Faculdade Mario Schenberg

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Goniometria do quadril


Flexão


Ocorre no plano sagital entre a cabeça do fêmur e o acetábulo do ilíaco.
Amplitude articular com o joelho fletido: 0°-125° (Marques, 2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-135° (Magee, 2002).

Flexão do quadril com Joelho Fletido
Flexão do Quadril com Joelho Fletido
Flexão do Quadril com Joelho Extendido
Flexão do Quadril com Joelho Extendido

Precauções 

Manter o membro oposto plano sobre a mesa para controlar a inclinação pélvica posterior;
Evitar a movimentação lombossaccra.

Extensão
Ocorre no plano sagital.
Amplitude Articular: 0°-10° (Marques, 2003); 0°-10/15° (Magee, 2002; Palmer & Epler, 2000).

Extensão do quadril
Precauções
O indivíduo deverá manter as EIASs planas sobre a mesa para se ter certeza de que o movimento irá ocorrer nas artic. do quadril e não nas vértebras lombares;
Evitar a inclinação pélvica anterior.

Abdução
Na posição anatômica, o movimento ocorre no plano frontal.
Amplitude Articular: 0°-45° (Marques, 2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-30/50° (Magee, 2002).

Abdução do quadril
Precauções
Evitar a rotação medial ou lateral na articulação do quadril;
Evitar a inclinação lateral da coluna.

Adução
Na posição teste, o movimento de adução ocorre no plano frontal.
Amplitude Articular: 0°-15° (Marques, 2003); 0°-30° (Magee, 2002), 0°-20/30° (Palmer & Epler, 2000).

Adução do quadril

Precauções
Evitar a rotação medial do quadril;
Evitar a inclinação lateral da coluna.

Rotação Medial
Na posição teste, o movimento de rotação medial ocorre no plano transversal.
Amplitude Articular: 0°-45° (Marques, 2003); 0°-30/40° (Magee, 2002), 0°-30/45° (Palmer & Epler, 2000).

Rotação Medial do quadril
Precauções
Evitar a rotação e a inclinação lateral da pelve para o mesmo lado;
Evitar que a pelve se afaste da mesa;
Na posição sentada evitar a flexão contralateral do tronco;
Evitar a adução na artic. do quadril.

Rotação Lateral

Na posição anatômica, o movimento de rotação medial ocorre no plano transversal.
Amplitude Articular: 0°-45° (Marques, 2003); 0°-40/60° (Magee, 2002), 0°-30/45° (Palmer & Epler, 2000).

Rotação Lateral do quadril
Precauções

Evitar a rotação da pelve para o lado oposto;
Evitar a adução do quadril;
Evitar a inclinação contralateral da pelve;
Evitar a flexão ou rotação ipsilateral do tronco.

Goniometria do tornozelo e pé


Dorsiflexão da Articulação do Tornozelo


Ocorre no plano sagital entre as extremidades distais da tíbia e da fíbula e a superfície articular do tálus;
Amplitude articular: 0°-20° (Marques, 2003; Magee, 2002 e Palmer & Epler, 2000).

Dorsiflexão da Articulação do Tornozelo
Obs: O braço móvel, deve estar paralelo ao osso do 5º metatarso (excelente observação de um leitor(a) do blog)
Precauções
Evitar a movimentação das artic. do quadril e do joelho;
Evitar a inversão e a eversão;
Manter o joelho semifletido para diminuir o ação do compartimento posterior da coxa.

Flexão plantar da Articulação do Tornozelo

Ocorre no plano sagital entre a tíbia e fíbula distal e a superfície superior do tálus;
Amplitude articular: 0°-45° (Marques,2003; Palmer & Epler,2000) e 0°-50° (Magee, 2002).

Flexão plantar da Articulação do Tornozelo
Obs: O braço móvel, deve estar paralelo ao osso do 5º metatarso (excelente observação de um leitor(a) do blog)

Precauções
Evitar a movimentação das artic. do quadril e do joelho;
Evitar a flexão do antepé;
Evitar a inversão e a eversão.

