Faculdade Mario Schenberg

terça-feira, 30 de abril de 2013

Tendinopatia do tibial posterior





O tendão tibial posterior serve como umadas principais estruturas de suporte do péajudando-oa funcionar correctamentedurante a caminhada. A tendinopatia do tendãotibial posterior é uma lesãocausada por alterações notendão, prejudicando sua capacidade de suportar o arco plantar, provocando um pé plano.
As tendinopatias do tibial posterior são também chamadas de "pé plano adquirido do adulto" porque é o tipo mais comum de pé plano desenvolvidodurante a vida adulta. Embora esta condição geralmente ocorra em apenasum , algumas pessoas podem desenvolvê-la em ambos os pésEsta lesão é geralmente progressiva, o que significa que segue a piorarprincipalmente senão for tratada precocemente.
O uso excessivo do tendão é a causa mais frequente desta lesãoOs sintomas geralmente ocorrem após actividades como corrida, caminhada, trekking, ou subir escadas.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Os sintomas podem incluir dorinchaço, um achatamento do arco plantare uma rotação interna do tornozelo.
Conforme a doença progride, os sintomas vão mudandoPor exemplo, numa fase inicial, há dor na parte interna do pé e tornozelo (ao longo do trajecto do tendão). Além disso, a área pode estar vermelha, quente e inchada. Mais tarde, como o arco começa a ficar mais plano, ainda pode haver dor na parte interna do pé e tornozelo. Mas nesta fase o pé e os dedos começam a virar para fora e no tornozelo roda para dentro.
Quando a lesão se torna mais avançada, o arco plantar fica ainda mais plano e a dor muitas vezes desloca-se para a parte externa do pé, abaixo do tornozelo. Durante todo este processo o tendão deteriorou-se consideravelmente e a artrite do tornozelo é frequente nestes casos.
Uma boa avaliação clínica, com perguntas sobre os sintomas, a causa da lesão e um exame ao tendão são geralmente suficientes para o diagnóstico. Uma ecografia ou uma ressonância magnética pode ser útil, se odiagnóstico não for claro.

Tratamento

Devido à natureza progressiva da tendinopatia do tibial posterior, o tratamento precoce é recomendado. Se for atempado, o tratamento conservador pode evitar a necessidade de cirurgia e travar a progressão da lesão, dando as condições para a recuperação do tendão.
Numa fase inicial o tratamento conservador pode incluir:
  • Imobilização. Evitar completamente qualquer peso sobre o pé durante um determinado período de tempo. Por vezes, uma tala ou bota gessada são usadas para imobilizar o pé e permitir que o tendão recupere.
  • GeloUma massagem com um cubo de gelo directamente sobre o tendão afectado durante 5 a 10 minutos pode ser mais efectiva do que a aplicação de gelo estático.
  • Aplicação de ultra-sons na zona do tendão alivia a dor e os sinais inflamatórios
  • Medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), como o ibuprofeno, ajudam a reduzir a dor e a inflamação.

Numa fase mais avançada, em que os sinais inflamatórios são praticamente inexistentes, as técnicas mais utilizadas são:
  • Exercícios de fortalecimento e alongamento podem ajudar a reabilitar o tendão e o músculo após a imobilização.
  • Aparelhos ortopédicos ou ortoteses. Para dar o apoio necessário ao arco plantar.
  • Adaptação do calçado e uso de palmilhas. Pode ser aconselhado o uso de palmilhas para suporte do arco plantar.
  • Aplicação de ligaduras funcionais durante o período de retorno à atividade.


Exercícios terapêuticos para tendinopatias do tibial posterior

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma tendinopatia do tibial posteriorDeverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 





Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
Propriocepção do tornozelo
Em pé, apoiado na perna lesada e com esse joelho ligeiramente dobrado. Tente manter o equilíbrio sem apoiar os braços e olhando em frente. Mantenha esta posição entre 15 a 30 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Durrant B, Chockalingam N, Hashmi F. Posterior tibial tendon dysfunction: a review. J Am Podiatr Med Assoc. 2011 Mar-Apr;101(2):176-86.
Bowring B, Chockalingam N. Conservative treatment of tibialis posterior tendon dysfunction--a review. Foot (Edinb). 2010 Mar;20(1):18-26.

