Faculdade Mario Schenberg

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

FUNRIO – Itaboraí/RJ 2007 – Questão 40

40. Os músculos fibulares devem ser fortalecidos e estimulados na sua propriocepção, principalmente em atletas. Entretanto, as entorses do tornozelo são, na maioria das vezes, resultantes de lesões em:

A) eversão

B) inversão

C) flexão dorsal

D) flexão plantar

E) flexão associada à rotação

entorse de tornozelo 1
Não entendi o “entretanto” e a relação com a entorse, mas well, o mais tipo comum é a entorse em inversão.

A entorse é um movimento violento, com estiramento ou ruptura de ligamentos de uma articulação. A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas frequentemente encontradas na população ativa, que geralmente envolve lesão dos ligamentos laterais. Ocorre com maior frequência nos atletas de futebol, basquete e vôlei, correspondendo a cerca de 10% a 15% de todas as lesões do esporte. A entorse do tornozelo pode evoluir com complicações, com vários graus de limitação funcional.

entorse de tornozelo 2
A estabilidade lateral do tornozelo é dada pelo mecanismo contensor dos ligamentos talo-fibular anterior, posterior e talo-calcâneo, associada ao terço distal da fíbula. O mecanismo de lesão habitual é a inversão do pé com flexão plantar do tornozelo, numa intensidade além do normal, que acontece geralmente ao pisar em terreno irregular ou degrau. Este movimento anômalo proporciona uma lesão que se inicia no ligamento talo-fibular anterior e pode progredir para uma lesão do ligamento calcâneo-fibular, com o aumento da energia do trauma. A lesão do ligamento talofibular posterior é rara, ocorrendo apenas na luxação franca do tornozelo.

Como classificar a entorse de tornozelo?

A classificação de entorse de tornozelo é baseada no exame clínico da área afetada e divide a lesão em três tipos: grau 1- estiramento ligamentar; grau 2-lesão ligamentar parcial e grau 3-lesão ligamentar total.

entorse de tornozelo tipos
O quadro clínico encontrado é de dor, com edema localizado na face ântero-lateral do tornozelo, equimose mais evidente após 48 horas e dificuldade para deambular. Quanto mais grave a lesão, mais evidentes ficam os sinais. A associação destes sintomas com o teste da gaveta anterior positivo permite caracterizar uma lesão grau 3 em 96% dos casos.

entorse de tornozelo 5
São necessários exames complementares?

A necessidade de exames complementares para entorse de tornozelo baseia-se na suspeita de fraturas associadas. Das radiografias realizadas em doentes com lesão de tornozelo, 85% são normais. Com intuito de evitar radiografias desnecessárias, foram criadas regras (regras de Ottawa para tornozelo) que indicam a realização de radiografias apenas quando houver dor em pontos ósseos específicos ou na impossibilidade do apoio de marcha (pelo menos quatro passos). Esta regra mostrou sensibilidade de 99,7%, porém com especificidade variável (10% a 70%).

A ressonância magnética pode ser indicada nos casos de persistência da dor após três meses da lesão inicial, com o objetivo de investigar lesões associadas, como osteocondral, do impacto ântero-lateral e identificar lesões ligamentares crônicas.

Quais são as opções de tratamento da entorse de tornozelo na fase aguda?

O objetivo do tratamento da lesão ligamentar do tornozelo é o retorno às atividades diárias (esporte/trabalho), com remissão da dor, inchaço e inexistência de instabilidade articular.

O tratamento inicial para todas as lesões consiste em repouso por três dias, aplicação local de gelo, elevação do membro afetado e proteção articular com imobilizador ou tala gessada. O uso de antiinflamatórios não-hormonais mostrou diminuição da dor e edema, com melhora precoce da função articular.

Nas lesões leves, o tratamento é sintomático, com manutenção da imobilização até a melhora dos sintomas, que dura entre uma e duas semanas. Já nas lesões completas, a proteção articular com imobilizadores semi-rígidos possibilitou retorno mais rápido às atividades físicas e laborativas quando comparada à imobilização gessada, porém a ocorrência de edema, dor e instabilidade em longo prazo foi semelhante nos dois grupos. Outros tipos de imobilização funcional, como enfaixamento e imobilizadores elásticos, tiveram resultados inferiores aos imobilizadores rígidos e semi-rígidos.

O tratamento cirúrgico comparado ao tratamento conservador não mostrou superioridade no retorno precoce à atividade física, apenas parece evoluir com menor instabilidade residual. O tratamento deve ser feito de forma individualizada, avaliando-se cuidadosamente os riscos, que são maiores no tratamento cirúrgico. Portanto, a preferência é dada ao tratamento conservador para as lesões agudas, com atenção a pacientes que possam permanecer sintomáticos.