Supinação Mediotársica-Subtalar (Inversão)
Ocorre entre o tálus e o calcâneo, o tálus e o navicular e o calcâneo e o cubóide. O movimento ocorre nos planos transversal, sagital e frontal.
Amplitude articular: 0°-40° (Marques, 2003), 0°-45/60° (Magee, 2002) e 0°-30°(Palmer & Epler,2000).

Supinação Mediotársica-Subtalar (Inversão)
Precauções
Evitar a rotação medial do quadril e a extensão do joelho;
Evitar a rotação lateral e a abdução do quadril.

Pronação Mediotársica-Subtalar (Eversão)

Ocorre entre o tálus e o calcâneo, o tálus e o navicular e o calcâneo e o cubóide. O movimento ocorre nos planos transversal, sagital e frontal.
Amplitude articular: 0°-20° (Marques, 2003), 0°-15/30° (Magee, 2002) e 0°-25° (Palmer & Epler,2000).

Pronação Mediotársica-Subtalar (Eversão)
Precauções
Evitar a rotação medial e a abdução do quadril.

Goniometria do cotovelo


Flexão


É uma articulação em dobradiça uniaxial. O movimento teste ocorre no plano sagital. O movimento de extensão é considerado o retorno da flexão;
Amplitude Articular: 0-145°(Marques, 2003; Palmer & Apler, 2000) 0-140°/150° (Magee, 2002).

Flexão do cotovelo
Precauções
Evitar a flexão da articulação do ombro;
Observar a posição do antebraço se não estiver na posição anatômica.

Supinação Radioulnar
O movimento-teste de supinação nas artic. radioulnares ocorre no plano transverso;
Amplitude articular: 0°-90° (Marques,2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-85/90° (Magee, 2002).

Supinação Radioulnar
Precauções
Manter o cotovelo próximo da parte lateral do tronco;
Evitar a flexão lateral do tronco para o mesmo lado da mensuração;
Evitar a adução e a rotação lateral da artic. do ombro.

Pronação Radioulnar

O movimento-teste de pronação nas artic. radioulnares ocorre no plano transverso;
Amplitude articular: 0°-90° (Marques, 2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-85/90° (Magee, 2002).

Pronação Radioulnar
Precauções
Manter o cotovelo próximo da parte lateral do tronco;
Evitar a abdução e a rotação medial do ombro;
Evitar a flexão lateral do tronco para o lado oposto.

Goniometria da coluna lombar


Flexão


Ocorre no plano sagital.
Amplitude articular: 0°-95° (Marques,2003) e 0°-40/60° (Magee, 2002).

Flexão coluna lombar
Precauções
Evitar a flexão dos joelhos.

Extensão
Ocorre no plano sagital.
Amplitude articular: 0°-35° (Marques, 2003) e 0°-20/35° (Magee, 2002).

Extensão coluna lombar
Precauções
Evitar a hiperextensão dos joelhos.


Flexão Lateral

Ocorre no plano frontal.
Amplitude articular: 0°-40° (Marques, 2003), 0°-15/20° (Magee, 2002).

Flexão Lateral coluna lombar
Precauções
Evitar a flexão, extensão e rotação de tronco;
Evitar a inclinação lateral da pelve.

Rotação
Ocorre no plano transversal.
Amplitude articular: 0°-35° (Marques, 2003), 0°-3/18° (Magee, 2002).

Rotação da coluna lombar
Precauções
Evitar a rotação da coluna cervical;
Evitar a rotação pélvica;
Evitar a flexão, a extensão e a flexão lateral do tronco.

Goniometria da mão



Supinação Radioulnar

O movimento-teste de supinação nas artic. radioulnares ocorre no plano transverso;
Amplitude articular: 0°-90° (Marques,2003; Palmer & Epler,2000) e 0°-85/90° (Magee, 2002).