Prescrição de exercícios terapêuticos em fisioterapia



     A prescrição de exercícios terapêuticos é uma parte fundamental da prática clínica dos fisioterapeutas, tanto para alcançar recuperações mais rápidas como para conseguir um maior envolvimento do paciente na sua própria recuperação.
Hoje em dia existem vários programas e sites (infelizmente a maioria em inglês) que auxiliam o fisioterapeuta a delinear um plano de exercícios terapêuticos adaptado a cada paciente:


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Orientações básicas do tratamento fisioterapêutico na artroplastia do quadril.


Introdução
O quadril é a articulação proximal do membro inferior que tem como função orientá-lo em todas as direções no espaço, razão pela qual possui 3 eixos e 3 graus de liberdade. Os movimentos do quadril são realizados por uma única articulação, que é a coxofemoral, uma articulação tipo esferóide, bem encaixada. É dotada de uma menor amplitude de movimento compensada de uma certa forma pela coluna lombar, mas contrariamente ela é claramente estável, é a articulação mais difícil de ser luxada em todo o corpo. Essas características do quadril são condicionadas pela função de peso do corpo e de locomoção assumida pelo membro inferior. A artroplastia total do quadril em acetábulos deficientes foi sempre considerado problema de difícil solução, porém grandes reconstruções articulares começaram em 1962, quando John Charnley realizou pela primeira vez uma artroplastia de quadril utilizando um componente femoral metálico e um componente acetabular de polietileno de alta densidade e cimento ósseo acrílico auto-secante.
Um dos principais objetivos da artroplastia é o alívio da dor e a restauração da função articular, sendo sua principal indicação o tratamento da coxartrose em pacientes da 3ª idade.
Em nossa experiência, os diagnósticos mais comuns foram: coxartrose primária, necrose da cabeça do fêmur, artrite reumatóide, fratura do colo femoral, espondilite anquilosante entre outros.
Porém as próteses têm inúmeros problemas: quanto à dimensão da esfera protética; natureza das superfícies de contato, ligadas às questões do coeficiente de atrito, resistência ao uso; toxidade eventual conseqüente ao desgaste normal e, sobretudo pelo modo de ligação com o osso vivo, dado pela questão da fixação. Por isso as pesquisas sobre as próteses de quadril foram as que mais se desenvolveram e onde o número de modelos é maior. Consequentemente a recuperação funcional é objetivo de preocupação, pois o tratamento fisioterápico deve iniciar desde a fase pré-operatória que é uma fase fundamental para a evolução do tratamento. É nesta fase que o fisioterapeuta iniciará um programa de fortalecimento muscular, orientação para um bom posicionamento no leito, prevenção das complicações respiratórias e quanto às escaras de decúbito, prescrições de cadeiras de rodas e andadores, ao passarmos para o pós-operatório continuaremos com todo o protocolo fisioterápico de forma mais intensa e os cuidados nas posições deitado, de pé e sentado durante as quatro primeiras semanas.
Avaliação e tratamento fisioterápico na fase pré-operatória da artroplastia do quadril
Quando ocorre um trabalho de equipe, nós, fisioterapeutas, iniciamos um tratamento precoce começando no pré-operatório, desta forma proporcionaremos ao paciente informações de toda a sua recuperação funcional.
Na avaliação fisioterápica devemos observar o estado emocional e psicológico do paciente, como se encontra, tenso, deprimido, conformado com a situação, sua orientação quanto ao tempo e espaço verificando durante o contato com o paciente seu nível de consciência e a velocidade para a obtenção da resposta aos estímulos. Continuaremos com o exame cardio-respiratório para verificarmos a condição pulmonar através da ausculta pela presença do murmúrio vesicular ou ruídos adventícios determinando, portanto, a qualidade do aparelho respiratório. O exame motor deve ser iniciado precocemente e será avaliada sua força muscular, amplitude de movimento, coordenação e sensibilidade do paciente.
