, devido à agressão mecânica, na medula espinal. (FREITAS et al, 2006)

A lesão de medula espinal ocorre em cerca de 15 a 20% das fraturas da coluna vertebral e a incidência desse tipo de lesão apresenta variações nos diferentes países. Estima-se que, na Alemanha, ocorram anualmente dezessete casos novos por milhão de habitantes, nos EUA, essa cifra varia de trinta e dois a cinqüenta e dois casos novos anuais por milhão de habitantes e, no Brasil, cerca de quarenta (40) casos novos anuais por milhão de habitantes. (DEFINO, 1999)

A lesão ocorre, preferencialmente, no sexo masculino, na proporção de 4:1, na faixa etária entre 15 a 40 anos. (DEFINO, 1999) (FREITAS et al, 2006) Acidentes automobilísticos, queda de altura, acidente por mergulho em água rasa e ferimentos por arma de fogo têm sido as principais causas de traumatismo raquimedular (TRM). (DEFINO, 1999)

Anatomicamente, as lesões estão diretamente relacionadas ao mecanismo de trauma e a maior parte (cerca de 2/3) das lesões medulares está localizada na coluna cervical. As lesões na região torácica acontecem em 10% das fraturas desse segmento e 4% na coluna tóracolombar. (FREITAS et al, 2006) ( DEFINO, 1999) A literatura mundial relata que as lesões traumáticas de coluna torácica e lombar acometem preferencialmente adultos jovens do sexo masculino. Esses traumatismos são acompanhados por 10 a 30% de dano neurológico. (CUNHA, F.M. da, GUIMARÃES, E.P., MENEZES, C.M., 2000)

Os sintomas ocorrem de acordo com o nível da lesão, a extensão e o tempo do acometimento, sendo esta classificada em completa (ausência de função abaixo do nível da lesão) e incompleta (alguma função preservada abaixo do nível de lesão). (CAVENAGHI et al, 2005) Quanto ao nível da lesão, os pacientes podem ser classificados em tetraplégico, quando a lesão é acima de T1 e paraplégico, quando a lesão é abaixo deste nível. (BORGES, 2005)

Paraplegia refere-se à deficiência ou perda de função motora e/ou sensorial nos segmentos torácico, lombar ou sacral da medula espinal. A função dos membros superiores é preservada, mas o tronco, os membros inferiores e os órgãos pélvicos podem ficar comprometidos. (STOKES, 2000) T1 é o primeiro nível de lesão classificado como Paraplegia, na qual os membros superiores não são afetados. (UMPHRED, 2004)

Nos tipos de lesão traumática incluem:

CHOQUE MEDULAR – É a perda de todas as funções neurológicas abaixo do nível da lesão medular, o que representa interrupção fisiológica, e não anatômica, da medula espinhal. Caracteriza-se por paraplegia flácida e ausência de atividade reflexa. A duração não costuma ser superior a 48 horas, mas podem persistir várias semanas. O retorno de atividades reflexas indicam o fim do choque medular. A ausência do retorno da motricidade ou sensibilidade abaixo do nível da lesão, após o choque medular, é indicativo de lesão irreparável.

LESÃO MEDULAR COMPLETA- As funções motoras e sensitivas estão ausentes abaixo do nível da lesão.

LESÃO MEDULAR INCOMPLETA – Há alguma função motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão. (GESSER, M., LIMA, A.K., ROSA, M., 2002)

É imprescindível para a reabilitação desses pacientes, o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e com intervenção fisioterapêutica precoce, assim que o paciente chega ao hospital, seja no pronto-socorro, na enfermaria ou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). (CAVENAGHI et al, 2005)

A fisioterapia precoce, ainda no período hospitalar, por meio de diferentes técnicas cinesioterapeuticas, é eficaz em todas as fases da doença, previne deformidades, proporciona maior independência funcional e melhora a qualidade de vida. Cinesioterapia passiva é imprescindível para a manutenção da amplitude articular e da flexibilidade, enquanto os exercícios de resistência e força muscular garantem mudanças do sistema cardiovascular, previnem as complicações circulatórias e melhoram as capacidades funcionais. (CAVENAGHI et al, 2005)

Na fase de reabilitação intensiva, o programa de reabilitação do lesado medular visa adequá-lo à utilização de todo o seu potencial funcional até o nível máximo de independência possível. A fisioterapia engloba, nesta fase, diversas atividades que devem ser adequadas às necessidades e potencialidades de cada paciente. (GESSER, M., LIMA, A.K., ROSA, M., 2002) O fisioterapeuta tem um importante papel na prevenção de deformidades, no aumento e na manutenção de amplitude de movimento. (UMPHRED, 2004)