Supinação Radioulnar
Precauções 

Manter o cotovelo próximo da parte lateral do tronco;
Evitar a flexão lateral do tronco para o mesmo lado da mensuração;
Evitar a adução e a rotação lateral da artic. do ombro.

Pronação Radioulnar

O movimento-teste de pronação nas artic. radioulnares ocorre no plano transverso;
Amplitude articular: 0°-90° (Marques,2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-85/90° (Magee, 2002)

Pronação Radioulnar
Precauções
Manter o cotovelo próximo da parte lateral do tronco;
Evitar a abdução e a rotação medial do ombro;
Evitar a flexão lateral do tronco para o lado oposto.

Flexão do Punho
Ocorre na artic. radiocárpica, no plano sagital nas artic. radiocárpicas e intercápicas;
Amplitude articular: 0°-90° (Marques, 2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-80/90° (Magee, 2002)

Flexão do Punho
Precauções
Certificar-se de que os dedos permanecem relaxados durante a mensuração;
Evitar os desvios radial e ulnar da artic. do punho.

Extensão do Punho

Ocorre no plano sagital nas artic. radiocárpicas e intercápicas;
Amplitude articular: 0°-70° (Marques, 2003) 0°-70/90° (Magee, 2002) 0°-90° (Palmer & Epler, 2000).

Extensão do Punho
Precauções
Evitar a extensão dos dedos;
Evitar o desvio radial e ulnar na artic. do punho.

Goniometria da mão
Desvio Radial (Abdução) do Punho

Na posição anatômica, o movimento de desvio radial no punho ocorre no plano frontal.
Amplitude articular: 0°-20° (Marques,2003) ; 0°-15° (Magee, 2002) e 0°-25° (Palmer & Epler, 2000).

Desvio Radial (Abdução) do Punho
Precauções
Evitar a flexão ou extensão do punho;
Evitar a supinação do antebraço.

Desvio Ulnar (Adução) do Punho

Na posição teste, o movimento ocorre no plano frontal.
Amplitude articular: 0°-45° (Marques,2003) ; 0°-30/45° (Magee, 2002) e 0°-35° (Palmer & Epler, 2000).

Desvio Ulnar (Adução) do Punho
Precauções
Evitar a flexão ou extensão do punho;
Evitar a pronação ou a supinação do antebraço.

**Articulação Carpometacarpal do Polegar (flexão, extensão e abdução);
**Articulações Metacarpofalângicas: flexão, extensão abdução e adução extensão dos dedos;
**Articulações Interfalângicas (flexão, extensão).

Goniometria da coluna cervical


Flexão
Ocorre no plano Sagital.
Amplitude articular: 0°-65° (Marques, 2003) e 0°-80/90° (Magee, 2002).

Flexão da coluna cervicalPrecauções
Evitar a flexão de tronco;
Evitar a rotação e flexão lateral da coluna cervical.

Extensão da Coluna Cervical

Ocorre no plano sagital.
Amplitude articular: 0°-50° (Marques, 2003) e 0°-70° (Magee, 2002).

Extensão da Coluna CervicalPrecauções
Evitar a extensão de tronco;
Evitar a flexão lateral e rotação da coluna cervical.

Flexão Lateral

Ocorre no plano frontal.
Amplitude articular: 0°-40° (Marques,2003), 0°-20/45° (Magee, 2002).

Flexão Lateral da coluna cervicalPrecauções
Evitar a flexão, extensão e rotação de tronco;
Evitar a evitar a elevação do ombro no lado testado.

Rotação
Ocorre no plano transversal.
Amplitude articular: 0°-55° (Marques, 2003), 0°-70/90° (Magee, 2002).

Rotação da coluna cervicalPrecauções

Evitar a rotação do tronco;
Evitar a flexão, a extensão e a flexão lateral do tronco.