O tratamento fisioterápico na fase pré-operatória deve ter uma função preventiva que seria prevenir as complicações respiratórias, motoras e evitar as escaras de decúbito. Sendo assim iniciaremos da seguinte forma o tratamento:
1. Cinesioterapia motora dos membros inferiores associados à respiração profunda e lenta, procurando expandir o máximo o pulmão e manter as articulações preservadas, pois no pós-operatório imediato o paciente tende a ficar confinado a leito e ao quadro álgico presente;
2. Posicionamento adequado no leito para os membros inferiores devendo manter as pernas abduzidas, porque os movimentos de flexão, abdução, rotação interna ou externa acentuada podem luxar a prótese, evitando também a flexão da articulação coxofemoral acima 45º de como medida preventiva para a luxação;
3. Cinesioterapia motora para todos os membros inferiores procurando potencializar a musculatura abdutora do segmento a ser operado;
4. Manutenção das articulações do segmento que vai ser operado evitando assim bloqueio do joelho e tornozelo desnecessariamente;
5. Fortalecer o membro oposto ao que vai ser operado; deve ser bem trabalhado, pois ele é quem vai suportar, após a cirurgia, grande parte do peso corporal;
6. Orientação para a mudança de decúbito, pois o paciente não pode ficar em decúbito lateral para o lado da cirurgia; orientar o posicionamento correto na cama e a transferência para uma mesa ortostática ou, caso não haja a mesa ortostática, facilitar a mudança de deitado para sentado e posteriormente em pé;
7. Orientar sentar em cadeiras e vasos sanitários; o paciente deverá manter a perna que será operada em extensão, sentado com a região lombossacra na cadeira evitando assim uma angulação exagerada na mesma;
8. Orientação e prescrição quanto ao uso de muletas ou andador;
9. Orientar como será a reeducação de marcha, devendo ser iniciado quase sempre um andador; manter as pernas abduzidas, evitando girar o segmento operado em rotação interna ou externa;
10. Iniciar contrações isométricas de quadríceps e glúteos;
11. Flexão e extensão de tibio-társica com exercícios ativos livres/resistidos, assim como movimentos de inversão e eversão;
12. Quanto mais esclarecido o paciente estiver, mais fácil será sua recuperação e, desta forma, evitaremos uma série de complicações.
Fatores que contribuem para luxação e subluxação do quadril
A posição errada de um ou ambos os componentes da artroplastia, o encurtamento do fêmur, fraqueza dos músculos abdutores, avulsão do grande trocânter, adução excessiva e flexão do quadril no período pós-operatório inicial acima dos limites de angulação segura.
Tipos de próteses mais usadas
* Charnley e Muller – são próteses utilizadas nas artroplastias totais, onde é substituído o componente acetabular e femoral.
* Thompson e Bipolar – são próteses utilizadas nas artroplastias parciais, onde apenas é trocado o componente femoral preservando o acetábulo.
Considerações sobre a utilização ou não do cimento ósseo
Drumond & Brasil (1990), acreditam que há tendência hoje a utilizar também componentes não-cimentados em revisões, pois o uso do enxerto para uso do acetábulo tem sido considerado superior ao cimento, visando preencher a cavidade, como Charnley inicialmente preconiza ou os anéis e telas sugeridos por Eichker e Muller.
Oliveira & Barros (1992), descrevem que no pós-operatório imediato, os pacientes que receberam prótese sem utilização de cimento, permaneceram com coxim abdutor por uma semana. A marcha sem apoio foi liberada tão logo o paciente conseguiu auto-sustentar-se e a carga total, liberada após 90 dias.
Nos pacientes que receberam prótese com cimento, foram iniciados exercícios isométricos no pós-operatório imediato e carga total permitida após 10 dias.
Segundo minha experiência, em relação à recuperação funcional, as próteses cimentadas são melhores, pois permitem ao paciente uma carga precoce a partir do 2º ou 3º dia de pós-operatório; já a não cimentada terá que aguardar a consolidação, o que pode ocasionar complicações no pós-operatório que já possui uma alta taxa de mortalidade na 3º idade, em decorrência de complicações respiratórias, escaras de decúbito, contraturas musculares e etc.
Tratamento fisioterápico pós-operatório