Quais são as possíveis complicações das entorses?

Alguns pacientes permanecem com dor ou instabilidade após seis meses do tratamento da lesão ligamentar aguda. As possíveis lesões associadas geralmente são por ordem decrescente de frequência: instabilidade crônica, lesão osteocondral, impacto com processo inflamatório tíbio-fibular distal e impacto anterior com exostose. A investigação diagnóstica destes pacientes pode ser realizada pelo exame clínico associado a métodos diagnósticos, como as radiografias simples e com estresse, ressonância magnética e artroscopia, sendo este último o de maior sensibilidade e especificidade.

Outro fator que piora o prognóstico das lesões ligamentares do tornozelo é a associação de varo no retropé, que foi determinante na evolução para artrose em longo prazo (30 anos). A pesquisa por tomografia computadorizada mostrou-se confiável para quantificar o varo. Este fato encoraja a realização da osteotomia valgizante do calcâneo nas instabilidades crônicas associadas a varo do retropé.

Qual é a conduta a ser adotada nas instabilidades crônicas?

Cerca de 20% das entorses de tornozelo podem evoluir com algum tipo de instabilidade após seis meses da lesão inicial, acompanhada ou não de frouxidão ligamentar. Os pacientes com boa contensão mecânica – chamada instabilidade funcional – têm como causa a falha na propriocepção, e são tratados com métodos fisioterápicos. Mesmo aqueles pacientes com frouxidão ligamentar possuem algum déficit de propriocepção, portanto também devem inicialmente ser submetidos à reabilitação. Os pacientes com instabilidade sintomática persistente podem ser submetidos à correção cirúrgica. Não existe evidência na literatura para determinar qual técnica de tratamento cirúrgico leva a melhores resultados, porém é demonstrado que pacientes submetidos à recuperação funcional com imobilizadores semi-rígidos no pós-operatório tiveram retorno mais precoce às atividades diárias, quando comparados àqueles que utilizaram imobilização gessada.

Qual é a conduta a ser adotada nas lesões osteocondrais do talus?

Em pacientes sintomáticos com lesão condral do talus graus 2b, 3 e 4 de Ferkel, pode ser indicada cirurgia. Existem várias técnicas, mas as mais utilizadas são a condroplastia, microfratura ou transferência autóloga osteocondral, que quando comparadas não apresentam diferença nos resultados obtidos após dois anos de acompanhamento.

Fonte:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302009000500008

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 01

01. As contrações excêntricas máximas podem produzir, além das distensões, a seguinte lesão:

A) desinserção tendinosa

B) ruptura miotendínosa

C) hematoma miofibrilar

D) bloqueio neuromuscular

E) dor muscular de início retardado
estrutura do musculo
Sobre a “A”, uma contração excêntrica máxima não causaria uma desinserção da extremidade óssea do tendão, ao menos sem que exista outro mecanismo de lesão. Também não causaria uma ruptura da extremidade muscular do tendão, que é o que propõe a alternativa “B”. A meu ver, o motivo é simples: o ventre muscular é uma extrutura mais frágil que as inserções do tendão, e romperia antes. Claro aqui que me refiro apenas à contração excêntrica, já que não há nenhuma outra informação sobre mecanismo de lesão no enunciado.

Com relação à “C”, hematoma miofibrilar, na ocorrência de ruptura das miofibrilas há a formação de hematoma neste espaço, quando existe lesão muscular. Nesse sentido, esse termo “hematoma miofibrilar”, ao se referir ao hematoma ocasionado pela ruptura das miofibrilas, poderia responder perfeitamente à questão. Eu apostaria nessa como correta, mas o enunciado diz “além da distensão” e essa alternativa tem relação direta com a distensão. Ficou confuso isso, já que o hematoma também pode ser considerado como algo diferente da lesão muscular, sendo originado por ela. Realmente confuso.

Sobre a “D”, o bloqueio neuromuscular causaria a paralisia do músculo, por interrupção dos impulsos nervosos na junção neuromuscular. Alternativa incorreta.

Na”E”, a dor muscular de início retardado é a dor muscular que ocorre de 1 ou 2 dias após o treino é denominada dor de ocorrência tardia (DOT) ou dor muscular de início retardado (DMIR), tal dor está mais relacionada às contrações excêntricas ou a execução de um padrão de movimento diferente daquele ao qual o indivíduo está acostumado, conseqüentemente, modificando o recrutando das unidades motoras. Devido a estes fatores, muitos indivíduos sentem dores no início de um programa de exercício resistido ou na mudança de exercícios. Alternativa correta e que responde ao questionamento.