Pinçamento do manguito rotador



O manguito rotador é um conjunto de músculos de origem escapular que se insere nas tuberosidades do úmero e relacionado, principalmente, com a fixação dinâmica da cabeça umeral na glenóide.

Desenho esquemático que mostra uma vista superior do ombro, com destaque para os componentes do manguito rotador, o túnel ósseo e os elementos ósseos importantes.

Estes músculos, próximos da região de inserção, atravessam um túnel ou desfiladeiro, composto pelo acrômio, ligamento coraco-acromial, extremidade da clavícula e, inferiormente, pela cabeça do úmero. Nesta região os tendões do manguito sofrem atrito crônico contra aquelas estruturas que pode levar a processos inflamatórios e/ou degenerativos. Alguns fatores predispõem a um atrito maior como, por exemplo, um tipo de acrômio mais inclinado anteriormente que provoca maior estreitamento da saída do túnel.
Outro fator é a atividade do indivíduo, no trabalho ou esporte, realizando muitos movimentos de elevação do braço. Com este movimento, as tuberosidades do úmero são golpeadas contra a borda anterior do acrômio, favorecendo o traumatismo dos tendões. Por esta razão o pinçamento do manguito é chamado, também, de síndrome do impacto.
O pinçamento do manguito é o que o leigo chama "bursite do ombro". Na realidade, nem sempre a bursa está inflamada, mas nos casos crônicos ela pode estar espessada e fibrosada, contribuindo para o pinçamento, pois compete por espaço em uma região onde o espaço já é exíguo.
Dos componentes do manguito, o tendão do supraespinhal é aquele mais vulnerável, do ponto de vista mecânico. Além disto, este tendão tem uma área de pouca vascularização na região que sofre os impactos. Estes dois fatores fazem com que esse tendão seja o mais freqüentemente lesado no pinçamento do manguito rotador.

Quadro Clínico

A maior incidência é em mulheres de meia idade e, nos jovens, incide mais naqueles que praticam muito esporte com o membro superior. Há, basicamente, duas manifestações clínicas, uma aguda e outra crônica. Surge dor localizada na face anterior e lateral do ombro, com irradiação para o braço, até o cotovelo. A elevação do braço exacerba-a. Nos casos crônicos é típica a dor noturna. Há dor à palpação perituberositárias. O diagnóstico é basicamente clínico e dois testes são usados para estabelecê-lo.

a)- Teste de Neer: flete-se passivamente o braço do indivíduo e ele sentirá dor. A dor se exacerba se, à elevação, associar-se adução e rotação interna.

b)- Teste do arco doloroso: solicita-se que o paciente faça abdução do braço. Os primeiros graus de abertura são indolores. Depois, surge dor que aumenta à medida que a abdução progride e pode diminuir nos graus finais de abdução.


A abdução é dolorosa no pinçamento do manguito. Pode haver um arco doloroso ou a abdução como um todo estar muito limitada.
Na fase aguda, como há muita dor, estes testes, muitas vezes, não são realizados.

Tratamento

Na fase aguda o tratamento consiste em:

1- Repouso do membro superior com uma tipóia.
2- Evitar movimentos de elevação do braço.
3- Antiinflamatórios não hormonais, via intramuscular e/ou via oral.
4- Infiltração subacromial com xilocaína e corticóide.
5- Calor úmido local (bolsa de água quente, chuveiro).