A) Esta segunda fase inicia-se no dia seguinte do pós-cirúrgico, permitindo assim que o paciente descanse do próprio ato cirúrgico e anestesia;
B) Deve ser colocado um coxim triangular, caso não tenha, um travesseiro serviria para manter ambas as pernas em abdução;
C) Evitar os movimentos de flexão acima de 45º, adução e rotação interna e também a rotação externa, os quais podem luxar o quadril;
D) Proporcionar mudança de decúbito para prevenir escaras, com o máximo de cuidado para que não haja o deslizamento do lado operado, o que irá favorecer a adução e conseqüentemente a luxação da prótese;
E) O paciente não deve ser colocado sobre o lado operado;
F) A cinesioterapia respiratória deve ser intensificada, pois agora o paciente está mais preso ao leito;
G) A patela deve ser mobilizada, assim como o joelho, deslocando o paciente de modo que ele fique em diagonal na cama e com a perna do membro operado para fora, mantendo o quadril imóvel;
H) Fortalecimento muscular: no caso dos abdutores, podem ser usados patins para diminuir o atrito no leito, isometria de quadríceps e glúteos. Colocaremos o paciente em diagonal no leito, mantendo a coxo femoral em posição neutra permitindo que o joelho operado fique pendente e realizaremos exercícios isotônicos para flexão e extensão de joelho passiva, assistida, livre ou resistida, dependerá apenas das condições do paciente;
I) Nos primeiros dias o paciente é posto na posição ortostática através de uma mesa ortostática, duas vezes ao dia;
J) No terceiro dia ele é colocado de pé com ajuda de um andador, e progressivamente deambula com uma marcha de carga parcial onde o paciente divide o peso de seu membro operado com as muletas ou andador, lembrando que o membro operado deve ser mantido em abdução e o pé em posição neutra;
K) No quarto dia o paciente poderá sentar em uma cadeira na posição semi-ereta, porém o quadril não deve ser fletido mais do que 45 graus; ele sentará mais propriamente sobre o sacro e a região lombar;
L) Do quarto dia até a alta hospitalar, manteremos estas atividades com aumento gradativo, sendo mais intensos em relação à amplitude e incentivados e realizar com mais freqüência aumentando sua resistência e força muscular.
Cuidados a serem tomados após a alta hospitalar durante as primeiras 4 semanas
1) Paciente deitado
Manter as pernas abertas, não dormir sobre o lado operado, colocar dois travesseiros entre os joelhos ou coxim triangular feito de espuma; quando for virar para o lado não operado; pode se utilizada uma tipóia para manter tracionado em abdução.
2) Paciente sentado
Não sentar reto na cadeira, pode sentar somente inclinando o tronco para trás com a região lombossacra; evitar cruzar o membro afetado sobre o lado não operado, não sentar em cadeiras baixas, não cortar as unhas.
3) Paciente em pé
Evitar girar o membro operado sobre ele mesmo; pode dobrar o joelho operado quando andar, pois não vai alterar no aumento da flexão do quadril; utilizar muletas ou andador, colocando carga progressiva sobre a extremidade operada; andar com as pernas abertas.
4) Paciente no banheiro
Não tomar banho de banheira, não pegar objetos no chão, só tomar banho no chuveiro em pé, evitar o uso de tapetes e a presença de animais que possam escorregar, tropeçar e provocar tombos.
5) Orientação AVDs
Abster-se do trabalho e das atividades sexuais; não dirigir veículos; qualquer alteração no quadril, dor torácica, edema nas pernas, drenagem sanguínea ou purulenta no quadril, deve ser notificada.
* Normalmente os pacientes podem voltar às atividades sedentárias após 4 a 6 semanas, e, após 3 meses, poderão retornar às atividades que exigem em pouco de flexão lombar e dos joelhos.
Conclusão
É necessário compreender bem o mecanismo das artroplastias do quadril, pois nem sempre os tratamentos seguem a mesma linha de conduta, o que implicará em modificações e adaptações de acordo com cada paciente e complicação que por ventura tenha apresentado.
Quanto ao tratamento fisioterápico quanto mais precoce for a atuação do fisioterapeuta, mais rápido será a recuperação funcional do paciente, sem complicações para os componentes cirúrgicos, motores e respiratórios, para uma adequada reabilitação as atividades de vida diária e profissionais.