Os objetivos com a reabilitação devem estabelecer uma intervenção imediata e profilaxia para evitar complicações, atingir independência funcional adequada ao nível de lesão e atingir e manter uma reintegração social. (STOKES, 2000)

As lesões medulares, devido à sua gravidade e irreversibilidade, exigem, para melhoria da qualidade de vida dos indivíduos que sofreram esse trauma, um programa de reabilitação longo e que, na maioria das vezes, não leva à cura, mas auxilia na adaptação a uma nova vida. As sequelas e as dificuldades que essas pessoas enfrentam para retornar à sua vida familiar e social interferem na sua qualidade de vida e é um desafio aos profissionais de um programa de reabilitação. (BAMPI, 2008)

Aspectos curativos da lesão raquimedular ainda é um desafio para os profissionais da saúde. Técnicas inovadoras, como experimentos animais de transplante de células tronco do sistema nervoso central, auxiliam as pesquisas de novas opções de tratamento que objetivam a recuperação da função após o trauma, no entanto, suas aplicabilidades dependem de recursos tecnológicos de difíceis acessos. (CAVENAGHI et al, 2005)

A elaboração das grandes manchetes que descrevem as futuras terapias destinadas a salvar vidas sempre tem início nos laboratórios de pesquisas biomédicas. Nos dias atuais, uma surpreendente soma de recursos materiais e humanos é destinada ao estudo das células-tronco e do seu potencial na regeneração de tecidos ou de órgãos irremediavelmente lesados por doenças ou congenitamente malformados. Tudo indica que o transplante de células-tronco auxiliará a reabilitação em lesados medulares. Contudo, ainda há muitos estágios a serem superados antes que os tratamentos para seres humanos possam ser desenvolvidos e aplicados. Por exemplo, uma degeneração no DNA pode levar a formação de vários tipos de câncer.(ELIAS, D.O.; SOUZA, M. H. L., 2005)

O ponto principal na recuperação do paciente com traumatismo raquimedular não está na aplicabilidade e acesso a tecnologias sofisticadas. A meta é realizar-se a prevenção das possíveis complicações, que pode ser feita através de medidas simples. Quando se têm pacientes orientados adequadamente desde o momento pós-trauma, que acabam evoluindo sem obter consequências evitáveis, a funcionalidade, e em decorrência a qualidade de vida, torna-se maior, dentro é claro dos limites impostos pela lesão. (GESSER, M., LIMA, A.K., ROSA, M., 2002).

Material adicional:

http://www.rbf-bjpt.org.br/files/v1n1/v1n1a05.pdf

http://www.sogab.com.br/sbrto/orteses.htm


Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C
Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 47

47. É de suma importância sabermos a relação entre o segmento espinhal e a vértebra para identificarmos o nível da lesão medular sofrida. Logo, estão comprometidos, numa lesão completa de
(A) C5, supinador e serrátil anterior.
(B) C7, porção esternal do peitoral maior e tríceps.
(C) T1, iliopsoas e sartório.
(D) L4, glúteo mínimo e tibial posterior.
(E) S2, gastrocnêmio e glúteo
Medula
Essa questão é dificultada pelo fato de termos um segmento correto e um incorreto na maioria das alternativas.

A “C” poderíamos eliminar de cara, a musculatura citada é de MMII, nada a ver com T1. Mas…

O que diz o enunciado mesmo? “Estão comprometidos numa lesão completa quais músculos?” Ora, numa lesão completa de T1, com certeza essa musculatura estará comprometida!

Ou seja, com o questionamento do enunciado, a banca não poderia citar segmentos abaixo do nível medular como acometido, se a intenção é propor uma alternativa incorreta.

Para essa questão ser mais exata, ela deveria propor algo como “qual músculo corresponde ao segmento medular indicado”.

Mas, já que teria que escolher uma alternativa, imaginando que a banca quer o segmento medular da musculatura indicada, eu eliminaria além da “C”, a “E” porque não diz nem qual glúteo nem qual gastrocnêmio; e a “D” porque o tibial posterior não corresponde a esse segmento. Ficaria em sérias dúvidas entre “B” e “A”, pois os segmentos batem.

medula-espinhal

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B
Alternativa que indico após analisar: Nenhuma

VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 38

38. Ao tratarmos um paciente com luxação anterior de ombro devem-se evitar os seguintes movimentos:

(A) adução e rotação interna.