As lesões musculares podem ser causadas por contusões, estiramentos ou lacerações.

A força exercida sobre o músculo leva a um excessivo estiramento das miofibrilas e, consequentemente, a uma ruptura próxima à junção miotendínea. Os estiramentos musculares são tipicamente observados nos músculos superficiais que trabalham cruzando duas articulações, como os músculos reto femoral, semitendíneo e gastrocnêmio.

Classificação

A atual classificação das lesões musculares separa as lesões entre leve, moderada e grave a partir dos aspectos clínicos revelados.

Estiramentos e contusões leves (grau I) representam uma lesão de apenas algumas fibras musculares com pequeno edema e desconforto, acompanhadas de nenhuma ou mínima perda de força e restrição de movimentos. Não é possível palpar-se qualquer defeito muscular durante a contração muscular. Apesar de a dor não causar incapacidade funcional significativa, a manutenção do atleta em atividade não é recomendada devido ao grande risco de aumentar a extensão da lesão.

Estiramentos e contusões moderadas (grau II) provocam um dano maior ao músculo com evidente perda de função (habilidade para contrair). É possível palpar-se um pequeno defeito muscular, ou gap, no sítio da lesão, e ocorre a formação de um discreto hematoma local com eventual ecmose dentro de dois a três dias. A evolução para a cicatrização costuma durar de duas a três semanas e, ao redor de um mês, o paciente pode retornar à atividade física de forma lenta e cuidadosa.

Uma lesão estendendo-se por toda a sessão transversa do músculo e resultando em virtualmente completa perda de função muscular e dor intensa é determinada como estiramento ou contusão grave (grau III). A falha na estrutura muscular é evidente, e a equimose costuma ser extensa, situando-se muitas vezes distante ao local da ruptura. O tempo de cicatrização desta lesão varia de quatro a seis semanas. Este tipo de lesão necessita de reabilitação intensa e por períodos longos de até três a quatro meses. O paciente pode permanecer com algum grau de dor por meses após a ocorrência e tratamento da lesão.
lesao muscular
FISIOPATOLOGIA

O que distingue a cicatrização da lesão muscular da cicatrização óssea é que no músculo ocorre um processo de reparo, enquanto que no tecido ósseo ocorre um processo de regeneração. A cicatrização do músculo esquelético segue uma ordem constante, sem alterações importantes conforme a causa (contusão, estiramento ou laceração).

Três fases foram identificadas neste processo: destruição, reparo e remodelação. As duas últimas fases (reparo e remodelação) se sobrepõem e estão intimamente relacionadas.

Fase 1: destruição – caracterizada pela ruptura e posterior necrose das miofibrilas, pela formação do hematoma no espaço formado entre o músculo roto e pela proliferação de células inflamatórias.

Fase 2: reparo e remodelação – consiste na fagocitose do tecido necrótico, na regeneração das miofibrilas e na produção concomitante do tecido cicatricial conectivo, assim como a neoformação vascular e crescimento neural.

Fase 3: remodelação – período de maturação das miofibrilas regeneradas, de contração e de reorganização do tecido cicatricial e da recuperação da capacidade funcional muscular.

Como as miofibrilas são fusiformes e muito compridas, há um risco iminente de que a necrose iniciada no local da lesão se estenda por todo o comprimento da fibra. Contudo, existe uma estrutura específica, chamada de banda de contração, que é uma condensação do material citoesquelético que atua como um “sistema antifogo”.
sistema antifogo
Uma vez que a fase de destruição diminui, o presente reparo da lesão muscular começa com dois processos simultâneos e competitivos entre si: a regeneração da miofibrila rota e a formação do tecido conectivo cicatricial. Uma progressão balanceada destes processos é pré-requisito para uma ótima recuperação da função contrátil do músculo. Embora as miofibrilas sejam genericamente consideradas não mitóticas, a capacidade regenerativa do músculo esquelético é garantida por um mecanismo intrínseco que restaura o aparato contrátil lesionado. Durante o desenvolvimento embrionário, um pool de reserva de células indiferenciadas, chamado de células satélites, é armazenado abaixo da lâmina basal de cada miofibrila. Em resposta à lesão, estas células primeiramente se proliferam, diferenciam-se em miofibrilas e, finalmente, juntam-se umas às outras para formar miotúbulos multinucleados. Com o tempo, a cicatriz formada diminui de tamanho, levando as bordas da lesão à uma aderência maior entre si. Contudo, não se sabe se a transecção das miofibrilas dos lados opostos da cicatriz vai, definitivamente, se fundir entre si ou se irá formar um septo de tecido conectivo entre elas.