Artrose do joelho



A artrose do joelho consiste na ocorrência de osteoartrose na articulação do joelho. A osteoartrose é num grupo heterogêneo de condições que levam a sinais e sintomas semelhantes, e que estão associadas à degeneração da cartilagem articular, do osso que lhe é subjacente e das estruturas moles circundantes.
Com a degradação da cartilagem (parte da articulação que amortece as extremidades dos ossos) os ossos friccionam uns contra os outros provocando dor e perda de movimento.
A artrose do joelho pode afetar 3 locais diferentes da articulação:
a. compartimento medial
b. compartimento lateral
c. compartimento femoropatelar

Quanto à sua origem a artrose do joelho pode ser:
Primária: relacionado principalmente com o envelhecimento, não há nenhuma outra doença ou trauma provocando a doença. Com a idade, o nível de água na cartilagem articular aumenta, tornando-a menos sólida. A produção de proteínas que são utilizados na manutenção da cartilagem também diminui, fazendo com que a cartilagem fique mais vulnerável a rupturas.
Secundária: há outra condição ou doença que provoca a artrose, por exemplo: obesidade, diabetes, cirurgia prévia à articulação, microtraumas repetitivos, fraturas...

Na fase inicial de uma artrose no joelho a cartilagem articular vai começar a demonstrar sinais de desgaste, pequenas fendas ou rupturas. Se nenhum esforço for feito para retardar este processo, a cartilagem, ficará cada vez mais degradada, podendo até ocorrer pedaços de cartilagem soltos no interior da articulação. Isso vai afetar o osso subjacente, deformando-o e criando osteófitos, o que coloca em risco a funcionalidade da articulação.
Sinais e sintomas/ Diagnóstico
Primários:
Dor, rigidez matinal, diminuição das capacidades funcionais
Secundários:
perda de mobilidade na articulação afetada, diminuição da força muscular, instabilidade da articulação, crepitações
É essencial a recolha atenta da história clínica do paciente, de forma a encontrar certos padrões, característicos da artrose do joelho. Um raio-X é geralmente pedido para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. Uma artrocentese pode ser realizada pelo médico (uma agulha estéril é utilizada para recolher amostras de líquido sinovial, que pode então ser analisada para confirmar fragmentos de cartilagem, infecção ou gota)