(B) elevação e adução horizontal.

(C) abdução e rotação externa.

(D) abdução interna e elevação.

(E) flexão e rotação externa.

luxação anterior do ombro

Vamos supor aqui que a VUNESP queira saber sobre a fase inicial do tratamento, já que após cinco ou seis semanas o tratamento entra na reta final e a história é outra.

Esta questão dá para resolver de forma simples. A posição mais crítica da articulação glenoumeral é a abdução. É nesse movimento em que o paciente refere boa parte das disfunções do complexo aticular do ombro. Aprendemos normalmente na graduação os movimentos puros: flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna e externa, elevação, passando por adução e abdução horizontal mas, funcionalmente, todo movimento do ombro é uma combinação de movimentos em planos e eixos variáveis

As duas únicas alternativas que contém a abdução são a “C” e a “D”, mas essa última propõe o inovador movimento de “abdução interna”… sem comentários. A “C” é a única alternativa possível nesta questão, e se traduz exatamente no mecanismo de lesão mais comum nas luxações anteriores do ombro.

luxação do ombro

O que é a luxação do ombro?

A luxação, em termos médicos, é definida como a “perda do contato articular”. Isto é, a separação de dois ossos que costumam estar em íntimo e contínuo contato por meio de uma área lisa e deslizante, chamada de cartilagem. A luxação do ombro ocorre quando uma força extrema supera os mecanismos estabilizadores (lábio, cápsula e manguito) e desloca a cabeça do úmero para fora da glenóide. Chamamos de subluxação quando o úmero retorna à posição original sozinho após o deslocamento. Essas circunstâncias podem ocasionar lesões dos tecidos. Na maioria das vezes, os danos serão no lábio e nos ligamentos. Em pacientes acima dos 40 anos, além do lábio, os tendões do manguito rotador também podem ser lesados, o que torna a luxação mais grave.
Quais os tipos de luxação, quais as diferenças e como ocorrem?

luxacao do ombro

A luxação do ombro mais comum é a anterior. Nesse tipo, o trauma é normalmente com o ombro em o que chamamos de abdução e rotação externa, que nada mais é do que a posição de arremesso com o braço rodado para fora. Às vezes também pode ocorrer por uma tração do ombro para frente, como se o braço fosse puxado. E em muitos casos o paciente não se recorda ou não sabe como foi o trauma. Na luxação anterior, o úmero é deslocado para frente. Existe um outro tipo de luxação em que o úmero será deslocado para trás, chamada de luxação posterior. Ela é muito mais rara (menos de 10% dos casos de luxação) e ocorre após convulsões, choques elétricos ou acidentes automobilísticos em que o paciente encontrava-se com o braço esticado no volante e sofreu um trauma súbito.

O que ocorre após a luxação do ombro?
Após a primeira luxação, o lábio e os ligamentos sofrem algum grau de lesão. Em indivíduos com frouxidão ligamentar, a luxação pode ocorrer mesmo sem uma trauma importante e pode gerar apenas o alongamento dos ligamentos ou lábio, sem lesões mais graves. Na maioria dos outros indivíduos e naqueles com algum trauma, as luxações geram lesões no lábio e/ou nos ligamentos. Esses tecidos deveriam cicatrizar em uma posição normal para que o paciente não sofresse novos deslocamentos. Infelizmente, essa cicatrização não ocorre na maioria dos casos e, quando ocorre, os tecidos cicatrizam em uma posição anormal. Se não ocorrer a cicatrização, o ombro poderá luxar novamente, gerando a chamada luxação recidivante ou instabilidade glenoumeral.
Com novas luxações, os ligamentos vão se alongar cada vez mais e as lesões podem progredir para o osso. As lesões no osso, chamadas de lesão de Hill-Sachs ou de Bankart ósseo, aumentam ainda mais a chance de uma nova luxação. Mais raramente, pode ocorrer a lesão dos ligamentos no úmero e não na glenóide, conhecida como lesão HAGL (humeral avulsion of glenoumeral ligaments).
Quais são as complicações e consequências da luxação do ombro?