Imediatamente após a lesão muscular, o intervalo formado entre a ruptura das fibras musculares é preenchido por hematoma. Dentre o primeiro dia, as células inflamatórias, incluindo os fagócitos, invadem o hematoma e começam a organizar o coágulo. A fibrina derivada de sangue e a fibronectina se intercalam para formar o tecido de granulação, uma armação inicial e ancoramento do local para os fibroblastos recrutados. Mais importante, este novo tecido formado provê a propriedade de tensão inicial para resistir às contrações aplicadas contra ele. Aproximadamente 10 dias após o trauma, a maturação da cicatriz atinge um ponto em que não é mais o local mais frágil da lesão muscular.

Apesar de a maioria das lesões do músculo esquelético curar sem a formação de tecido cicatricial fibroso incapacitante, a proliferação dos fibroblastos pode ser excessiva, resultando na formação de tecido cicatricial denso dentro da lesão muscular. Um processo vital para a regeneração do músculo lesionado é a área de vascularização. A restauração do suprimento vascular é o primeiro sinal de regeneração e pré-requisito para as recuperações morfológica e funcional subsequentes.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-36162011000300003

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 02

02.Sendo importante distúrbio do tônus muscular, a espasticidade é resultado de lesão à nível de:

A) núcleos da base.

B) primeiro neurônio motor.

C) segundo neurônio motor.

D) tronco cerebral.

E) neurônios de associação internuciais.

neuronio
A definição mais aceita da espasticidade é que se trata de uma desordem motora, caracterizada pela hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento com exacerbação dos reflexos profundos e aumento do tônus muscular. A espasticidade surge em situações clínicas tais como: acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, lesões medulares, neoplasias, trauma crânio-encefálico, doenças heredodegenerativas e desmielinizantes entre outras alterações do neurônio motor superior.

N E U R Ô N I O M O T O R S U P E R I O R (ou primeiro neurônio motor)

São todos aqueles neurônios do SNC que influenciam no funcionamento do neurônio motor inferior. Eles se dividem em 3 subgrupos: piramidal, extrapiramidal e cerebelo. O neurônio motor superior começa no cérebro mas emite axônio longo que percorre a medula espinhal para fazer sinapse com o neurônio motor inferior.


N E U R ÔN I O M O T O R I N F E R I O R (ou segundo neurônio motor)

É o neurônio cujo corpo celular e dendritos estão localizados no SNC e cujo axônio se estende através dos nervos periféricos para fazer sinapse com as fibras musculares esqueléticas.


Sugestões de leitura;

Diagnõstico e tratamento da espasticidade:

http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/048.pdf


Espasticidade: avaliação clínica:

http://www.projetodiretrizes.org.br/5_volume/18-Espasticid.pdf


Aulinha animal, sobre sistema nervoso, boa pra cachorro. Ops, é sobre animais em geral, grupo ao qual pertencemos:

http://www.uff.br/fisiovet/SISTEMA_NERVOSO_2005.pdf


Aulinha sobre disfunções de neurônio motor:

http://www.fisfar.ufc.br/petmedicina/images/stories/sndromes_neurolgicas.pdf


Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Descoberto novo ligamento no joelho?

Confesso que fiquei perplexo com a notícia que vi no facebook e depois em alguns sites da internet. Foi divulgado na rede que pesquisadores belgas haviam descoberto um novo ligamento no joelho. Pensei comigo mesmo: Como assim deixaram escapar um ligamento todos esses anos? e logo no joelho! Anos e anos de estudos morfológicos, centenas de milhares de Ressonâncias Magnéticas, incontáveis cirurgias em  joelhos de pessoas ao redor do mundo e simplesmente, de repente, alguém descobre um novo ligamento no joelho? Fiquei realmente intrigado, e fui atrás do artigo original para saber mais sobre esta descoberta inacreditável.