Na fase crônica:

1- Evitar movimentos de elevação do braço.
2- Antiinflamatórios não hormonais, via oral.
3- Infiltração subacromial com xilocaína e corticóide (opcional).
4- Exercícios pendulares.
5- Calor úmido.
6- Sessões fisioterápicas de ultra-som

A infiltração é um ato médico e um recurso terapêutico em que se injeta anestésico e corticóide em uma região de inflamação crônica. A infiltração intra-articular está condenada pelos riscos e efeitos colaterais para a articulação. Atualmente é usada em partes moles como tendões, bursas ou músculos. Mesmo assim, deve ser realizada com reserva e obedecendo a indicações específicas. O anestésico é a xilocaína 1% (8 ml) e o corticóide (2ml) deve ser de depósito para minimizar os efeitos sistêmicos desta droga (Depo-medrol).
Geralmente são feitas até 3 infiltrações, em média uma por semana. Se não houver o efeito terapêutico desejado abandona-se este tratamento. No passado houve abuso das infiltrações com efeitos colaterais da corticoterapia, artrite séptica por contaminação articular e degeneração tendinosa pelo excesso de corticóide.
A infiltração não é uma injeção intramuscular. Normalmente é aplicada no ponto mais doloroso do paciente, devendo-se tomar alguns cuidados que são:

1- Explicar ao paciente o que é a infiltração, o seu efeito terapêutico e respeitar a vontade do doente se houver recusa.
2- Se o paciente for hipertenso ou diabético não deverá ser usado corticóide; apenas xilocaína. Obviamente está contra-indicada se houver alergia a a alguns dos seus constituintes.
3- Acomodar o paciente confortavelmente deitado no divã.
4- Não preparar a injeção às vistas do paciente.
5- Desinfectar bem o local.
6- Realizar a infiltração delicadamente, tomando o cuidado de ir injetando o líquido lentamente à medida que for introduzindo a agulha para ir anestesiando os tecidos.
6- Depois de realizada a infiltração o paciente deve ficar alguns minutos deitado e ir levantando-se gradativamente para evitar lipotímia.

Mesmo com a conduta correta, muitos pacientes não têm melhora com o tratamento clínico do pinçamento do manguito rotador, principalmente aqueles casos crônicos. O tratamento cirúrgico está indicado quando o paciente é tratado clinicamente por 6 meses e não melhora. A cirurgia consiste em fazer a descompressão subacromial, removendo-se o ligamento coraco-acromial, a borda anterior do acrômio e a bursa e desgastando-se a superfície inferior do acrômio. Com isto, os tendões são liberados mecanicamente e eliminam-se os pontos de impacto ósseo. Este procedimento pode ser feito por via aberta ou por artroscopia.
Também a cirurgia está indicada nos casos de ruptura tendínea. Isto acontece nos casos crônicos de pinçamento em que há enfraquecimento do tendão pela degeneração avançada que nele ocorre.

Consenso de Fibromialgia



A síndrome da fibromialgia pode ser definida como uma síndrome dolorosa crônica, não inflamatória, de etiologia desconhecida, que se manifesta no sistema músculo-esquelético, podendo apresentar sintomas em outros aparelhos e sistemas. Sua definição constitui motivo de controvérsia, basicamente pela ausência de substrato anatômico na sua fisiopatologia e por sintomas que se confundem com a depressão maior e a síndrome da fadiga crônica. Por estes motivos, alguns ainda consideram-na uma síndrome de somatização. No entanto, desde 1980, um corpo crescente de conhecimento contribuiu para a fibromialgia ser caracterizada como uma síndrome de dor crônica, real, causada por um mecanismo de sensibilização do sistema nervoso central à dor.