As complicações variam de acordo com a gravidade do trauma, a idade em que ocorreu a primeira lesão, o número de episódios, o tempo em que o ombro permaneceu luxado e se houve ou não lesão de tecidos associados, como o osso e os tendões. Dentre os agravantes, os mais comuns são:

Luxação recidivante: novos deslocamentos podem ocorrer com maior facilidade. Em algumas pessoas, a nova luxação acontece apenas durante o esporte. Em outros, pode ocorrer em atividades diárias ou até mesmo dormindo.
Lesões ósseas: fraturas ou impacções ósseas, que agravam a instabilidade e o quadro clínico, podem ocorrer nas novas luxações ou mesmo na primeira incidência.
Lesão dos tendões do manguito rotador: a luxação pode acarretar lesão nos tendões do manguito rotador, o que limita os movimentos do ombro. Isso ocorre com mais frequência em pacientes acima de 40 anos de idade.
Lesões neurológicas: lesões do nervo axilar ou do nervo musculocutâneo podem aparecer, o que vai causar fraqueza e diminuição da sensibilidade de alguns músculos do paciente.
Artrose: a recorrência da luxação pode facilitar o desenvolvimento de artrose, isto é, de desgaste articular.

Qual é o tratamento da luxação do ombro?
Ocorrido o deslocamento, o objetivo inicial é a redução do ombro – colocar o ombro no lugar. Isso deve ser feito por um médico e apenas após avaliação clínica e radiográfica. Analgésicos, infiltrações ou mesmo anestesia podem ser realizadas para diminuir a dor durante o procedimento. Após a redução, uma nova radiografia deve ser realizada para se certificar de que o procedimento foi realizado de maneira correta. O paciente deve utilizar tipóia. O período de tempo e o tipo de tipóia recomendados a ele serão determinados pelo médico, de acordo com a gravidade da luxação, a idade do paciente e sua assiduidade na prática de atividade física. Exames subsidiários, como a ressonância nuclear magnética (RNM) podem ser necessários para avaliar lesões associadas.

Quando é indicado o tratamento não operatório ou conservador para luxação do ombro?
Em pacientes de menor demanda, de maior idade ou em casos de menor gravidade, o tratamento inicial será baseado no uso da tipóia e no uso de analgésicos e antiinflamatórios, seguido pela adequada reabilitação. Àqueles que apresentam grande frouxidão ligamentar sem lesão do lábio ou ligamentos, o tratamento não operatório é o mais indicado e a reabilitação deve ter um período mais longo.

Como é a reabilitação ou fisioterapia do ombro para a luxação do ombro?
A reabilitação, realizada tradicionalmente através de fisioterapia, tem diversos objetivos. O paciente deve ser orientado a evitar posições de risco para novas luxações. Gelo pode ser aplicado para diminuir o processo inflamatório. Inicialmente, o tratamento foca na recuperação da mobilidade do ombro. Em seguida, deve centralizar no fortalecimento muscular, com especial atenção aos músculos que formam os tendões do manguito rotador e aos músculos estabilizadores da escápula. A reabilitação pode ser necessária durante um ou dois meses. Depois dessa fase, o indivíduo precisa continuar o fortalecimento muscular – com um treinamento domiciliar ou em academia, mas sempre com muita atenção para evitar movimentos que podem causar a luxação ou subluxação. Esse tratamento pode auxiliar na estabilização do ombro em muitos casos.

Quando é indicado o tratamento cirúrgico?
Indivíduos com maior risco de luxação (jovens, esportistas ou com demanda elevada) podem precisar de tratamento cirúrgico após o primeiro episódio da luxação. Nos indivíduos que possuem lesões do lábio, lesões ósseas associadas, lesões dos tendões do manguito rotador ou em indivíduos com alta demanda – como, por exemplo, atleta de esportes de arremesso – o tratamento cirúrgico pode ser indicado. A cirurgia também é recomendável àqueles que sofrem casos recorrentes de luxação ou subluxação, sem melhora com o tratamento conservador. Existem diversos estudos avaliando a vantagem e o risco x benefício da cirurgia após o primeiro episódio de luxação. A conclusão final é de que é vantajoso partir para a cirurgia mesmo após um único episódio de luxação.