O artigo em questão foi publicado em agosto de 2013 no Journal of Anatomy (Acesse clicando AQUI ) com o título “Anatomy of the anterolateral ligament of the knee” (Anatomia do Ligamento Anterolateral do Joelho). A descoberta deste novo ligamento seria realmente fantástica, exceto por um pequeno detalhe: O até então “ ligamento desconhecido“ já havia sido descrito há mais ou menos uns 134 anos atrás por um cirurgião francês chamado Paul Segond (tá aqui a publicação original onde ele descreve o ligamento – Obs: tá em francês,  Acesse Clicando AQUI  ). Ok pessoal, detesto ter de zoar com a manchete dos sites de notícias, mas infelizmente esta é a verdade.
O que eu achei mais curioso disso tudo foi que a informação de que o Ligamento anterolateral do Joelho não foi nenhuma “descoberta” pode ser facilmente encontrada na primeira linha do resumo do artigo: “In 1879, the French surgeon Segond described the existence of a ‘pearly, resistant, fibrous band’ at the anterolateral aspect of the human knee... "(Em 1879 , o cirurgião francês Segond descreveu a existência de uma faixa fibrosa,resistente e perolada no aspecto anterolateral do joelho humano...)
Obviamente que o artigo não é uma fraude. O estudo é relevante pois faz uma avaliação qualitativa e quantitativa da relação do ligamentoanterolateral com outras estruturas anatômicas próximas e levanta a discussão sobre a importância biomecânica deste ligamento.Trata-se portanto de uma investigação mais detalhada e minuciosa de uma estrutura anatômica já conhecida porém pouco estudada e não necessariamente uma descoberta. Porém o que mais me intrigou  foi o fato de que os sites de notícia se preocuparam apenas em copiar e colar a manchete sem ao menos verificar a fonte original.
Mas graças ao meu comportamento esquizofrênico/paranóico de duvidar da realidade, fui em busca de outros artigos científicos sobre o tal Ligamento Anterolateral e olhem só o que eu achei: Um trabalho publicado por pesquisadores da USP na Revista Brasileira de Ortopedia com o título: Estudo anatômico do Ligamento Anterolateral do Joelho (Acesse Clicando AQUI )
E pasmem: Publicado em abril de 2013!!!!!
Eu não sou anatomista, e pode ser que eu esteja enganado, mas pela descrição dos ligamentos, me parece que os dois artigos descrevem a mesmíssima estrutura anatômica.

MORAL DA HISTÓRIA:

Faça como o He-Man, não acredite em tudo que aparece no facebook.

Hasta la Vista amigos

Complicações cardíacas na Distrofia Muscular de Duchenne

ATENÇÃO!!!
O conteúdo desta postagem é direcionada a estudantes e profissionais de saúde.
Para orientações quanto ao acompanhamento da distrofia muscular, acesse o site da Associação Brasileira de Distrofia Muscular  


Olá Fisionautas,
Quando decidi escrever um blog de fisioterapia o meu maior objetivo era o de tentar lançar um olhar diferenciado sobre alguns assuntos relacionados com a fisioterapia e reabilitação. Acredito que esta postagem exemplifica bem o espírito desta iniciativa. Hoje vou falar sobre uma comorbidade comum na Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), porém muito pouco falada: A disfunção cardíaca em pacientes com DMD.
Um dos aspectos interessantes deste assunto é que a disfunção cardíaca em pacientes com DMD só se tornou relevante devido a maior sobrevida desta população, causada principalmente pelo prolongamento da vida destes pacientes.

A DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
Só pra relembrar; A DMD é uma doença hereditária progressiva, de herança recessiva ligada ao cromossomo X que afeta o gene responsável pela síntese da distrofina. A distrofina é uma proteína que ajuda na estabilização da membrana celular dos músculos esqueléticos e também dos músculos cardíacos. Como conseqüência, pacientes com DMD apresentam células musculares muito frágeis.
A fraqueza muscular progressiva e as complicações respiratórias são os aspectos mais evidentes e os principais focos de intervenção dos fisioterapeutas. A melhoria dos cuidados está gerando uma queda na incidência de mortes por insuficiência respiratória na DMD, ao passo que as mortes por acometimento cardíaco estão se tornando cada vez mais freqüentes. Fisioterapeutas que atuam com crianças e adolescentes precisam estar familiarizados com as repercussões cardíacas da DMD.  