Tratamento
A osteoartrose é uma doença degenerativa, progressiva que, quando não tratada, vai piorando até que, nas fases mais avançadas, poderá provocar dores constantes e incapacitantes. O tratamento conservador baseia-se na luta contra a dor e a inflamação, na recuperação do movimento e na tentativa de atrasar a progressão da doença. Nas formas mais avançadas da doença podem ser colocada uma prótese do joelho.
O tratamento conservador é a primeira escolha terapêutica para as artroses do joelho que ainda não têm indicação cirúrgica e pode incluir:
Plano de exercícios terapêuticos: Provou ser eficaz como tratamento da dor e melhoria da funcionalidade a curto prazo. No entanto, estes exercícios devem ser efetuados sob supervisão de um fisioterapeuta. Quando devidamente instruído, poderá realizar estes exercícios em casa. Contudo, estudos têm mostrado que o exercício em grupo combinado com exercícios em casa é mais eficaz do que apenas em casa.
Dieta: No caso de pacientes com excesso de peso, o aconselhamento e uma dieta adequada para perda de peso provaram ser eficazes na diminuição dos sintomas
Hidroterapia: É recomendada em diretrizes internacionais.Apesar das evidências contraditórias sobre os seus benefícios, a hidroterapia pode ser útil em casos onde a dor é demasiado grave para o exercício fora de água.
Mobilização articular passiva: Provou ser eficaz para localizar e eliminar factores como dor e imobilidade articular, no entanto, só é eficaz quando combinada com exercício ativo. A amplitude conquistada pela mobilização pode permitir exercícios ativos mais avançados.
Termoterapia: Pode ser usado calor (por exemplo em articulações muito rígidas) para preparar para os exercícios.
O ultra-som, a eletroterapia e a massagem não revelam qualquer eficácia no tratamento da artrose do joelho.
O seu médico assistente poderá prescrever medicação oral (anti-inflamatórios não-esteróides) para controlo da dor.
Mais recentemente, o seu ortopedista poderá aconselhar a infiltração intra-articular de um componente baseado no ácido hialorónico, uma substancia presente na cápsula sinovial e na cartilagem articular e que confere propriedades viscoelásticas e lubrificantes à articulação.

Quando as lesões estruturais são demasiado graves a cirurgia para colocação de uma prótese do joelho é recomendada.
Adotar um plano de fisioterapia estruturado no pós-operatório é fundamental. Exercícios terapêuticos para melhorar a função da nova articulação e para fortalecimento muscular provaram ser a abordagem mais eficaz.

Exercícios terapêuticos para a artrose do joelho
Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da artrose do joelho. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direção à bacia. Retorne lentamente o pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Flexão resistida do pé
Sentado, com o elástico na ponta do pé. Puxe a ponta do pé para cima, depois deixe o pé voltar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Fortalecimento do quadríceps
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o músculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Page CJ, Hinman RS, Bennell KL. Physiotherapy management of knee osteoarthritis. Int J Rheum Dis. 2011 May;14(2):145-51.
Zhang W, Doherty M, Peat G, Bierma-Zeinstra MA, Arden NK, Bresnihan B, et al. EULAR evidence-based recommendations for the diagnosis of knee osteoarthritis. Ann Rheum Dis. 2010 Mar;69(3):483-9.
French HP, Brennan A, White B, Cusack T. Manual therapy for osteoarthritis of the hip or knee - a systematic review. Man Ther. 2011 Apr;16(2):109-17.

LOMBOCIATALGIA


          A lombociatalgia, caracterizada pelo estreitamento do canal vertebral das vértebras lombares é uma patologia de difícil diagnóstico e muito fácil de ser confundida com hérnia de disco, síndrome do piriforme ou mesmo artrose discal por causa da localização de certa forma complexa por onde passam importantes ramificações nervosas. A “Dor do Ciático” é aquela causada por uma compressão de sua raiz nervosa, localizada na região lombar (L3 e L4 e L5 e S1), na maioria das vezes causada por uma hérnia discal
          A hérnia discal mais freqüente, em L5-S1, é o responsável pela grande maioria das lombociatalgias. Outros fatores podem, também, determinar compressão radicular, como tumores, processos inflamatórios, osteófitos, etc. A articulação sacro-lombar, entre a L5 e S1 é o ponto equilíbrio do corpo humano. Assimetrias do quadril costumam ser responsável por diversos problemas desde o pé até o pescoço em função de esta importante articulação fazer parte de uma cadeia cinética fechada.