QUADRO CLÍNICO
O quadro clínico desta síndrome costuma ser polimorfo, exigindo anamnese cuidadosa e exame físico detalhado. O sintoma presente em todos os pacientes é a dor difusa e crônica, envolvendo o esqueleto axial e periférico. Em geral, os pacientes têm dificuldade para localizar a dor, muitas vezes apontando sítios peri-articulares, sem especificar se a origem é muscular, óssea ou articular. O caráter da dor é bastante variável, podendo ser queimação,
pontada, peso, “tipo cansaço” ou como uma contusão. É comum a referência de agravamento pelo frio, umidade, mudança climática, tensão emocional ou por esforço físico(D).
Uma proporção dos pacientes lembra que a dor é de início mais localizada em uma determinada região, principalmente na coluna cervical, envolvendo ou não os trapézios, outras vezes iniciando-se como uma cervicobraquialgia ou como uma cervicodorsalgia. Uma outra parte dos pacientes alega que o quadro doloroso iniciou-se já de maneira difusa, afetando segmentos da coluna vertebral, membros superiores e inferiores.
Sintomas centrais que acompanham o quadro doloroso são o sono não reparador e a fadiga, presentes na grande maioria dos pacientes. Têm sido relatados diversos tipos de distúrbios de sono, resultando ausência de restauração de energia e conseqüente cansaço, que aparece logo pela manhã. A fadiga pode ser bastante significativa, com sensação de exaustão fácil e dificuldade para realização de tarefas laborais ou domésticas. Sensações parestésicas habitualmente se fazem presentes. É importante ressaltar que as parestesias nestes pacientes não respeitam uma distribuição dermatômica(D).
Outro sintoma geralmente presente é a “sensação” de inchaço, particularmente nas mãos, antebraços e trapézios, que não é observada pelo examinador e não está relacionada a qualquer processo inflamatório. Além dessas manifestações músculo-esqueléticas, muitos se queixam de sintomas não relacionados ao aparelho locomotor. Entre esta variedade de queixas, destaca-se cefaléia, tontura, zumbido, dor torácica atípica, palpitação, dor abdominal, constipação, diarréia, dispepsia, tensão prémenstrual, urgência miccional, dificuldade de concentração e falta de memória(C).
Cerca de 30% a 50% dos pacientes possuem depressão. Ansiedade, alteração do humor e do comportamento, irritabilidade ou outros distúrbios psicológicos acompanham cerca de 1/3 destes pacientes, embora o modelo psicopatológico não justifique a presença da fibromialgia(B).
O exame físico fornece poucos achados. Eles apresentam bom aspecto geral, sem evidência de doença sistêmica, sem sinais inflamatórios, sem atrofia muscular, sem alterações neurológicas, com boa amplitude de movimentos e com força muscular preservada, apesar dos sintomas mencionados. O único achado clínico importante é a presença de sensibilidade dolorosa em determinados sítios anatômicos, chamados de tender points. Faz-se importante ressaltar que estes “pontos dolorosos” não são geralmente conhecidos pelos pacientes, e normalmente não se situam na zona central de dor por eles referida. De acordo com os critérios atuais, devem ser pesquisados os seguintes pares de pontos(A):

1. Subocciptal - na inserção do músculo subocciptal;
2. Cervical baixo - atrás do terço inferior do esternocleidomastoideo, no ligamento intertransverso C5-C6;
3. Trapézio - ponto médio do bordo superior, numa parte firme do músculo;
4. Supra-espinhoso - acima da escápula, próximo à borda medial, na origem do músculo supra-espinhoso;
5. Segunda junção costo-condral - lateral à junção, na origem do músculo grande peitoral;
6. Epicôndilo lateral - 2 a 5 cm de distância do epicôndilo lateral;
7. Glúteo médio - na parte média do quadrante súpero-externo na porção anterior do músculo glúteo médio;
8. Trocantérico - posterior à proeminência do grande trocanter;
9. Joelho - no coxim gorduroso, pouco acima da linha média do joelho.

A dígito-pressão de um examinador experiente dispensa o emprego do aparelho de pressão de superfície do tipo algômetro ou dolorímetro. O critério de resposta dolorosa, em pelo menos 11 desses 18 pontos, é recomendado como proposta de classificação, mas não devem ser considerados como essencial para o diagnóstico(A).
Não existem exames subsidiários, tanto de laboratório como de imagem, que tenham utilidade diagnóstica para a síndrome, exceto quando outras enfermidades estiverem presentes concomitantemente.
No diagnóstico diferencial, as seguintes condições devem ser lembradas(A):

1. Síndrome da dor miofascial;
2. Reumatismo extra-articular afetando várias áreas;
3. Polimialgia reumática e artrite de células gigantes;
4. Polimiosites e dermatopolimiosites;
5. Miopatias endócrinas-hipotiroidismo, hipertiroidismo, hiperparatiroidismo, insuficiência adrenal;6. Miopatia metabólica por álcool;
7. Neoplasias;
8. Doença de Parkinson;
9. Efeito colateral de drogas - corticosteróide, cimetidina, estatina, fibratos, drogas ilícitas.