COMO O CORAÇÃO É AFETADO NA DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
O envolvimento cardíaco na DMD é freqüente, insidioso e está presente em aproximadamente 80% dos pacientes. Como estes pacientes estão sujeitos a acentuada restrição de mobilidade, mesmo que estejam com disfunção sistólica acentuada, os primeiros sintomas de disfunção cardíaca podem demorar a se manifestar – o que é ruim, pois quando surgem o coração pode já estar bastante comprometido - Os sintomas de disfunção cardíaca podem ser vagos e inespecíficos, como fadiga, perda de peso, vômito, distúrbios do sono. Estes pacientes freqüentemente desenvolvem arritmias e podem apresentar bloqueio AV completo associado a disfunção sistólica grave no estágio final da doença (para maiores detalhes acesse:  )
No coração, a DMD está relacionada a substituição progressiva de cardiomiócitos e do sistema de Purkinje por tecido conjuntivo, fibrose ou por gordura. Estudos histológicos têm demonstrado que fibras cardíacas de Purkinje apresentam necrose similar à notada nos músculos esqueléticos

A detecção precoce de cardiomiopatia é importante, pois a instituição de  terapias médicas cardioprotetores pode retardar o remodelamento cardíaco adverso e atenuar sintomas de insuficiência cardíaca nestes pacientes.
LIÇÕES:

Muito bem amiguinhos e amiguinhas, como os fisioterapeutas são os profissionais de saúde que certamente mais tem contato com a criança com DMD, é nosso dever orientar a família. Desta forma, na minha opinião, a grande lição desta postagem é aseguinte: 

Os sintomas cardíacos são difíceis de se identificar em crianças e adolescentes com DMD, assim, podemos orientar a família a ter o acompanhamento preventivo de um cardiologista, mesmo antes da piora dos sintomas respiratórios.

PROVA COMENTADA - INSS - FISIOTERAPEUTA 2013

Prova anulada da Funrio 2013.

Questão 51 - A maioria dos estudos demonstrou efetividade na redução nos níveis de vários fatores de risco para a doença coronariana,exceto
A) Triglicerídeos.
B) LDL-colesterol e HDL-colesterol.
C) Intolerância à glicose.
D) Colesterol total.
E) Pressão arterial sistólica e diastólica.

GABARITO: Alternativa B
COMENTÁRIO:
Embora a redação desta questão esteja um pouco confusa. Mas com um pouco de boa vontade, é possível perceber que a pergunta diz respeito a identificação de fatores de risco de doença coronariana, mais especificamente àqueles cuja redução não é considerado como fator de proteção.
Vou começar a análise das alternativas relembrando o conceito de dislipidemia. Basicamente, a Dislipidemia é a presença de níveis elevados ou anormais de lipídios e/ou lipoproteínas no sangue. O risco de doença coronariana aumenta significativamente com valores elevados de Colesterol Total, triglicerídeos e LDL. A partir desta informação, podemos considerar que as alternativas A e D são verdadeiras; isto é: sua redução reduz o risco de doença coronariana.  
A Pressão Arterial é outra variável que quando reduzida, também reduz o risco de doença coronariana, assim, a alternativa E também é verdadeira.
A ointolerância a glicose ou pré-diabetes é considerado um fator de risco. Na medida em que você reduz a intolerância à glicose, você também reduz os riscos de eventos cardíacos. Portanto agora só nos resta analisar a alternativa B. 
Já vimos que a redução dos níveis de LDL estão associados a redução de risco, porém com relação ao HDL, ocorre o inverso; isto é: o risco aumenta à medida que seus valores diminuem. Desta forma, podemos concluir que a alternativa B é a única que contém uma variável (HDL) que quando em níveis reduzidos, aumenta o risco de doença coronariana.

FONTE: Consenso Brasileiro Sobre Dislipidemias:  Detecção, Avaliação e Tratamento - Sociedade Brasileira de Cardiologia http://publicacoes.cardiol.br/consenso/1994/6301/63010014.pdf

Avaliação dos fatores de risco para doença arterial coronariana em pacientes de São Caetano do Sul segundo o Escore de Framingham e sua relação com a síndrome metabólica.http://www.cepsanny.com.br/pdf/v1n1a2.pdf


Questão 52 - O método hidroterapêutico que incorpora as técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) denomina-se
A) Halliwick.
B) Ruoti.
C) Watsu.
D) Anéis de Bad Ragaz.
E) Kabat Modificado.

GABARITO: Alternativa D

COMENTÁRIO:
Esta é uma questão que considero fácil, mas que é bem interessante de comentar pois permite abordar as 3 principais técnicas de hidroterapia. Mas antes de apresentar as técnicas, preciso excluir as alternativas B e E, pois referem-se a técnicas que não existem.
A International Halliwick Association define o conceito Halliwick como: "uma abordagem para ensinar todas as pessoas, em particular às com deficiência, atividades aquáticas, movimentação independente na água e a nadar. Portanto, sem ligação direta com os conceitos de PNF.