  
A má postura na posição ortostática, na marcha, ao se sentar, nas atividades físicas e diárias e durante o repouso produz desequilíbrios músculos-articulares que constituem a mais freqüente causa de dor. 

Ao lado da cefaléia, a dor lombar talvez seja a queixa mais freqüente na prática médica. Em ambas, a dor tem localização lombar ou sacra lombar, quase sempre bilateral, mas predominando em um dos lados.


           Na lombalgia é comum a dor não apresentar irradiação importante, enquanto na lombociatalgia ela se irradia para a nádega e face posterior da coxa, podendo estender-se até o pé. A intensidade da dor é variável, desde uma sensação de desconforto até uma dor lancinante e a movimentação da coluna agrava a dor. Quase sempre há transtorno funcional, impedindo o paciente de trabalhar, recostar ou deitar. Em alguns casos há completo bloqueio funcional, ficando o paciente numa posição rígida, sem condições de exercer qualquer atividade. A dor pode ser aguda, desencadeada por um esforço físico (levantar um peso, por exemplo) ou surgir gradativamente. É comum a presença de rigidez matinal que melhora com a movimentação. Mudanças de posição, o ato de sentar, deambulação, tosse, espirro e pequenos esforços provocam dor. Observa-se limitação da mobilidade da coluna, dor à palpação da região lombar, podendo haver uma área extremamente sensível. A compressão da região lombar pode despertar dor pelo trajeto do nervo ciático, sendo ele em região de nádegas, coxa perna e pé.
As lombociatalgias são ocasionadas por processos inflamatórios, degenerativos, por alterações da mecânica da coluna vertebral, malformações e sobrecarga da musculatura lombar.
Admite-se que a principal causa da lombociatalgia seja uma alteração do disco intervertebral, que se tornaria incapaz de amortecer as cargas que lhe são transmitidas. Mas sabendo que a parte central do disco não possui inervação sensitiva, admite-se que a dor só surge quando as alterações discais atingem as lamelas superficiais e o ligamento posterior, estruturas ricamente inervadas.
          Quando ocorre herniação do disco, a raiz nervosa comprimida é que dá origem a dor, a qual adquire, então, as características de uma síndrome radicular.
 
Nos casos de lombociatalgias ou síndrome ciática, deve-se pensar em primeiro lugar em hérnia de disco intervertebral.


As lombociatalgias por hérnia discal compreendem as seguintes variedades:
          Raiz L4 (disco herniado entre L3 e L4) – Dor na região lombar, face posterior da coxa, face medial da perna. Parestesia na região medial do joelho ou do pé. Deficiência do movimento de inversão do pé. Diminuição ou abolição do reflexo patelar.
          Raiz L5 (disco herniado entre L4 e L5) – Dor lombar, na face posterior da coxa, face lateral da perna e região maleolar externa. Parestesias no dorso do pé e hálux. Déficit motor na flexão do pé. Reflexos normais.
         Raiz S1 (disco herniado entre L5 e S1) – Dor lombar, na face posterior da coxa, face posterior de perna e calcanhar. Parestesias na borda lateral do pé e dois últimos pododáctilos. Déficit motor na flexão plantar do pé. Diminuição ou abolição do reflexo aquileu.



         A rigidez pós-repouso, geralmente matinal, costuma ocorrer tanto nas doenças inflamatórias como nas degenerativas. Há, contudo, uma diferença que merece ser destacada. A rigidez de origem inflamatória é mais persistente, ou seja, o paciente se levanta com dor e rigidez na coluna que persiste por tempo prolongado, enquanto nosprocessos degenerativos o paciente pode levanta-se com rigidez, mas este é fugaz, passageira, logo desaparecendo.