Dentre todas as enfermidades que necessitam de diagnóstico diferencial com a fibromalgia, a síndrome da dor miofascial deve estar em destaque devido a sua maior semelhança clínica com a fibromalgia. Esta é uma síndrome de dor regional. Apresenta área localizada de dor chamada de trigger points, que algumas vezes é acompanhada, pela palpação da musculatura, de nódulos fibróticos ou bandas musculares tensas. Apresenta também zona referencial de dor profunda característica, que é agravada pela palpação dos trigger points e que deve ser completamente extensiva e localizada em uma considerável distância desses pontos.

TRATAMENTO 

A fibromialgia permanece ainda voltada às manifestações clínicas, com medidas farmacológicas e não farmacológicas. O tratamento tem como objetivos o alívio da dor, a melhora da qualidade do sono, a manutenção ou restabelecimento do equilíbrio emocional, a melhora do condicionamento físico e da fadiga e o tratamento específico de desordens associadas. Inicialmente, educar e informar o paciente e os seus familiares, proporcionando-lhes o máximo de informações sobre a síndrome e assegurando-lhes que seus sintomas são reais. A atitude do paciente é um fator determinante na evolução da doença. Por isso, procuramos fazer com que este assuma uma atitude positiva frente às propostas terapêuticas e seus sintomas.

Tratamento não-farmacológico

Os exercícios são importantes e fazem parte do tratamento desta síndrome. Os exercícios mais adequados são os aeróbicos, sem carga, sem grandes impactos para o aparelho osteoarticular, como dança, natação e hidroginástica, auxiliando tanto no relaxamento como no fortalecimento muscular, reduzindo a dor e em menor grau melhorando a qualidade do sono.
A princípio, qualquer atividade física aeróbica, e de baixo impacto, tal qual natação, caminhada ou hidroginástica, é a mais recomendada. Em geral, uma caminhada, ao passo normal do paciente, durante 30 minutos a 1 hora todos os dias proporciona efeitos terapêuticos. A orientação de exercitar-se três vezes por semana tem sido eficaz e possibilita maior adesão ao tratamento(D). Em alguns casos, esta atividade se torna a única terapêutica necessária.
A atividade física apresenta um efeito analgésico; por estimular a liberação de endorfinas, funciona como antidepressivo; e proporciona uma sensação de bem-estar global e de autocontrole(D). Esta deve ser bem dosada para que não seja muito extenuante, seu início deve ser leve e a sua “intensidade” aumentada gradativamente. Deve ser bem planejada para ser tolerada desde o início e para manter a adesão do paciente por um período prolongado.

Acupuntura

Estudos mais recentes demonstram que um grupo de pacientes pode melhorar da dor com a eletroacupuntura. Portanto, para algumas situações, a acupuntura pode ser um tratamento alternativo e aceitável(C), demonstrando melhora importante dos sintomas.

Suporte psicológico
Entre 25% a 50% destes pacientes apresentam distúrbios psiquiátricos concomitantes, que dificultam a abordagem e a melhora clínica destes, necessitando muitas vezes de um suporte psicológico profissional. A abordagem cognitivo comportamental também é efetiva, desde que combinada com técnicas de relaxamento, ou exercícios aeróbicos, alongamentos e educação familiar. Esta última é extremamente importante, em especial por se tratar de uma enfermidade de longa duração, com queixas persistentes. Por outro lado, o apoio psicológico dos familiares conduz, com certeza, à melhor qualidade de vida.