O Watsu, também denominado “Water Shiatsu” trata-se de um método originado a partir do Zen Shiatsu e consiste em alongamentos passivos, massagens e mobilizações articulares bem como aplicação de pressão sobre pontos de acupuntura. Este método também não tem ligação com os conceitos utilizados no PNF.
Sobra, portanto, a alternativa D. O método dos anéis de Bad Ragaz (ou simplesmente Bad Ragaz, ou ainda como também é conhecido na novela das 9 pelo personagem Félix: “método do Anel Pega-Rapaz”), consiste na associação de flutuadores e exercícios funcionais baseados no conceito PNF.

FONTE: 
Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=468 


Efeitos do método watsu na flexibilidade e na autonomia funcional de idosas senescentes http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/fisioterapia/attachments/article/133/efeitos-do-metodo-watsu-na-flexibilidade.pdf



Questão 53- Sulfato de Magnésio, Salicilatos, Iodo e Óxido de Zinco são substâncias empregadas no tratamento dos espasmos musculares, nas mialgias agudas ou crônicas, nos processos inflamatórios e nas úlceras cutâneas, através da iontoforese, quando colocadas, respectivamente, nos eletrodos de polaridade
A) NEGATIVO – POSITIVO – NEGATIVO – POSITIVO
B) NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO
C) POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO
D) POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO
E) NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO

GABARITO: Alternativa  C
COMENTÁRIO:
Foi difícil encontrar a resposta desta questão. Após muito pesquisar na internet, finalmente encontrei uma tabela que informava a polaridade das substâncias citadas. A tabela faz parte do manual de um equipamento de eletroterapia. Como se trata de decoreba, não faz sentido eu repetir o gabarito, mas quem quiser (realmente) se dedicar a decorar a polaridade e a indicação dos fármacos utilizados na iontoforese, recomendo utilizar a tabela que está na página 66 do manual do equipamento, disponível no site:http://www.cappefisio.com.br/stimulus-r.pdf ..   

Questão 54 -  Pode-se concluir pela Avaliação da Função Pulmonar que as reduções de todos os volumes pulmonares e de todas as capacidades pulmonares estão associadas a distúrbios
A) metabólicos.
B) obstrutivos.
C) infecciosos.
D) restritivos.
E) obstrutivos e restritivos de qualquer natureza.

GABARITO: Alternativa D

COMETÁRIO:
Os distúrbios ventilatórios avaliados nos testes de função pulmonar são classificados em obstrutivos, restritivos e mistos. Assim, logo de cara, podemos excluir as alternativas A e C. Pacientes com distúrbios obstrutivos apresentam limitação ao fluxo aéreo enquanto os distúrbios restritivos reduzem os volumes e capacidades. O Derrame pleural é um bom exemplo de distúrbio restritivo que podemos utilizar para entender este conceito. Com o derrame pleural, ocorre redução da expansibilidade torácia, você tem líquido na cavidade pleural que impede os alvéolos de se inflarem completamente. É fácil entender que quanto maior o derrame pleural, menor o volume de ar que entra no pulmão acometido. Se realizarmos um teste de função pulmonar, observaremos uma redução em todos os volumes e capacidades pulmonares, que será mais evidente em derrames mais volumosos. 
 


Questão 55 - O Grande Dorsal, músculo de alta relevância biomecânica, clínica e terapêutica, tem significativa participação em vários movimentos, exceto
A) Elevação da Pélvis.
B) Extensão do Ombro.
C) Rotação Interna do Ombro.
D) Adução do Ombro.
E) Rotação Externa do Ombro.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO
Esta questão permite uma resolução  interessante. O candidato (ou candidata) que não conseguir relembrar as ações do Grande Dorsal, pode aumentar as chances de acertar a questão no chute. Basta observar que as alternativas C e E são contraditórias: O Grande Dorsal não faz simultaneamente rotação interna e externa do ombro. Assim, teríamos 50% de chance do chute acertar o gabarito.   



Questão 56 - Há evidências de que a prática de atividade física moderada e regular, iniciada precocemente, reduz no idoso as doenças abaixo, exceto
A) Câncer de cólon.
B) Osteoporose.
C) Câncer de próstata.
D) Esclerose múltipla.
E) Diabetes tipo II.

GABARITO: Alternativa D

COMENTÁRIO:
Geralmente nos lembramos que o exercício físico é bom para o coração, porém seus efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. A atividade física regular é de extrema importância para os idosos. Exercícios regulares podem influenciam a manutenção das atividades ósseas normais e podem aumentar significativamente a densidade mineral óssea. Com relação a Diabetes, é bem conhecido o fato que as atividades físicas ajudam no controle glicêmico e funcionam como fator de proteção contra o desenvolvimento de Diabetes. O exercício físico regular também tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer, no entanto , esta relação de prevenção não é estabelecida com relação a Esclerose Múltipla, em parte devido ao fato de ser uma patologia relativamente rara, e ainda sem etiologia definida. 