Como é o tratamento cirúrgico da luxação do ombro?
Existem diversos tipos de cirurgia para o tratamento da luxação recidivante de ombro. Citaremos os dois tipos de cirurgia mais comumente realizados na atualidade. Para a maioria dos casos, o tratamento pode ser realizado por via artroscópica, com 3 ou 4 orifícios de 1cm no ombro e o uso de equipamentos específicos para um procedimento pouco invasivo. Nesse procedimento, é realizado o reparo do lábio (tecido avulsionado ou mal cicatrizado após as luxações) e a capsuloplastia (retensionamento da cápsula articular e dos ligamentos glenoumerais), através de âncoras (pequenos parafusos absorvíveis que são presos ao osso de um lado e tem fios de sutura no outro lado). Com a reinserção, é possível a cicatrização dos ligamentos e do labrum em uma boa posição, apresentando um alto índice de sucesso.
Em indivíduos com consideráveis lesões ósseas da glenóide (acima de 25%), o tratamento através do reparo labral por artroscopia não apresenta uma taxa de sucesso satisfatória, falhando em até 60% dos casos. Nesses casos, é mais recomendada a cirurgia que chamamos de bloqueio ósseo. Em um dos bloqueios mais eficazes e seguros, conhecido como cirurgia de Bristow ou de Latarjet, o osso chamado de coracóide, localizado próximo à articulação do ombro, é movido e fixado na borda da glenóide (local em que houve lesão óssea), aumentando a área óssea e tensionando de modo dinâmico um dos músculos do manguito rotador. É uma cirurgia realizada com maior frequência em países onde são disputados esportes competitivos de alto impacto no ombro, como na França por causa do rugby. O procedimento apresenta alto índice de sucesso, mas ainda é realizada por via aberta – com incisões na pele de 5 a 8 cm. Existem estudos para sua realização por artroscopia, mas o método ainda não é seguro o bastante para ser realizado de rotina. Há ainda outros métodos que podem ser realizados para o tratamento da luxação recidivante, tais como o procedimento de Remplissage – para lesões ósseas da cabeça do úmero -, a capsuloplastia, recomendada para instabilidade multidirecional aos pacientes com frouxidão ligamentar, ou a fixação de fraturas associadas com âncoras ou parafusos.
Fonte: http://maurogracitelli.com/blog/luxacao-ombro

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

Aeronáutica – EAOT 2002 – Questão 03

03 – Assinale a alternativa que indica o músculo rotador externo primário do ombro.

a) Peitoral maior.

b) Redondo menor.

c) Grande dorsal.

d) Subescapular.
musculos ombro


Essas questões sobre anatomia e/ou biomecânica são muito frequentes em concursos. De todas as articulações, a mais complexa é a do ombro, portanto é muito importante ter bem resolvido esse assunto. Vamos à anatomia dos músculos citados nas alternativas:



PEITORAL MAIOR

peitoral maior

Inserção Medial: 1/2 medial da borda anterior da clavícula, face anterior do esterno, face externa da 1ª a 6ª cartilagem costais e aponeurose do oblíquo externo do abdome
Inserção Lateral: Crista do tubérculo maior
Inervação: Nervo do Peitoral Lateral e Nervo do Peitoral Medial (C5 – T1)
Ação: Adução, rotação medial(interna), flexão e flexão horizontal do ombro.

REDONDO MENOR

redondomenor

Inserção Medial: 2/3 superior da borda lateral da escápula
Inserção Lateral: Faceta inferior do tubérculo maior do úmero
Inervação: Nervo Axilar (C5 e C6)
Ação: Rotação lateral(externa) e adução do braço


LATÍSSIMO DO DORSO

latissimo do dorso

Inserção Medial: Processos espinhosos da 6ª últimas vértebras torácicas e todas lombares, crista do sacro, 1/3 posterior da crista ilíaca e face externa da 4 últimas costelas.
Inserção Lateral: Sulco intertubercular
Inervação: Nervo Toracodorsal (C6 – C8)
Ação: Adução, extensão e rotação medial(interna) do braço. Depressão do ombro.


SUBESCAPULAR



Inserção Medial: Fossa subescapular
Inserção Lateral: Tubérculo menor
Inervação: Nervo Subescapular Superior e Inferior – Fascículo posterior (C5 e C6)
Ação: Rotação medial(interna) e adução do braço
Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

VUNESP – São Paulo/2002 – Questão 42

42. O uso do gelo, também denominado de crioterapia, é muito utilizado em lesões do sistema músculoesquelético. Portanto, na fase aguda de uma lesão, é utilizado

(A) para produzir hiperemia.

(B) associado a manobras passivas.

(C) apenas após as 48 horas da ocorrência da lesão.

(D) para provocar vasoconstrição, reduzindo risco de ocorrer dor, edema e hematomas.