Biofeed-back e hipnoterapia
Os estudos de biofeed-back têm demonstrado efeitos benéficos, mesmo seis meses após o término do tratamento, com significativa melhora no número de tender points, na dor generalizada e na rigidez matinal(B).
A hipnoterapia tem igualmente demonstrado alguma eficácia no controle da dor nos pacientes com fibromialgia. Em estudo comparado com terapia física, oito sessões de hipnoterapia promoveram significativa melhora de pacientes resistentes a outros tratamentos(B).

Método Bobath



Bobath é uma abordagem terapêutica e de reabilitação, desenvolvida para o tratamento de adultos, crianças e bebês com disfunções neurológicas, tendo como base à compreensão do desenvolvimento normal, utilizando todos os canais perceptivos para facilitar os movimentos e as posturas seletivas que aumentam a qualidade das funções.
A Bola de Bobath é um dos equipamentos mais utilizados neste conceito. Outros equipamentos são: o rolo, o andador, o espelho, etc... A indicação do(s) equipamento(s) depende(m) do comprometimento neuro-motor e da inabilidade dos movimentos de cada paciente.

O tratamento realizado pela fisioterapia inclui movimentos ativos e passivos, mas só os ativos podem dar as sensações essenciais para a aprendizagem dos movimentos voluntários.

OBJETIVO
O objetivo dessa técnica é diminuir a espasticidade muscular e introduzir os movimentos automáticos e voluntários, a fim de preparar o paciente para os movimentos funcionais, onde o tônus anormal pode ser inibido e os movimentos mais normais, facilitados.
O Método Bobath trabalha com a facilitação do movimento, ou seja, solicita-se ajustamentos automáticos na postura, a fim de produzir reações automáticas de proteção, endireitamento e equilíbrio.
A facilitação, então, baseia-se nas reações de endireitamento (são reações estático-cinéticas que estão presentes desde o nascimento e se desenvolvem, obedecendo a uma ordem cronológica) e nas reações de equilíbrio, a partir dos movimentos que produzem adaptações posturais possíveis para mantê-lo. Dentro da compreensão do movimento normal, incluindo a percepção, usa-se a facilitação de movimentos e posturas seletivas, objetivando-se um aprimoramento da qualidade de vida do paciente.

INDICAÇÕES DO MÉTODO

Variar posturas;
Aumentar o controle sobre esta postura;
Simetria do corpo;
Alongamento;
Propriocepção;
Aumentar ou diminuir tônus muscular;
Estimular reação de proteção e equilíbrio;
Estimular extensão de cabeça, tronco e quadril nas crianças hipotônicas;
Suporte de peso para as mãos;
Trabalhar as rotações do tronco;
Trabalhar a dissociação de cintura pélvica e escapular, facilitando a marcha.

ESTIMULAÇÃO PRECOCE
É aplicado no tratamento precoce de bebês abaixo de um ano, antes que se estabeleçam desordens de postura e movimentos, que em muitos casos podem ser evitadas. O tratamento inclui movimentos ativos e passivos. É uma técnica de reabilitação neuromuscular, que usa reflexos e estímulos sensitivos para inibir ou provocar uma resposta motora, preparando para os movimentos funcionais.
Os pontos chaves de Bobath correspondem às partes do corpo onde o tônus anormal pode ser inibido e os movimento normais facilitados, solicitando ajustamentos automáticos da postura e produzindo uma atividade através de reações automáticas de proteção, endireitamento e equilíbrio.

OS PRINCÍPIOS DE BOBATH

Padrão muscular mais próximo do normal;
Abordagem de posturas de inibição reflexa;
Suprimi padrões anormais antes que possam ser introduzidos;
Paciente recebe o máximo de informações proprioceptivas e esteroceptivas, seja no nível automático, seja em um nível voluntário;
Tratamento individualizado;
Paciente deve ser visto sob um aspecto global.

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