Questão 57 - Na avaliação geral das funções físicas do paciente acometido por acidente vascular encefálico, podemos quantificar as atividades de vida diária básicas através do Índice de
A) Katz.
B) Pearl.
C) Kreutzer.
D) Apgar.
E) Moore.

GABARITO: Alternativa A

COMENTÁRIO:
O Índice de Independência nas Atividades de Vida Diária, foi desenvolvido para medir as Atividades de Vida Diária de pacientes com doenças crônicas. O índice apresenta três gradientes, cujos extremos são: totalmente independente e dependente. Avalia atividades como o tomar banho, vestir-se, alimentar-se e levantar-se da cama ou de uma cadeira, entre outros. Ah! E antes que alguém me escreva para lembrar que a atuação nas AVD'S é ato privativo do TERAPEUTA OCUPACIONAL, normatizada pela resolução 316 de 2008 do COFITTO, lembro que eu estou apenas comentando uma prova. Se alguém achou ruim e quiser reclamar, recomendo que faça diretamente a organização do concurso. Fonte: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n2/20.pdf

Questão 58 - O “Teste de Ober” avalia a presença da contratura do(s)
A) manguito rotador.
B) isquiotibiais.
C) adutores do quadril.
D) abdutores do ombro.
E) músculo externo da grande fáscia e do feixe iliotibial.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO:
O teste de Ober é utilizado para avaliar o encurtamento do trato iliotibial. Neste teste, o indivíduo deve ser posicionado em decúbito lateral, com a perna inferior fletida no quadril e joelho, o suficiente para retificar a lordose lombar, e o joelho da perna superior deve ser fletido a 900. Após ter sido realizado o posicionamento adequado, o examinador deve segurar com uma das mãos o tornozelo da perna superior e com a outra estabilizar o quadril e, em seguida, abduzir e estender esta perna até a coxa se encontrar alinhada com o corpo. Então, é permitido que a coxa caia em direção à superfície nesse plano e o teste deve ser interpretado a partir da quantidade de adução do quadril


Questão 59- As úlceras crônicas podem ser tratadas com estimulação elétrica para fins de acelerar sua cicatrização através de algumas modalidades de correntes elétrica, exceto a seguinte corrente:
A) Contínua de baixa amplitude.
B) Pulsadas monofásicas de alta frequência.
C) Pulsadas monofásicas de baixa frequência.
D) Pulsadas bifásicas de baixa frequência.
E) Ultrassom Pulsátil.

GABARITO: alternativa B

COMENTÁRIO:
Esta questão é controvesta, e na minha opinião deveria ser anulada por dois motivos: 
#1- Entre as alternativas temos o Ultrassom, que embora seja utilizado para acelerar a cicatrização tecidual, ele não é corrente elétrica, esta alternativa pode induzir o candidato ao erro (mas como veremos a seguir, o próprio gabarito está errado).
#2 – A eletroestimulação de alta voltagem consiste em pulsos gêmeos, monofásicos, unidirecionais, que se elevam instantaneamente e decaem exponencialmente em alta voltagem, que promovem o aumento do fluxo sanguíneo, fagocitose, melhora da oxigenação, redução do edema, atração e estimulação de fibroblastos e células epiteliais, síntese de DNA, mitose celular, controle de infecção, aumento da produção de ATP, melhora do transporte nas membranas, auxílio na organização da matriz de colágeno, estimulação da contração da ferida com migração de células da epiderme para o centro da úlcera. Ou seja:a alternativa B é uma forma eficiente de promover a cicatrização tecidual, e portanto o gabarito é incoerente.
 Fonte: USO DA ELETROESTIMULAÇÃO DE ALTA VOLTAGEM NA CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS VENOSAS 

Questão 60 - A abordagem cinesioterapêutica de melhor eficácia para redução das contraturas moderadas ou graves nos amputados transfemural ou transtibial consiste na seguinte atividade:
A) Exercícios ativos livres.
B) Exercícios ativos resistidos.
C) Alongamento passivo.
D) Alongamento passivo após aplicação de calor.
E) Alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptivo.

GABARITO: Alternativa E
COMENTÁRIO:

Eu confesso que não consegui encontrar um livro ou artigo que demonstre a superioridade do PNF sobre as demais técnicas listadas