(E) somente como medida analgésica.

gelo e urso2

Alternativas “A”, “B” e “E” são incorretas. Há outras questões sobre crioterapia aqui nesse blog. Podem ser conferidas pelas categorias ao lado ou pelo mecanismo de busca, digitando crioterapia irá aparecer as questões desse tema. Eu mesmo utilizo a busca do blog e já constatei que é bem eficiente.

A alternativa “C” nos traz uma questão interessante. Aprendemos que normalmente se usa gelo por volta de 48 horas após a lesão, então por quê esta alternativa está errada? Reparem bem, nessa questão há um termo que em qualquer texto mequetrefe sobre concursos se recomenda cautela: “apenas”. Esse termo limita a alternativa, a torna específica, num ponto onde não há essa precisão. As lesões são diferentes, o período inflamatório pode variar dependendo de diversos fatores, como o mecanismo do trauma, idade do indivíduo, local do trauma e, dessa forma, podemos utilizar gelo até após essas 48 horas.

A alternativa “D” é a correta.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

Aeronáutica – EAOT 2002 – Questão 02

02 – Com relação aos ligamentos da coluna vertebral, pode-se afirmar que

a) o ligamento longitudinal anterior é uma banda contínua à  frente dos corpos vertebrais e se prolonga das cervicais as lombares.

b) o ligamento amarelo está situado atrás das apófises espinhosas.

c) entre dois processos transversos superpostos encontra-se o ligamento interespinhal.

d) na flexão do tronco, o ligamento longitudinal posterior recebe uma pressão do núcleo discal.



Gostei dessas questões da aeronáutica, por isso comecei a comentar essa prova também. As questões contém afirmações detalhistas, quase corretas. E, por isso mesmo, vou deixar de considerar alternativas duvidosas que as bancas indicam como corretas. A alternativa correta deve ser perfeitamente correta, pois se houver erro ela compromete o raciocínio e faz com que se conte com a sorte para acertar.

Na “A”, o erro é que o ligamento longitudinal anterior vai até o sacro, e não até a lombar.

Na “B”, o erro é que o ligamento amarelo recobre a face posterior das lâminas, e não do processo espinhoso.

Na “C”, o erro é que a descrição da alternativa define o ligamento interespinhoso.

A “D” é, se é que existe isso, parcialmente correta. Se pensarmos que na flexão das vértebras o núcleo sofre  pressão na porção anterior, o núcleo desloca-se para trás, sendo contido pelo ligamento longitudinal posterior. Aqui, temos que optar por ela porque as outras são realmente incorretas, mas há dois pontos conflitantes: a banca não indica qual região da coluna supostamente sofre essa pressão posterior na flexão do tronco e a banca também diz que a pressão é do núcleo, o que também não é exatamente correto. Vejam, o núcleo realmente se desloca para trás, mas ele está envolto pelas fibras do disco e não entra em contato direto com estruturas externas, com exceção da ocorrência de uma hérnia de disco.

Revisão:

Ligamento comum vertebral anterior – situado na face anterior do corpo vertebral, na região torácica esse ligamento amplia-se de maneira a cobrir toda a face anterior do corpo vertebral até a cabeça das costelas, a qual está intimamente aderida, na face posterior do ligamento há também a ligação entre o corpo vertebral e o disco intervertebral.

Ligamento comum vertebral posterior – situado na parte posterior dos corpos vertebrais, dentro do canal vertebral, estende-se desde o processo basilar do osso occipital e vai até o sacro, é mais fino que o LCVA e está ricamente inervado pelo nervo Sinus-Vertebral de Luschka. Fonte de dores dorsais.

O ligamento amarelo, ou ligamentum flavum, é um ligamento longitudinal da face posterior da coluna vertebral. Tem um componente superficial e outro profundo. O ligamento amarelo superficial insere-se na margem superior e na superfície póstero-superior da lâmina caudal. O ligamento amarelo profundo insere-se na superfície anterosuperior da lâmina caudal.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: Nenhuma.

Aeronáutica – EAOT 2002 – Questão 01

01 – O tecido conjuntivo que envolve o músculo como um todo é chamado de

a) perimísio.

b) endomísio.

c) epimísio.

d) lâmina externa


tessuto_muscolare_striato_scheletrico


O endomísio envolve cada fibra muscular, o perimísio circunda um feixe de até 150 fibras que acaba ficando com a denominação de fascículo. A última fáscia de tecido conjuntivo que circunda o músculo inteiro é chamada de epimísio. O epimísio vai se afunilando em suas extremidades e acaba se unindo ao periósteo (cobertura mais externa dos ossos) formando os tendões..


tec conj muscular


Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C