Causas:
· Espondiloartrose;
· Protusão Discal;
· Hérnia de Disco;

Quadro Clínico:
· Dor local, sendo aumentada com a palpação;
· Dor irradiada para o membro ou membros inferiores e pés;
· Parestesia do local ou do membro ou membros inferiores e pés;
· Dor durante repouso e em movimento;
· Hipotrofia e Hipotonia;
· Arco de Movimento Incompleto, incapacidade de movimento devido à dor;
· Alteração da biomecânica da coluna lombar, aparecimento de outras patologias tal como escoliose, hiperlordose e etc.;

Avaliação Fisioterapêutica:
     · Anamnese;
     · Exame Físico:
     · Inspeção: observar postura, marcha, coloração da pele, cicatriz;
     · Palpação: visa observação da tensão muscular;
     · Teste Articular e Muscular para coluna lombar e membro inferior;
     · Teste de Laségue: utiliza-se para observar se há compressão de raiz nervosa. O Fisioterapeuta realizará passivamente uma flexão de coxo-femural e aos 30/45 graus desta posição o paciente pode referir dor, dormência (parestesia), caracterizando uma compressão radicular.
· Perimetria;
· Sensibilidade (tátil, térmica e dolorosa);
· Reflexos;

Diagnóstico:
Radiografia (Raio X), são evidenciados no exame:
· Escoliose;
· Diferença de comprimento dos membros, que predispõe a escoliose;
· Alterações das sacro-ilíacas;
· Hiperlordose lombar;
· Sacro horizontalizado;
· Diminuição acentuada do espaço entre L5 e S1;
· Espondilólise;
· Espondilolistese;

Objetivos do Tratamento:
· Abolir ou diminuir a dor o mais rápido possível;
· Melhorar ou manter a ADM (Amplitude De Movimento);
· Normalizar tensão muscular, proporcionar relaxamento da musculatura;
· Normalizar o trofismo;
· Normalizar a força muscular através de exercícios;
· Abolir parestesia com descompressão das raízes nervosas;
· Normalizar a marcha com a exclusão da dor;

Tratamento Fisioterapêutico Proposto:
· T.E.N.S.;
· Ondas Curtas pulsado na fase aguda e continuo na fase crônica;
· Crioterapia deve ser realizado duas vezes ao dia por vinte minutos;
· Calor Superficial, melhorando assim o metabolismo local;
· Massagem Relaxante poderá ser realizada sem a presença de dor;
· Hidroterapia é indicada, pois dentro da água não tem compressão entre as vértebras, facilitando assim a realização de alguns exercícios;
· Repouso é necessário;
· Cinesioterapia é indicada para o restabelecimento da musculatura, atuando também na prevenção de futuras complicações, como:
         - Exercícios de alongamento da Coluna Lombar;
         - Exercícios de Báscula Pélvica;
         - Exercício de fortalecimento dos abdominais;
         - Exercício de alongamento dos Ísquios-tibiais;
         - Exercícios de alongamento do Tendão de Aquiles;
         - Exercícios de alongamento dos flexores de quadril;

           A coluna vertebral é a estrutura de sustentação da parte superior do corpo humano, responsável pela mobilidade da porção superior do tronco. A estabilidade dessa estrutura pode ser rompida por acidentes e situações, como quedas, sobrecarga, atitude postural, colisão, etc, que atingem principalmente a saúde, que solicita de forma anormal a coluna vertebral, acarretando para si os riscos de uma lombalgia e lombociatalgia.
          Como vimos ao longo deste, tais patologias costumam ser decorrentes de sete mecanismos principais e apresenta uma ordem de freqüência variada, sendo mais comum a lombalgia por fadiga da musculatura paravertebral, freqüente em indivíduos que adotam uma postura inadequada durante a realização de suas atividades. A Fisioterapia aplica soluções diferenciadas, visando ensinar o indivíduo como manter de forma sadia a sua estrutura vertebral a fim de evitar-lhe danos algumas vezes de tratamento prolongado ou até mesmo irremediáveis